sexta-feira, 25 de setembro de 2026

 QUANDO A POLÍTICA E A RELIGIÃO INVADEM O TRIBUNAL:

A MORTE DO DIREITO E DA JUSTIÇA NO STF BRASILEIRO

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes

 

 

1. A PORTA E A JANELA

Há uma imagem que sintetiza a tragédia institucional brasileira contemporânea. Quando a política entra pela porta de um tribunal, o direito e a justiça saem pela janela. É uma fuga silenciosa, quase imperceptível — mas é uma fuga. O tribunal continua funcionando, as audiências continuam acontecendo, as decisões continuam sendo proferidas. Mas algo essencial se perdeu: a integridade da jurisdição.

 

Quando, porém, a religião e a política se unem/misturam e entram juntas pela porta de um tribunal, o direito e a justiça não têm tempo de sair pela janela. Eles são assassinados dentro do próprio tribunal. O crime acontece à luz do dia, diante das câmeras, nos autos do processo. E o assassino veste toga.

 

É o que agora ocorre no Supremo Tribunal Federal brasileiro.

 

O necropoliticobolsonaro — essa simbiose entre a política de morte, o bolsonarismo e a necropolítica que caracteriza o projeto de poder da extrema-direita — empurrou para dentro do STF seu vírus político-religioso extremista fascinazista. E o vírus encontrou um hospedeiro: o ministro André Mendonça, o "terrivelmente evangélico", o homem que Jair Bolsonaro indicou para a Corte com a missão de subvertê-la por dentro.

 

Este ensaio analisa como a doutrina religiosa-política e a política-religiosa criaram o fanatismo que hoje ameaça destruir a democracia brasileira a partir de seu órgão mais alto de justiça.

 

2. A FUSÃO ENTRE POLÍTICA E RELIGIÃO: A GÊNESE DO FANATISMO

2.1. A doutrina religiosa-política como arma de dominação

A fusão entre religião e política não é um fenômeno novo. Ela atravessa a história da humanidade — das teocracias antigas ao cesaropapismo medieval, do islamismo político ao fundamentalismo protestante americano. Mas no Brasil contemporâneo, essa fusão adquiriu uma forma específica e particularmente perigosa: o evangélico bolsonarismo e vice-versa: o bolsonarismo evangélico.

 

O bolsonarismo não é apenas um movimento político. É uma religião civil — com dogmas, mártires, rituais e uma escatologia própria. Seu dogma central é a "luta contra o esquerdismo/comunismo"; seus mártires são os "patriotas" perseguidos; seus rituais são as manifestações de 7 de setembro; sua escatologia é a "volta do mito" que restaurará a ordem.

 

A doutrina religiosa-política que sustenta esse movimento opera em três níveis:

1.       Nível teológico: A crença de que Bolsonaro foi "enviado por Deus" para salvar o Brasil do comunismo. André Mendonça, em depoimento, afirmou ver Bolsonaro como um "profeta" — uma crença que, no exercício do cargo, se traduz em lawfare contra os inimigos do "profeta".

2.       Nível político: A transformação da fé em identidade política. Pesquisas mostram que 59% dos evangélicos defendem que Bolsonaro tenha o direito de concorrer em 2026. A fé se tornou um marcador partidário.

3.       Nível institucional: A ocupação de espaços de poder — especialmente o STF — por agentes comprometidos com essa cosmovisão. André Mendonça é o exemplo máximo: um ministro que age como cavalo de Troia do bolsonarismo na Corte.

 

2.2. O fanatismo como produto da fusão

Quando a religião e a política se fundem, o resultado é o fanatismo. Não o fanatismo religioso tradicional — que busca converter o outro —, mas o fanatismo político-religioso — que busca aniquilar o outro.

 

O fanático religioso/político-religioso não dialoga. Ele combate. Ele não reconhece a legitimidade do adversário. Ele o vê como encarnação do mal, como agente do demônio, como inimigo de Deus. E, se o inimigo é de Deus, matá-lo não é crime — é dever sagrado.

 

Essa lógica está na raiz da violência bolsonarista: os ataques de 8 de janeiro, as ameaças a ministros do STF, os planos de golpe, as milícias digitais. Tudo isso é guerra santa — uma cruzada contra os "esquerdistas/comunistas", os "corruptos", os "inimigos do povo".

 

3. A ENTRADA DO VÍRUS NO STF: ANDRÉ MENDONÇA COMO AGENTE DO CAOS

3.1. A indicação como ato de guerra

Quando Jair Bolsonaro indicou André Mendonça ao STF, em 2021, não foi um gesto de estadista. Foi um ato de guerra. Bolsonaro não queria um jurista imparcial; queria um soldado — alguém que, dentro da Corte, atuasse para protegê-lo, para blindar seus aliados, para perseguir seus inimigos.

 

Mendonça cumpriu a missão. Seu histórico na Corte é uma sucessão de atos que beneficiam o bolsonarismo e prejudicam seus adversários:

  1. Mantém sob sigilo o inquérito do caso Dark Horse, que envolve Flávio Bolsonaro;
  2. Quebrou o sigilo contra Alexandre de Moraes em 24 horas, para gerar um fato político às vésperas das eleições;
  3. Afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sem ouvir a PGR, em causa própria — pois os relatórios da PF o mencionavam;
  4. Tenta, preventivamente, evitar que Alexandre de Moraes assuma a presidência do STF em 2027.

 

3.2. A decisão de 8 de setembro de 2026: o golpe dentro do STF

No dia 8 de setembro de 2026, André Mendonça deu o passo mais ousado de sua carreira golpista: decapitou o comando da Polícia Federal.

Afastou o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada, sob a alegação de que relatórios de inteligência o haviam "monitorado" de forma ilegal. Não ouviu a Procuradoria-Geral da República. Não consultou o Pleno do STF. Agiu sozinho, em causa própria-bolsonarista, em um caso que o envolvia diretamente.

 

Foi um ato de desobediência civil — no sentido mais grave do termo. Um ministro do STF, que jurou defender a Constituição, violou a Constituição para proteger os investigados do bolsonarismo e alvejar o principal algoz da extrema-direita no Judiciário: Alexandre de Moraes.

 

O ministro Flávio Dino, em decisão posterior, afirmou que Mendonça agiu "em causa própria" e que a interrupção das investigações beneficia "sobretudo os investigados". A AGU pediu a revogação da decisão. A Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Andrei, mas Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento.

 

O direito e a justiça foram assassinados dentro do tribunal.

 

4. AS CONSEQUÊNCIAS: O STF COMO ARENA POLÍTICA

4.1. A perda da imparcialidade

O primeiro e mais grave efeito da entrada do vírus político-religioso no STF é a perda da imparcialidade. Um tribunal que deveria ser o guardião da Constituição se transformou em arena de disputa política.

 

Mendonça não decide com base no direito. Decide com base na conveniência política — sua e de seus aliados. Suas decisões não visam à justiça; visam ao poder. Não protegem a democracia; protegem o projeto de poder do bolsonarismo.

 

4.2. A instrumentalização do direito

O direito, que deveria ser um instrumento de limitação do poder, tornou-se um instrumento de exercício do poder. A lei não é mais um freio; é uma arma. As decisões não são mais atos de jurisdição; são atos de guerra.

 

Essa instrumentalização é característica dos regimes autoritários. Nos regimes democráticos, o direito limita o poder. Nos regimes autoritários, o direito serve ao poder. É o que vemos no STF de Mendonça.

 

4.3. A destruição da confiança institucional

A consequência mais duradoura é a destruição da confiança nas instituições. Quando o povo percebe que o STF não é imparcial, que os ministros decidem com base em interesses políticos, que a justiça é seletiva, a legitimidade do tribunal se desintegra.

 

E sem legitimidade, o direito é apenas força. Sem confiança, a justiça é apenas vingança. Sem credibilidade, o STF é apenas mais um ator político na arena — não o árbitro imparcial que a Constituição quis que fosse.

 

5. A REDE GLOBO E A AMPLIFICAÇÃO DO CAOS

A entrada do vírus político-religioso no STF não ocorreria sem a cumplicidade da grande mídia. A Rede Globo, em particular, tem desempenhado um papel central na amplificação do caos e na legitimação do golpismo.

 

Desde sua fundação, a Globo foi filiada aos interesses dos EUA no Brasil. Fomentou e garantiu o golpe de 1964, apoiou a ditadura militar, defendeu o impeachment de Dilma Rousseff, engajou-se na Lava Jato, facilitou a eleição de Bolsonaro. Agora, permanece ao lado do golpe — porque tem muito a ganhar com sua concretização.

 

A cobertura da crise entre Mendonça e Moraes, com vazamentos calculados e manchetes sensacionalistas, segue o mesmo roteiro da Lava Jato: criminalizar o inimigo político, espetacularizar a acusação, criar uma narrativa que sirva a interesses eleitorais. A Globo, como sempre, está do lado de quem pode lhe dar mais audiência e mais poder — e esse lado, hoje, é o bolsonarismo.

 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A NECESSIDADE DE EXPURGAR O VÍRUS

O que está em jogo, neste momento, é a própria sobrevivência da democracia brasileira.

André Mendonça não é um juiz. É um operador político dentro do STF, um agente do golpismo continuado que, à revelia da lei, alveja de morte a instituição que deveria proteger. Cada ação sua é um passo em direção à ditadura monárquico-miliciana que o bolsonarismo sonha em implantar no Brasil.

 

Mas há uma contradição que pode ser sua ruína: ao agir com tanta desfaçatez, Mendonça cavou sua própria cova. A decisão de afastar Andrei sem ouvir a PGR é anulada. A pressão da opinião pública, se bem orientada, pode reverter votos contrários. E o próprio Moraes, embora alvejado, ainda tem maioria no tribunal.

 

A pergunta que fica é: o STF terá coragem de expurgar o vírus que o corrói por dentro?

 

O enfrentamento ao necropoliticobolsonaro e seus agentes exige:

  1. Denúncia constante — expor a seletividade e a hipocrisia de Mendonça e seus aliados;
  2. Mobilização popular — ocupar as ruas e as redes para defender o STF e a democracia;
  3. Voto consciente — derrotar nas urnas os candidatos que se beneficiam da destruição institucional;
  4. Resistência jurídica — usar todos os instrumentos legais para anular os atos golpistas de Mendonça.

 

O Brasil não pode se acostumar com o golpe. Não pode normalizar a obscenidade jurídica. Não pode aceitar que um ministro do STF atue como articulador de campanha dentro da Corte.

 

O vírus precisa ser expurgado. Antes que ele mate o hospedeiro.

 

— Quando a política entra pela porta de um tribunal, o direito e a justiça saem pela janela. Quando a religião e a política entram juntas, o direito e a justiça são assassinados dentro do tribunal. E o assassino veste toga.

 

Professor Negreiros, Deuzimar Menezes

Imperatriz (MA), grafado entre os dias 06 a 25 de setembro de 2026

 

Contatos:
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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

 A EDUCAÇÃO E O CÉREBRO SEQUESTRADOS: PELA VOLTA À PAIDÉIA, À SALA DE AULA, AO LIVRO E À ESCRITA À MÃO

Análise crítico-pedagógica-propositiva sobre a urgência de retorno às origens da Educação

– É o que propõem, seguro de estar certo, Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes

_∞ Pesquisador; Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

 

 

À GUISA DE ANTELÓQUIO: O QUE FIZERAM COM O CÉREBRO QUE NOS HABITA?

Pergunto: "O que fazemos com o cérebro que nos habita?" E a resposta, neste início de século XXI, é aterradora: entregamos nosso cérebro ao capitalismo digital.

 

Entregamos as salas de aula às telas. Entregamos os livros aos tablets. Entregamos a escrita à mão aos teclados. Entregamos a atenção à algoritmos que disputam cada milissegundo de nossa consciência. E o resultado — como diagnostico com precisão empírica — é uma epidemia de adoecimento psíquico generalizado, uma geração de crianças e adolescentes cujos cérebros estão sendo moldados não pela Pedagogia (a arte de ensinar), nem pela Matética (a arte de aprender), mas pela indústria da distração...

 

A tese que aqui se sustenta é clara e radical: a Educação precisa ter de volta suas origens. Não por saudosismo. Não por nostalgia. Mas porque a ciência do cérebro, a neurologia e a própria experiência empírica de uma vida inteira dedicada à educação demonstram que o retorno às salas de aula, aos livros impressos e à escrita à mão é a única forma de cuidar da saúde mental e do desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes.

 

Não se trata de "rejeitar a tecnologia". Trata-se de reconhecer que a tecnologia, quando se torna o centro da educação — em vez de instrumento —, adoece o cérebro, atrofia a atenção, destrói a memória e sequestra a criatividade.

 

I. A NEUROCIÊNCIA DA ESCRITA À MÃO: O QUE A CIÊNCIA REVELA

I.1. A escrita à mão como exercício cerebral profundo

Pesquisas recentes do Centro Bronfenbrenner de Pesquisa Translacional demonstram, com clareza inequívoca, que a escrita à mão ativa áreas cerebrais ligadas à memória, à atenção e à criatividade de forma muito mais intensa que a digitação.

 

O ato de escrever à mão exige coordenação simultânea entre movimentos finos, percepção visual e memória de trabalho — um esforço cognitivo integrado que gera maior ativação cerebral e fortalece as conexões neurais. O hipocampo, região crucial para a consolidação de memórias, é particularmente estimulado durante a escrita manual.

 

Em um estudo com crianças de cinco anos, aquelas que escreviam manualmente foram as únicas a apresentar atividade no circuito cerebral usado para aprender a ler durante exames de ressonância magnética. A conclusão é devastadora para os defensores da digitalização precoce: o cérebro da criança precisa da mão para aprender a ler.

 

I.2. A alfabetização pela mão

Pesquisadores da Universidade do País Basco compararam o desempenho de crianças de 5 e 6 anos que aprendiam letras e palavras por meio da escrita manual versus o teclado. Os resultados, publicados no Journal of Experimental Child Psychology, são categóricos: as crianças que usaram as mãos obtiveram os melhores resultados.

 

"À medida que as crianças escrevem cada vez menos à mão, queríamos explorar o impacto disso nas habilidades alfabéticas e ortográficas", explicou Joana Acha, autora do estudo. A resposta é que a capacidade de aprender letras, assimilar e lembrar a estrutura das palavras se desenvolve de maneira significativamente diferente conforme o método de treinamento.

 

I.3. O que isso significa para a educação

Se a escrita à mão é neurologicamente superior para a alfabetização, para a memorização e para o desenvolvimento da atenção, por que insistimos em substituí-la por teclados e telas? A resposta não é pedagógica. É econômica e ideológica.

 

II. A CRISE DA SAÚDE MENTAL E A DIGITALIZAÇÃO: OS DADOS QUE INCOMODAM

II.1. O Brasil na vanguarda do adoecimento digital

O Brasil é o segundo país do mundo em tempo de uso de smartphones e dispositivos eletrônicos, com média de nove horas diárias — 44% acima da média global.

 

46% das crianças brasileiras demonstram ansiedade, irritabilidade ou inquietação associadas ao uso de telas. A ansiedade é o sintoma mais frequente, citado por 27% dos responsáveis, seguida de irritabilidade (25%), dificuldade de concentração (23%) e alterações no sono (20%).

 

44% das crianças apresentam resistência intensa — choro, frustração exagerada ou reações agressivas — quando o acesso digital é retirado. Em outras palavras: estamos criando uma geração dependente de estímulos digitais, incapaz de tolerar o tédio, a espera, o silêncio — capacidades fundamentais para o pensamento profundo.

 

II.2. A relação dose-resposta entre telas e sofrimento psíquico

Evidências brasileiras recentes demonstram um padrão dose-resposta entre o tempo de exposição às telas e sintomas de sofrimento psíquico: quanto mais tempo de tela, maior a probabilidade de desenvolver sintomas de ansiedade, depressão e estresse.

 

Adolescentes com 4 a 6 horas diárias de tela apresentam 35% mais risco de sintomas depressivos; com 6 horas ou mais, o risco sobe para 88% .

 

II.3. O que a escola digitalizada está fazendo com o cérebro

Enquanto a neurociência demonstra que a escrita à mão é superior para a aprendizagem, a política educacional brasileira caminha na direção oposta. O PISA 2025 revelou que o Brasil mais que dobrou a proporção de alunos em escolas com proibição de celular (de 37% em 2022 para 81% em 2025).

 

Isso parece positivo — e é. Mas revela uma contradição profunda: proibimos o celular na sala de aula, mas não substituímos a tela pela mão, pelo livro, pela leitura profunda. A proibição, sem a oferta de alternativas analógicas, é apenas a retirada de um vício sem a construção de uma virtude.

 

III. A PAIDÉIA E A MATÉTICA: O HORIZONTE ESQUECIDO

III.1. Paidéia: a formação integral do ser humano

A Paidéia grega — conceito desenvolvido no século V a.C. e sistematizado por Werner Jaeger — era o modelo ideal de educação que os gregos consideravam fundamental para a formação do cidadão. Envolvia o sentido moral, os valores sociais, a convivência e o desenvolvimento integral — desde a formação intelectual até as aptidões físicas.

 

A Paidéia não hierarquizava experiências, saberes ou conhecimentos; ao contrário, colocava-os como complementares e fundados radicalmente no social. Era, portanto, uma educação holística, que integrava corpo e mente, teoria e prática, indivíduo e comunidade.

 

III.2. Matética: a arte esquecida de aprender

O matemático e educador Seymour Papert cunhou o termo Matética para designar a arte de aprender — uma disciplina que, ao contrário da Pedagogia (arte de ensinar), não tem nome, não tem espaço, não tem reconhecimento na formação do educador/ensinador. O chamado pedagogo!!

 

"Quando um aluno não assimila ou 'aprende' os conteúdos 'ensinados', diz-se que a escola e o “professor” deixaram de exercer a sua função, fracassou no seu objetivo principal. Ora nessa perspectiva é que reside o equívoco", escreve Papert . O problema não é o aluno que não aprende. É uma cultura que desinvestiu completamente na arte de aprender.

 

Papert lamenta a sobrevalorização do conhecimento sobre números e gramática e o desinvestimento nos processos de aprendizagem. A Matética, para ele, é para a aprendizagem o que a heurística é para a resolução de problemas.

 

III.3. O que perdemos ao abandonar a Paidéia e a Matética

Ao abandonarmos a Paidéia, perdemos a formação integral. Ao abandonarmos a Matética, perdemos a capacidade de aprender a aprender. E ao substituirmos ambas pela Pedagogia bancária digital — onde o aluno é depósito de informações e o “professor”, aplicador de plataformas —, perdemos a educação como prática da liberdade.

 

IV. A SALA DE AULA, O LIVRO E A MÃO: O TRIPÉ DA RESISTÊNCIA

IV.1. A sala de aula como espaço de encontro

A sala de aula não é um espaço físico qualquer. É um território de encontro humano. Comum/nitário. É onde os corpos se encontram, os olhares se cruzam, as vozes se escutam. É onde o “professor” não é um "aplicador de conteúdo", mas um professor — aquele que professa, que profeta, que proclama conhecimentos.

 

A sala de aula analógica é irreproduzível pelo digital. Nenhuma plataforma de ensino a distância substitui o calor do debate presencial, a energia do grupo, a construção coletiva comum/nitária do conhecimento.

 

IV.2. O livro impresso como tecnologia da atenção

Estudos comparativos entre leitura no papel e leitura digital demonstram que a leitura em papel proporciona uma experiência mais atenta e focada, resultando em maior retenção de informações. A leitura digital é caracterizada como desatenta, superficial e casual, com muitas distrações.

 

A leitura no papel oferece pistas sensoriais e motoras que não são encontradas na leitura digital — como o tato da página, o movimento dos olhos pelo texto impresso, a possibilidade de anotar, sublinhar, voltar atrás. Essas pistas facilitam a criação de um mapa mental do texto e fortalecem a compreensão.

 

O livro impresso é, portanto, uma tecnologia da atenção — um objeto que foi desenvolvido ao longo de séculos para maximizar a concentração e a compreensão. A tela, ao contrário, é uma tecnologia da distração.

 

IV.3. A escrita à mão como exercício de liberdade

A escrita à mão é lenta. E é exatamente essa lentidão que a torna poderosa. Enquanto a digitação é rápida, automática, quase inconsciente, a escrita à mão exige tempo, presença, atenção. Cada letra é um ato deliberado. Cada palavra, uma escolha.

 

A lentidão da escrita à mão obriga o cérebro a pensar antes de escrever. O pensamento se organiza. A memória se consolida. A criatividade floresce. "A caligrafia estimula criatividade, pensamento crítico e autorreflexão, além de melhorar coordenação motora fina e reconhecimento de letras".

 

V. PROPOSIÇÕES EXECUTÁVEIS: O RETORNO ÀS ORIGENS COMO POLÍTICA PÚBLICA

V.1. Currículo analógico obrigatório

a.        Escrita à mão obrigatória na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, com carga horária diária mínima.

b.       Uso do livro impresso como material didático principal em todas as disciplinas, complementado — não substituído — pelo digital.

c.        Proibição de telas na Educação Infantil e nos anos iniciais, salvo para atividades pedagógicas específicas e supervisionadas.

 

V.2. Formação de professores para a Paidéia e a Matética

a.        Inclusão obrigatória de disciplinas de neurociência da aprendizagem, Paidéia e Matética nos currículos de formação inicial e continuada de professores.

b.       Formação em escrita à mão e caligrafia para professores da Educação Infantil e anos iniciais.

c.        Formação em mediação de leitura analógica e criação de bibliotecas de sala de aula.

 

V.3. Saúde mental e desenvolvimento cerebral como prioridade

a.        Programas de saúde mental escolar que incluam atividades de escrita à mão, leitura em papel, meditação e contato com a natureza.

b.       Avaliação neuropsicológica periódica de crianças e adolescentes para identificar impactos do uso de telas.

c.        Campanhas de conscientização para famílias sobre os riscos do uso excessivo de telas.

 

V.4. Política de infraestrutura analógica

a.        Construção e manutenção de bibliotecas escolares com acervo atualizado de livros impressos.

b.       Distribuição de materiais de escrita [cadernos, lápis, canetas] para todos os alunos da rede pública.

c.        Criação de espaços de leitura e escrita nas escolas — salas de leitura, clubes de escrita, saraus literários.

 

V.5. Avaliação e monitoramento

a.        Monitoramento longitudinal do impacto da escrita à mão na aprendizagem, na memória e na saúde mental.

b.       Avaliação do tempo de tela de crianças e adolescentes, com metas de redução gradual.

c.        Publicação anual de relatórios sobre saúde cerebral e digitalização educacional.

 

VI. MINHAS CONSIDERAÇÕES FINAIS: A MÃO QUE ESCREVE É A MÃO QUE LIBERTA

Estou convicto/certo de estar certo. A Educação precisa ter de volta suas origens: as salas de aula, os livros impressos, a escrita à mão. Não por saudosismo, mas por ciência. Não por tradição, mas por saúde mental. Não por rejeição à tecnologia, mas por defesa do cérebro humano.

 

A mão que escreve é a mão que desacelera o pensamento para que ele se organize. A mão que escreve é a mão que ativa o hipocampo, fortalece a memória, estimula a criatividade. A mão que escreve é a mão que aprende a ler, a pensar, a questionar.

 

A sala de aula é o território do encontro. O livro impresso é a tecnologia da atenção/concentração. Da viagem mental. A escrita à mão é o exercício da liberdade.

 

Que a Paidéia — a formação integral do ser humano — seja restaurada. Que a Matética — a arte esquecida de aprender — seja redescoberta. Que a mão que escreve seja a mão que liberta.

 

Para escrever sou dependente:

1. papel para rascunhar/escrever a primeira escrita...

2. da mão na elaboração de uma “boneca” como estrutura jornalística e pedagógica-didática-matética...

3. de dicionários...

4. livro/s de apoio/fonte de consulta...

 

"Nada há no intelecto sem antes ter passado pelo sentido."

E é pela mão, pelo olho, pelo corpo inteiro — não pela tela — que o sentido se faz conhecimento.

 

Pesquisas, leituras, análises, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos parágrafos/textos:

 

_∞ Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

_∞ Pesquisador; Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

_∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

_∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

_∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

 

Contatos:

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fundacaobrasileducacional@gmail.com
institutouniversidadepanameria@gmail.com
(99) 98154-0899 – WhatsApp

 

Imperatriz/MA, São Miguel/TO – Reserva EcoFloresta Lagoa da Onça – 08 a 17 de setembro 2026

 

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política... _∞ Muy Gracias por leernos

  QUANDO A POLÍTICA E A RELIGIÃO INVADEM O TRIBUNAL: A MORTE DO DIREITO E DA JUSTIÇA NO STF BRASILEIRO Por Professor Negreiros, Deuzimar...