terça-feira, 6 de outubro de 2026

Matafísica da negação de F. Bolsonaro

 A metafísica da negação de F. Bolsonaro

ANÁLISE METAFÍSICA E CRÍTICO-DENUNCIATÓRIA DO PLANO DE GOVERNO E DA COMUNICAÇÃO SUBLIMINAR DE F. BOLSONARO

“...a palavra que não diz é tão violenta quanto a palavra que mata. E a metáfora que oculta é tão perigosa quanto a bala que voa”.

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes, – Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA] Pesquisador. Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política, em um diálogo holístico e transdisciplinar com...

 

 

I. PRELÚDIO: A METAFÍSICA DO SILÊNCIO E DA PALAVRA

Há uma metafísica operando na comunicação de Flávio Bolsonaro. Não é a metafísica dos filósofos — do ser enquanto ser, da substância, da causalidade. É uma metafísica da ocultação — uma engenharia da linguagem que constrói mundos paralelos, que diz sem dizer, que nega enquanto afirma, que promete o paraíso enquanto prepara o inferno.

 

O plano de governo de Flávio Bolsonaro tem 76 páginas. Nove eixos. Um título: “Para o Brasil Vencer o Atraso”. Mas o que o documento não diz é tão revelador quanto o que diz. E o que Flávio fala nos últimos dez dias de campanha — nas motocarreatas, nas lives, nos vídeos — revela a metafísica subliminar que sustenta seu projeto.

 

Esta análise disseca essa metafísica: o que Flávio diz, o que oculta, e o que revela sem perceber.

 

II. A METAFÍSICA DO SILÊNCIO: O QUE O PLANO NÃO DIZ

2.1. A ausência das palavras proibidas

O plano de governo de Flávio Bolsonaro não menciona os termos “mudança climática” nem “aquecimento global”. Nenhuma vez. Zero.

 

Em um documento de 76 páginas que trata de economia, segurança, saúde, educação, meio ambiente — a crise climática, que ameaça a própria existência do país, simplesmente não existe.

 

Essa ausência não é um esquecimento. É uma metafísica da negação. Ao não nomear, Flávio nega a existência do fenômeno. É o mesmo gesto de seu pai, que chamou a pandemia de “gripezinha”. É a estratégia do avestruz metafísico: se eu não vejo, não existe.

 

2.2. A relativização do aquecimento global

Quando obrigado a falar sobre o tema, Flávio classifica o aquecimento global como “eventos extremos e cíclicos”. A palavra “cíclico” é uma metáfora metafísica: sugere que o que está acontecendo é natural, inevitável, parte de um ciclo — e, portanto, não é da responsabilidade humana.

 

Essa metáfora exime o capitalismo de culpa. Exime o agronegócio. Exime a indústria. Exime o próprio Flávio. O planeta queima porque sempre queimou. Não há culpa. Não há responsabilidade. Não há urgência.

 

2.3. A promessa do “tesouraço”

Flávio promete um “tesouraço” nos gastos públicos. Cortar dez ministérios. Reduzir cargos comissionados. Combater “penduricalhos” e supersalários.

A metáfora é cirúrgica — mas a cirurgia é amputação. “Tesouraço” não é corte racional; é violência. É a metáfora do corte bruto, sem anestesia, sem cuidado. O que será cortado? O plano não diz com precisão.

 

O economista Fabio Giambiagi, do Estadão, foi direto: “O ‘júnior’ escreveu que adotará um ‘tesouraço’, o que demonstra que não sabe do que está falando, por ignorar as restrições fiscais que enfrentará”. A metáfora é vazia — promete muito, especifica pouco, esconde a realidade.

 

III. A METAFÍSICA DA PALAVRA: O QUE FLÁVIO DIZ E O QUE REVELA

3.1. “Quero libertar o povo brasileiro”

Ao votar, em 4 de outubro, Flávio declarou: “Quero libertar o povo brasileiro”.

A metáfora da libertação é poderosíssima. Mas libertação de quê? Do governo? Da pobreza? Da “perseguição política”? Da sua milícia? Do CV/PCC? ... De quem mesmo?!

 

A resposta, em parte, está no que ele diz na sequência: “No meu mandato, vou me basear em que menos brasileiros dependam do governo para ter o que comer”.

 

A metáfora revela a metafísica neoliberal: liberdade = ausência de Estado. O povo não precisa de políticas públicas; precisa de empreendedorismo. Não precisa de salário mínimo; precisa de flexibilidade. Não precisa de SUS; precisa de plano de saúde privado. Não precisa de educação escolar; precisa ser abandonado à sua própria sorte miserável!!

 

A “libertação” de Flávio é a libertação do mercado. É a servidão voluntária à lógica do capital.

 

3.2. “A mão de Deus”

No discurso da convenção do PL em Santa Catarina, Flávio afirmou: “Tudo que está acontecendo nos últimos tempos, gente, tem em cada detalhe, tem a mão de Deus agindo. Tem a mão de Deus confundindo os nossos inimigos. Tem a mão de Deus expondo a corrupção. Tem a mão de Deus mostrando qual o caminho que o Brasil tem que seguir”.

 

Aqui, a metafísica se torna teologia. E a teologia se torna política.

 

Deus não é apenas uma crença privada — é um agente político. Ele confunde inimigos. Ele expõe corrupção. Ele mostra o caminho. E o caminho que ele mostra é Flávio Bolsonaro.

 

Essa é a teologia do domínio [dominionismo escatológico] em ação. Não é uma fé que busca a salvação individual; é uma fé que busca o poder político. Não é uma religião de amor; é uma religião de guerra “espiritual”.

 

3.3. “Guerra espiritual gigantesca”

Flávio também disse: “É muito ataque. É uma guerra espiritual gigantesca”.

 

A metáfora da guerra espiritual é central na Teologia do Domínio [dominionismo escatológico]. Ela transforma adversários políticos em inimigos de Deus. Transforma críticas em ataques demoníacos. Transforma eleições em batalhas cósmicas entre o bem e o mal.

 

Quem está do outro lado? Os “comunistas”. Os “petistas”. Os “esquerdalhas”. Os “ministros do STF”. Os “inimigos de Deus”.

 

E, em uma guerra espiritual, não há diálogo. Só há combate. Só há vitória ou morte.

 

3.4. “Amém. Em nome de Jesus”

Flávio encerra seu discurso com “Amém. Em nome de Jesus”.

 

Essa é a metafísica da bênção. Ao invocar Jesus, Flávio sacraliza sua candidatura. Transforma um ato político em ato religioso. Transforma um voto em ato de fé.

 

Quem não vota em Flávio não está apenas discordando politicamente — está pecando contra Deus. Escatologicamente deve ser punido e morto pela ira de Deus-Flávio Bolsonaro.

 

IV. A METAFÍSICA DO ÓDIO: O QUE FLÁVIO ATACA E O QUE ELE REVELA

4.1. O ataque ao STF

Flávio afirmou que o STF precisa “deixar de ser uma delegacia de polícia” e que ministros atuam como “agentes políticos do Lula”.

 

A metáfora da delegacia é reveladora. Sugere que o STF persegue em vez de julgar. Que prende em vez de garantir direitos. Que serve ao governo em vez de servir à Constituição.

 

Flávio inverte criminosamente os papéis: quem tenta golpe [seu pai] se torna vítima. Quem defende a democracia [Moraes, Dino] se torna perseguidor. Eles deve ser punido!!

 

Essa é a metafísica da vitimização. O agressor se apresenta como vítima. O algoz se apresenta como mártir.

 

4.2. A promessa de “reforma” do STF

O plano de governo de Flávio propõe uma reforma do Judiciário que inclui:

  1. Fim das competências criminais originárias do STF
  2. Privilégio de decisões colegiadas
  3. Presunção de constitucionalidade do processo legislativo
  4. Quarentena de um ano para ministros de Estado indicados ao STF

 

A metáfora é “reduzir a concentração de poderes no Supremo”. Mas o que isso significa na prática?

 

Significa impedir que o STF investigue e puna políticos corruptos/criminosos poderosos. Significa blindar Bolsonaro e seus aliados. Significa capturar o Judiciário para o projeto de poder monárquico da familícia Bolsonaro.

 

A “reforma” não é democratização — é golpe institucional.

 

4.3. A acusação de “aparelhamento”

Flávio acusou o PT de “aparelhar instituições” e de colocar parte da Polícia Federal para “perseguir adversários políticos”, sem apresentar provas.

 

A metáfora do aparelhamento é uma projeção. É exatamente o que o bolsonarismo faz — nomear aliados, perseguir inimigos, usar o Estado como instrumento de poder. Flávio acusa o outro daquilo que ele próprio pratica.

 

Essa é a metafísica da projeção: o que o agressor não suporta ver em si mesmo, ele projeta no “inimigo”.

 

V. A METAFÍSICA DA COMUNICAÇÃO: A TV CELULAR E O CONTROLE DAS MENTES

5.1. A “TV Celular Flávio Bolsonaro”

Em setembro de 2026, Flávio relançou seu canal no YouTube, rebatizado de “TV Celular Flávio Bolsonaro”, prometendo programação 24 horas.

 

A metáfora é “ser um canal de notícias”. Mas o que a TV Celular veicula? Propaganda eleitoral disfarçada de informação. Conteúdo produzido por aliados. Entrevistas com apoiadores. Críticas a Moraes e Dino.

 

A TV Celular é a máquina de desinformação da campanha. Ela não informa — forma. Não debate — doutrina. Não comunica — controla.

 

5.2. A mensagem subliminar no JN

Em agosto de 2026, durante a sabatina de Flávio no Jornal Nacional, foi exibido um anúncio de evento da igreja do pastor Juanribe Pagliarin — líder religioso que já declarou apoio a Jair Bolsonaro. A peça publicitária terminava com a frase: “Apoio: Globo”.

 

A mensagem subliminar foi clara: a Globo apoia a igreja que apoia Bolsonaro. A Globo negou — disse que era “referência comercial”. Mas o efeito psicológico estava produzido: a associação inconsciente entre Globo, igreja e Bolsonaro marcou a psique do telespectador.

 

Essa é a metafísica subliminar: dizer sem dizer. Associar sem afirmar. Plantar no inconsciente uma ideia que a consciência não percebe. E grafa/registra!!

 

VI. A METAFÍSICA DO CORPO: A ESTÉTICA DA CAMPANHA

6.1. As motocarreatas

Flávio, como fez o pai, investiu em motocarreatas — cortejos de motos, com bandeiras, buzinas, gritos.

 

A metáfora do corpo coletivo é central. A motocarreta cria uma experiência sensorial de pertencimento. O som das motos, o vento no rosto, a adrenalina da velocidade — tudo isso une os participantes em um corpo único, um organismo político.

 

Não é um comício — é um ritual. Uma liturgia secular que cria laços emocionais mais fortes que qualquer argumento racional.

 

6.2. O “voto de protesto”

Flávio pediu que seus apoiadores compareçam às urnas com um “voto de protesto”.

 

A metáfora do protesto transforma o voto em ato de rebeldia. Não é voto por convicção — é voto por raiva. Não é voto por projeto — é voto por vingança.

 

O “voto de protesto” é o voto do ressentimento. É o voto de quem não acredita em nada — e por isso vota em qualquer coisa, desde que seja “contra o sistema”.

 

VII. A METAFÍSICA DA GUERRA: A CAMPANHA COMO BATALHA ESPIRITUAL

7.1. “Homens e mulheres de coragem, preparados, íntegros e de fé”

 

Flávio clama por “homens e mulheres de coragem, preparados, íntegros e de fé”.

 

A metáfora é militar e religiosa. Não é uma campanha política — é uma cruzada. Os eleitores não são cidadãos — são soldados. A urna não é um instrumento de democracia — é uma arma.

 

7.2. “Anistia já!”

Flávio encerra seu discurso em Santa Catarina com “Anistia já!”.

 

A metáfora da anistia é a metafísica da impunidade. Significa: perdoem os golpistas. Soltem Bolsonaro. Esqueçam o 8 de janeiro. Esqueçam a tentativa de golpe.

 

“Anistia já” é o grito de guerra do bolsonarismo. É a negação da justiça. É a metafísica da impunidade transformada em projeto de poder.

 

VIII. À LAIA DE FINALISANDO: A METAFÍSICA DO CAOS

A metafísica que sustenta o projeto de Flávio Bolsonaro é uma metafísica do caos. Ela opera em vários planos:

1.      Plano teológico: A guerra espiritual transforma adversários em demônios. A “mão de Deus” legitima a violência. A “anistia” absolve os crimes.

2.      Plano político: O “tesouraço” destrói o Estado. A “reforma do STF” captura o Judiciário para si. O “voto de protesto” mobiliza o ressentimento em seu favor.

3.      Plano comunicacional: A TV Celular controla a narrativa. A mensagem subliminar planta associações inconscientes. A metáfora da “libertação” esconde a servidão.

4.      Plano existencial: O eleitor não é convidado a pensar — é convidado a sentir. Não é chamado a debater — é chamado a crer. Não é tratado como cidadão — é tratado como súdito/vassalo.

 

Essa é a metafísica do necropoliticobolsonaro: uma engenharia da linguagem e do poder que prepara o terreno para a ditadura teocrática que tenho tanto alertado que virá. Sem dó. Nem piedade!!

 

— Porque a palavra que não diz é tão violenta quanto a palavra que mata. E a metáfora que oculta é tão perigosa quanto a bala que voa.

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Em diálogo holístico e transdisciplinar com o leitor/a...

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

http://professornegreiros.blogspot.com.br/

 

Imperatriz (MA), 06 de outubro de 2026

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE

 CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE

Cultivar a interioridade é reservar um tempo para o silêncio, para a oração, para a reflexão e para o encontro consigo mesmo e, sobretudo, com Deus. É nesse espaço interior que encontramos paz, discernimento e força para enfrentar a vida com suas dores e alegrias.

Quando olhamos para dentro de nós, descobrimos os dons e a bondade que Deus colocou em nós. A interioridade não nos afasta do mundo; ao contrário, torna-nos mais atentos, mais equilibrados e mais capazes de amar sem fazer distinções.

Quando cultivamos a nossa própria interioridade aprendemos a agir com mais sabedoria, a falar com mais delicadeza e a viver com mais sentido.

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COLTIVARE LA PROPRIA INTERIORITÀ

Coltivare l’interiorità significa dedicare del tempo al silenzio, alla preghiera, alla riflessione e all’incontro con se stessi e, soprattutto, con Dio. È in questo spazio interiore che troviamo la pace, il discernimento e la forza per affrontare la vita con i suoi dolori e le sue gioie.

Quando ci guardiamo dentro, scopriamo i doni e la bontà che Dio ha posto in noi. L’interiorità non ci allontana dal mondo; al contrario, ci rende più attenti, più equilibrati e più capaci di amare senza fare distinzioni.

Quando coltiviamo la nostra interiorità impariamo ad agire con più saggezza, a parlare con più delicatezza e a vivere con più senso.

Abraços,

Apolônio Carvalho Nascimento

 

 

Interpretando teosófica e una-metafisicamente espiritual a mensagem no textículo:

CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE

COLTIVARE LA PROPRIA INTERIORITÀ

De Apolônio Carvalho Nascimento

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

 

Professor Mauro Gurgel

 

No sábado e domingo, após ter recebido vossa postagem com o textícolo “CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE”, em Italiano e Português, de Apolônio Carvalho Nascimento, fui à minha reserva/RPPN em busca de isolamento natural para grafar uma interpretação teosófica... filosófica... una-metafisica espiritual... teo-espiritualista sobre a mensagem contida nos três parágrafos do textículo. Não conseguir completar a interpretação. Tive que retornar sexta e sábado para concluir parcialmente. Hoje concluso, lhe envio.

RPPN/Reserva Particular do Patrimônio Natural EcoFloresta Lagoa da Onça, 05 de outubro de 2026, município de São Miguel do Tocantins/TO

 

Eis o meu sentir, a minha percepção e reflexão sobre o pensar de Apolonio grafado em seu textículo: “CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE”.

 

INTERPRETAÇÃO TEOESPIRITUALISTA, UNA-METAFÍSICA E ESPIRITUAL

CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE — O SILÊNCIO COMO ÚTERO DA DIVINDADE

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes — em diálogo holístico-transdisciplinar consigo e o autor do textículo...

 

I. PRELÚDIO — O TEXTÍCULO COMO MANDALA

O textículo “CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE” que nos chega pelas mãos de Apolônio Carvalho Nascimento — em português e italiano, como um mantra bilíngue que ecoa entre duas culturas — não é um simples escrito devocional. É uma mandala textual: um círculo sagrado onde cada palavra é um raio que parte do centro e a ele retorna.

 

Ler “CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE” com olhos meramente literais é como contemplar um vitral pelo lado de fora: vê-se a estrutura, mas não a luz. A interpretação [em profundidade] que se segue é um convite a atravessar o vidro e habitar a luz.

 

II. O SILÊNCIO COMO LINGUAGEM PRIMORDIAL

"Cultivar a interioridade é reservar um tempo para o silêncio, para a oração, para a reflexão e para o encontro consigo mesmo e, sobretudo, com Deus."

 

“CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE” começa pelo silêncio — não por acaso. Na tradição teo-espiritualista, o silêncio não é ausência; é presença plena. É o útero onde a Palavra é gerada. Antes de Deus dizer ["Faça-se a luz"], houve o silêncio do não-dito. Antes de Cristo falar, houvera trinta anos de silêncio em Nazaré.

 

O silêncio, na perspectiva una-metafísica, é o estado de não-dualidade: o momento em que a alma deixa de se perceber como separada e se dissolve no Todo. É o que os místicos cristãos chamam de nuvem do não-saber [Eckhart], o que os sufis chamam de fana [aniquilação do eu], o que os vedantinos chamam de nirvikalpa samadhi [absorção sem forma].

 

A oração que o textículo menciona não é o pedido — é a escuta. É o silêncio fecundo onde a alma se cala para que Deus fale. A reflexão não é o pensamento — é o discernimento: a capacidade de distinguir, no silêncio, a voz do ego da voz do Espírito.

 

III. A INTERIORIDADE COMO TABERNÁCULO

"É nesse espaço interior que encontramos paz, discernimento e força para enfrentar a vida com suas dores e alegrias."

 

“CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE” revela uma verdade que a tradição teo-espiritualista conhece há milênios: o Reino de Deus está dentro de vós [Lucas 17:21]. A interioridade não é um refúgio psicológico — é um tabernáculo vivo, o lugar onde o divino habita no ser humano.

 

Na metafísica una — a compreensão de que toda a realidade é uma só, manifestação de uma Única Consciência —, a interioridade é o ponto de contato entre o finito e o infinito. É a porta estreita que, paradoxalmente, é a mais larga de todas, porque não tem forma.

 

A paz que o textículo menciona não é a ausência de conflito externo; é a presença do Eterno no temporal. É a shalom hebraica — não um sentimento, mas um estado de integridade cósmica.

 

O discernimento não é inteligência analítica; é o dom do Espírito Santo — a capacidade de perceber a vontade de Deus no aqui e agora, para além das aparências.

 

A força não é poder humano; é a graça — a energia divina que sustenta o ser no meio a provação.

 

IV. O OLHAR PARA DENTRO COMO REVELAÇÃO

"Quando olhamos para dentro de nós, descobrimos os dons e a bondade que Deus colocou em nós."

 

Aqui o textículo toca o coração da antropologia teo-espiritualista: o ser humano é imagem e semelhança de Deus [Gênesis 1:27]. Olhar para dentro não é narcisismo — é teofania: a manifestação de Deus na criatura.

 

Os dons a que o textículo se refere não são talentos individuais, mas carismas — graças distribuídas pelo Espírito para a edificação do corpo místico. A bondade não é mérito humano; é a imago Dei — o reflexo do Bem supremo na alma.

 

Na perspectiva una-metafísica, esse olhar para dentro é o retorno ao Uno — o movimento de reconhecimento de que a essência individual é idêntica à Essência universal. É o que Cristo expressou quando disse: "Eu e o Pai somos um" [João 10:30].

 

V. A INTERIORIDADE COMO MISSÃO — NÃO FUGA DO MUNDO

"A interioridade não nos afasta do mundo; ao contrário, torna-nos mais atentos, mais equilibrados e mais capazes de amar sem fazer distinções."

 

Este é o ponto mais revolucionário do “CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE”. A interioridade não é fuga — é envio. O silêncio não é negação do mundo; é a condição para amá-lo corretamente.

 

Na tradição profética, os grandes contemplativos foram, simultaneamente, os grandes ativistas. Teresa d'Ávila, João da Cruz, Francisco de Assis, Gandhi, Martin Luther King — todos cultivaram a interioridade como fonte de ação transformadora.

 

“CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE” nos ensina que a interioridade nos torna mais atentos — porque o silêncio aguça a percepção para ouvir o grito dos oprimidos. Mais equilibrados — porque a paz interior nos permite não reagir com violência à violência do mundo. Mais capazes de amar sem fazer distinções — porque, na perspectiva una, não há "outro"; há apenas o Uno manifestando-se em múltiplas formas.

 

VI. A SABEDORIA, A DELICADEZA E O SENTIDO

"Quando cultivamos a nossa própria interioridade, aprendemos a agir com mais sabedoria, a falar com mais delicadeza e a viver com mais sentido."

 

O textículo “CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE” conclui com três frutos da interioridade cultivada:

1.      Agir com sabedoria — não com a esperteza do mundo, mas com a sophia que vem do alto. A sabedoria é a arte de discernir o essencial do acidental, o eterno do efêmero.

2.      Falar com delicadeza — não com a retórica do poder, mas com a parresia do amor. A palavra delicada é a que cura, a que reconcilia, a que semeia paz. Como diz o Eclesiástico: "A palavra doce multiplica os amigos e acalma os inimigos" [Eclo 6:5].

3.      Viver com sentido — não com o sentido que o mundo dá [sucesso, riqueza, poder], mas com o sentido que brota da fonte interior. O sentido não é encontrado fora; é descoberto dentro, onde Deus habita.

 

VII. EPÍLOGO — O CONVITE À INTERIORIDADE COMO CAMINHO DE SALVAÇÃO

“CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE” de Apolônio Carvalho Nascimento não é uma exortação moral. É um convite místico. É o chamado que ecoa desde os primeiros séculos do cristianismo — o chamado dos padres do deserto, dos hesicastas do Monte Athos, dos contemplativos de todas as tradições.

 

Cultivar a interioridade é resistir — resistir à tirania do ruído, à ditadura da pressa, à idolatria da eficiência. É desacelerar — para ouvir a voz que fala no silêncio. É descer — para encontrar, nas profundezas do ser, o Deus que nos habita.

 

Que este textículo — em português e italiano, como um mantra que atravessa fronteiras — nos lembra de que a revolução mais radical não é a que transforma o mundo de fora para dentro, mas a que transforma o mundo de dentro para fora.

 

— Porque o Reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está dentro de vós. [Lucas 17:20-21]

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Pesquisador Empírico Racional. Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Holísticas e Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

Aqui em diálogo holístico e transdisciplinar consigo e com Apolônio Carvalho Nascimento, no seu textículo: “CULTIVAR A PRÓPRIA INTERIORIDADE”.

Imperatriz [MA], 05 de outubro de 2026

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

Matafísica da negação de F. Bolsonaro

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