quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O Limiar da Extinção de Humanos

 O LIMIAR DA NOSSA EXTINÇÃO: A TERRA INABITÁVEL E O SILÊNCIO CINÉREO DO POLÍTICO BRASILEIRO

A nossa morte pela temperatura de bulbo úmido iniciada em 2026, e a ausência do tema [climático] nas eleições.

_∞ Por Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

_∞ Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política


À GUISA DE ANTELÓQUIO

[“Nada está no intelecto que não tenha estado antes nos sentidos.”]

O que fazemos com o cérebro que nos habita?

Somos o nosso cérebro

Somos o tudo o que nele colocam

E o pouco que também o colocamos

Em cada década temos um cérebro a pensar

Não se percebe aí que ele pára exatamente onde deveria ter começado a pensar adiante

Ou seja, começado a pensar. Pensar é pensar adiante.

Somos um cérebro em ato de escrita... e de ações... do que recepciona... e absorve...

Nada há em nosso intelecto sem antes ter passado pelo sentido.

Meu cérebro é o que pensa, fala e escreve...

Pensar, hoje, é um gesto consciente-heróico-político

Dizer a verdade, um ato corajoso e heróico-subversivo

Defender a vida, um compromisso corajoso, heróica-radical

Eis o que a ti escreve, corajoso e heroicamente, o meu cérebro:


I. O UMBRAL – A TERRA QUEIMARÁ ANTES QUE PERCEBAMOS

O corpo humano é uma máquina térmica frágil. Sua temperatura interna não pode ultrapassar 42°C sob pena de falência orgânica irreversível. Para evitar esse colapso, o organismo conta com um mecanismo primitivo e eficaz: a evaporação do suor. Mas esse mecanismo tem um limite. Quando o ar está tão quente e úmido que o suor não consegue mais evaporar, o corpo humano se transforma em uma panela de pressão sem válvula de escape. Os órgãos falham. O cérebro cozinha. A morte chega em horas – ou, para os mais vulneráveis – idosos, crianças, trabalhadores expostos ao sol, pessoas sem acesso a refrigeração são os primeiros a morrerem –, em minutos.


Este limite é medido pela temperatura de bulbo úmido – um indicador que combina calor e umidade para medir a real capacidade do corpo de se resfriar. O patamar de 35°C de bulbo úmido é considerado o limite teórico de sobrevivência humana em exposição prolongada. Acima disso, a morte é praticamente inevitável, mesmo para pessoas saudáveis, mesmo à sombra, mesmo com água.


O que os cientistas da NASA e do IPCC vêm alertando, com uma urgência que o político insiste em ignorar, é que esse limite já está sendo ultrapassado – e com frequência crescente.


Agora em 2026, um estudo publicado na Nature Communications revela uma verdade aterradora: condições de estresse térmico potencialmente fatais já estão ocorrendo em eventos climáticos atuais, todos eles abaixo do limiar de 35°C de bulbo úmido. Em outras palavras: o limite de sobrevivência é mais baixo do que se pensava. E o que se pensava já era muito assustador.


Tenho alertado há décadas, a partir das salas-de-aulas onde ministrei minhas aulas, sobre essa possibilidade: o planeta se tornar inabitável até o fim deste século como consequência direta da ação humana capitalista. Não como uma profecia apocalíptica, mas como uma constatação empírica – uma leitura racional sobre fenômenos naturais [ambientais] e os dados que a ciência produz e que o político enterra.


A pergunta que não quer calar é: o que o político brasileiro está fazendo para evitar que esse cenário se concretize num curto espaço de tempo?!


A resposta, nas eleições de 2026, é um silêncio ensurdecedor.


II. O ALERTA CLIMÁTICO EXTREMO – O QUE A CIÊNCIA DIZ

2.1. O que é a temperatura de bulbo úmido?

A temperatura de bulbo úmido é medida por um termômetro envolto em um pano úmido, exposto ao ar em movimento. Ela reflete a temperatura mais baixa que pode ser alcançada pela evaporação da água – ou, no caso do corpo humano, pelo suor.


Diferentemente da temperatura do ar, que pode ser tolerada em ambientes secos, a temperatura de bulbo úmido considera o efeito combinado de calor e umidade sobre a capacidade de termorregulação do corpo. Em um ambiente com 50% de umidade, 35°C de bulbo úmido equivalem a uma sensação térmica de 71°C. Acima disso, o corpo humano não consegue mais dissipar calor. É a nossa MORTE!!


2.2. O limiar da morte

Os cientistas costumam tratar o patamar de 35°C de bulbo úmido como um limite extremo de sobrevivência em exposição prolongada. Acima disso, o corpo humano não consegue mais dissipar calor. A temperatura central sobe rapidamente. Em até seis horas de exposição, a temperatura corporal atinge 42°C – o ponto a partir do qual as proteínas do corpo começam a se desnaturar, os órgãos entram em falência e a morte se torna inevitável.


Mas, como o estudo agora de 2026 demonstra, o limiar real é mais baixo. Em ondas de calor recentes, condições fatais foram registradas com temperaturas de bulbo úmido muito abaixo de 35°C. Para populações vulneráveis – idosos, crianças, trabalhadores expostos ao sol, pessoas sem acesso a refrigeração são os primeiros a morrerem – o risco já é real e presente.


2.3. O que a NASA prevê

A NASA, com base em dados de satélite e modelos climáticos, monitora regiões onde a combinação de altas temperaturas e umidade pode ultrapassar limites perigosos para a saúde.


O Brasil, ao lado de outras regiões, é apontado como uma área potencialmente vulnerável ao aumento da temperatura de bulbo úmido. Modelos climáticos indicam que certas regiões do país – incluindo áreas da Amazônia – podem exceder o limiar de 35°C por volta de 2070. Ou bem antes!! Em menos de 40 anos!!


Em Marabá [PA], nossa vizinha, a temperatura de bulbo úmido já chegou a 33,6°C. A 1,4°C do limite teórico de sobrevivência. A 1,4°C de um ponto sem retorno. É sinal vermelho!!


III. O SILÊNCIO CINÉREO – A AUSÊNCIA DO CLIMA NA AGENDA ELEITORAL DE 2026

3.1. O diagnóstico: um vazio ensurdecedor

As eleições de 2026 no Brasil ocorrem em um momento em que eventos climáticos extremos se sucedem com frequência e intensidade crescentes. Um ciclone-bomba já atingiu mais de dez estados. Incêndios florestais de grandes proporções têm assolado o Brasil, o Canadá, EEUU, e a Europa. Chuvas e enchentes têm devastado o Sul do Brasil, assim como devastado países pelo planeta a fora. Secas históricas já foram registradas na Amazônia. Ondas de calor se tornam cada vez mais frequentes...


Os dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais [Cemaden] apontam um aumento contínuo das ondas de calor nas últimas quatro décadas, com intensificação em todos os estados brasileiros desde o início dos anos 2000.


E, no entanto, o tema climático está ausente dos planos de governo – nos três níveis executivos e nos três níveis legislativos. Não aparece como prioridade. Não aparece como urgência. Não aparece como o que ele é: uma questão de sobrevivência nacional.


3.2. A sociedade civil tenta, mas os candidatos ignoram

Há iniciativas da sociedade civil para colocar o clima na agenda eleitoral. Organizações ambientalistas reuniram propostas para inspirar a agenda política dos candidatos à Presidência. O Observatório do Clima lançou um plano sobre clima e meio ambiente para as eleições de 2026. Especialistas apontam a necessidade de planejamento e políticas públicas voltadas à nova realidade global. Partes dessas iniciativas aparem incluídas no Plano/Programa de Governo de LULA 2027-2030, mas não é pauta no discurso/debate de campanha eleitoral dos candidatos. Tudo ignorado!!


Infelizmente, essas iniciativas não se traduzem em prioridade eleitoral. Os candidatos não estão ouvindo. Os partidos não estão incorporando. O tema climático permanece na periferia do debate – quando não é ativamente ignorado.


IV. AS RAZÕES PARA A OMISSÃO – POR QUE O POLÍTICO BRASILEIRO FINGE QUE O CLIMA NÃO EXISTE

4.1. Curto prazo eleitoral

O ciclo político brasileiro é de 4 anos. O horizonte climático é de décadas. Essa incompatibilidade temporal é a primeira e mais óbvia razão para a omissão.


O político que se preocupa por 4 anos com a reeleição não pode se dar ao luxo de pensar em 2070. Ele precisa de resultados imediatos. Promessas de curto prazo. Obras que sejam inauguradas antes da próxima eleição. A crise climática, com sua temporalidade dilatada, não se encaixa nesse calendário temporal de 4 anos.


4.2. O poder do agronegócio

O agronegócio é uma das forças políticas mais poderosas no Brasil. Ele financia campanhas, elege bancadas, pauta o Congresso em benefício de seus interesses privados. E o agronegócio, em sua maioria, vê a pauta climática como uma ameaça – não como uma oportunidade.


As metas de desmatamento zero, a redução de emissões, a transição para uma agricultura de baixo carbono – tudo isso é percebido como entrave/inimigo, não como direção. O candidato que abraça a pauta climática arrisca perder o apoio do setor que financia a maior parte das campanhas e suas bancadas eleitas.


4.3. A captura do Estado

O Estado brasileiro foi capturado por interesses que se beneficiam do status quo – da exploração predatória dos recursos naturais, da queima de combustíveis fósseis, do desmatamento. Os órgãos ambientais foram e são mantidos esvaziados. A fiscalização foi e é mantida enfraquecida. As políticas públicas foram e são mantidas desmontadas.


Essa captura não é acidental. É o resultado de décadas de atuação de setores que veem na destruição ambiental uma oportunidade de acumulação de riquezas. E que, por isso, atuam ativamente para manter o tema climático fora da agenda política do político e do estado.


4.4. A ideologia negacionista

O negacionismo climático, embora tenha perdido força entre os cientistas, ainda é hegemônico em certos setores políticos e midiáticos. O discurso de que "o aquecimento global é uma farsa", de que "as mudanças climáticas são naturais", de que "não há o que fazer" – esse discurso ainda encontra eco em parcelas significativas do eleitorado.


E, para muitos políticos, é mais fácil negar a crise do que enfrentá-la. Negar exige apenas retórica. Enfrentar exige ação, recursos, mudanças estruturais – e, acima de tudo, coragem política.


4.5. O silêncio do legislativo

O Congresso Nacional, dominado por setores conservadores, extremistas de direita, negacionistas, não pauta a crise climática como prioridade. As comissões de meio ambiente são esvaziadas/sabotadas. Os projetos de lei que tratam do tema são engavetados. Os debates são sufocados.


Há, é claro, iniciativas pontuais – como as propostas analisadas pelo Senado no Dia Mundial do Meio Ambiente. Mas são exceções que confirmam a regra. A regra é o silêncio. A regra é a omissão.


V. A EDUCAÇÃO E A INDÚSTRIA CULTURAL – A FÁBRICA DA ALIENAÇÃO

A crise climática não é apenas um problema físico. É um problema de consciência. E a consciência, no capitalismo, é moldada por duas forças poderosas: a educação e a indústria cultural.


5.1. A educação que não educa

O novo Plano Nacional de Educação [PNE] para o decênio 2026-2036, instituído pela Lei nº 15.388/2026, estabelece 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias. Entre elas, há menção à educação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.


Mas a questão não é se o PNE menciona o clima. É se a escola brasileira, na prática, forma cidadãos capazes de compreender e enfrentar a crise climática que emerge drástica e mortalmente.


A resposta é: não.


A escola brasileira, cada vez mais, é uma máquina de adestramento, não de formação. O currículo é engessado. O professor é desvalorizado. O pensamento crítico é sufocado. O aluno não aprende a distinguir o verdadeiro do falso, o fato da opinião, o dado científico da fake news.


E, nesse contexto, a crise climática – que exige pensamento sistêmico, visão de longo prazo, capacidade de questionar o status quo – torna-se um tema incompreensível para a maioria. Não porque seja complexo, mas porque a escola não ensina a complexidade.


5.2. A indústria cultural e a alienação

A indústria cultural, nas mãos do capital, opera como um mecanismo de sabotagem e alienação. O entretenimento – o futebol, o reality show, o blockbuster/sucesso de bilheteria – é a droga que mantém a população distraída enquanto o mundo queima.


As redes sociais, com seus algoritmos que premiam o engajamento e não a verdade, são o esgoto a céu aberto onde a desinformação prolifera. O negacionismo climático encontra ali um terreno fértil. As fake News/notícias falsas sobre o clima circulam mais rápido do que os fatos. O senso de urgência é dissipado. A ação é paralisada.


5.3. A política linguística e o controle

A linguagem é um instrumento de poder. E o poder, no capitalismo, usa a linguagem para controlar – para definir o que pode ser dito, o que pode ser pensado, o que pode ser feito.


O discurso hegemônico sobre o clima é um discurso de desresponsabilização: "o aquecimento global é natural", "não há o que fazer", "a tecnologia vai salvar". Esse discurso é a linguagem da inércia. E a inércia, no contexto da crise climática, é a linguagem da morte certa.


VI. PROPOSIÇÕES – O QUE AINDA PODE SER FEITO

6.1. Educação para a emergência

É urgente uma reforma pedagógica radical que coloque a crise climática no centro do currículo – não como um "tema transversal", mas como eixo estruturante de toda a formação.


Os alunos precisam aprender, desde cedo, a pensar sistemicamente – a compreender as interconexões entre economia, sociedade e meio ambiente. Precisam aprender a questionar o status quo – a entender que o capitalismo, em sua forma atual, é incompatível com a continuidade da vida no planeta. Precisam aprender a agir – a se organizar, a resistir, a construir alternativas.


6.2. Políticas públicas com horizonte climático

Os planos de governo, em todos os níveis, precisam incorporar a crise climática como prioridade – não como uma nota de rodapé, mas como eixo central.


Isso significa:

i. Metas de desmatamento zero com fiscalização efetiva;

ii. Transição energética com abandono dos combustíveis fósseis;

iii. Adaptação climática com planejamento urbano, infraestrutura resiliente e proteção das populações vulneráveis;

iv. Financiamento público para pesquisa, inovação e tecnologias limpas.


6.3. Democracia participativa e controle social

O Conselho das Cidades/ConCidades, o Conselho Nacional de Meio Ambiente, os Fóruns de Educação, de Participação Popular – todos esses espaços precisam ser fortalecidos e ocupados pela sociedade civil.


A crise climática não pode ser decidida nos gabinetes. Ela precisa ser debatida nas ruas, nas praças, nas escolas, nas IES/Instituições de Ensino Superior, nas academias..., nas igrejas, nas associações, nos sindicatos, nos meios de comunicação. O povo precisa saber o que está em jogo: a interrupção e/ou a continuidade da vida neste Planeta. E, sabendo, precisa exigir ação rápida/urgente!!


6.4. Combate à desinformação

É preciso uma campanha nacional contra a desinformação climática – com investimento em educação midiática, em jornalismo científico, em comunicação popular.


As redes sociais precisam ser reguladas. Os algoritmos que amplificam a desinformação precisam ser confrontados. A verdade – a verdade da ciência, a verdade dos dados, a verdade do território, a verdade dos saberes ancestrais – precisa ser defendida como um bem público essencial.


6.5. Rompimento com o capitalismo extrativista

A crise climática é, em sua essência, uma crise do capitalismo. O capitalismo, em sua lógica de acumulação infinita, é incompatível com um planeta finito.


Não há solução climática dentro do capitalismo. Há apenas paliativos – que atrasam o colapso, mas não o impedem de acontecer.


A alternativa é o Bem Viver – uma civilização baseada na harmonia com a natureza, na cooperação, na solidariedade, na justiça socioambiental. Uma civilização que não veja a natureza como mercadoria, mas como território de vida.


VII. EPÍLOGO – A ESCOLHA QUE NÃO PODE SER ADIADA

Tenho alertado, há décadas, que o planeta pode se tornar inabitável até o fim deste século como consequência da ação humana capitalista canibalesca. Antropofágica. Não é como uma profecia, mas como uma constatação empírica – uma leitura transdisciplinar total racional do mundo que a faço sobre a natureza, os dados que a ciência produz e que a política enterra.


Os dados estão aí. A ciência está aí. A crise está aí – não no futuro, mas no presente. Ondas de calor que matam. Secas que devastam. Enchentes que arrastam vidas. O limiar da sobrevivência – a temperatura de bulbo úmido – já está sendo ultrapassado em algumas regiões do planeta. E o Brasil, com sua Amazônia desflorestada, seu Cerrado arrancado, sua costa, é um dos territórios mais vulneráveis.


E, no entanto, o político brasileiro – nas eleições de 2026 – finge que o clima não existe. Finge que a crise não é urgente. Finge que o futuro não está em jogo. Quando abordado sobre, nega!!


Essa omissão não é inocente. É criminosa. É a omissão de quem prefere o lucro de hoje à vida de amanhã. É a omissão de quem aposta que o colapso virá depois da sua morte – e, portanto, não é problema seu. É de quem fica!!


Mas o colapso não espera. A temperatura de bulbo úmido não espera. A morte, quando chega, não avisa.


A escolha é simples: continuar no rumo da destruição, ou mudar de rumo.


O capitalismo escolheu a destruição. Cabe a nós – professores, intelectuais, cidadãos – escolher a vida.


— Porque a minha pátria é a Terra, e a minha pátria será viva ou será morta. Mas eu escolho viva.


Pesquisas, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos textos:


_∞ Por Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

_∞ Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

_∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

_∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

_∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

_∞ Diretor-Presidente e Fundador da Fundação Brasil de Fomento à Educação Ambiental e Humanística – F.B.FEAH

_∞ Membro do Fórum Municipal de Educação – Imperatriz/MA

_∞ Membro do Conselho Gestor do Parque Natural Municipal Arara Azul – Imperatriz/MA

_∞ Membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável de São Miguel do Tocantins/TO

_∞ Membro do Conselho das Cidades [ConCidades] de Imperatriz, e do Estado do Maranhão

_∞ Imperatriz [MA] / São Miguel do Tocantins [TO] – Grafado nos dias entre junho a 26 de agosto de 2026


FONTES CONSULTADAS

i. Nature Communications – "Deadly heat stress conditions are already occurring" [2026] – https://link.springer.com/article/10.1038/s41467-026-70485-1[reference:31]

ii. Revista Oeste – "NASA revela quais regiões correm maior risco de se tornarem inabitáveis até 2050" [2026] – https://revistaoeste.com/oestegeral/2026/06/24/nasa-revela-quais-regioes-correm-maior-risco-de-se-tornarem-inabitaveis-ate-2050/[reference:32]

iii. Estadão – "Nasa prevê que Brasil ficará inabitável? Não é isso que diz o estudo; entenda" – https://www.estadao.com.br/ciencia/brasil-inabitavel-clima-nasa-aquecimento-global-nprm/[reference:33]

iv. Gov.br – Plano Nacional de Educação [PNE] 2026-2036 – https://www.gov.br/mec/pt-br/pne[reference:34]

v. Fundação Ulysses – "Eleições colocam em debate propostas dos candidatos para a crise climática" [2026] – https://fundacaoulysses.org.br/eleicoes-colocam-em-debate-propostas-dos-candidatos-para-a-crise-climatica/[reference:35]



Contatos:

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política... _∞ Muy Gracias por leernos

O BRASIL DIANTE DO FARISAÍSMO

 

FARISAÍSMO — ONTEM É HOJE: O CRISTO CONDENADO E O BRASIL DIANTE DO FARISAÍSMO MODERNO

Análise Crítico-Comparativa: Da Cruz ao Voto — A Eterna Escolha entre Barrabás e a Verdade

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – em diálogo e comunhão holística transdisciplinar com o/a leitor/a

 

 

1. O PARALELO QUE A HISTÓRIA NÃO QUER REPETIR, MAS REPETE

Há momentos na história em que a humanidade é colocada diante de uma escolha que revela sua alma. Um desses momentos foi narrado nos Evangelhos: a multidão, instigada pelos sacerdotes e anciãos, preferiu Barrabás — o criminoso, o miliciano da época — a Jesus — o justo, o profeta, o amoroso libertador...

 

Ontem, como hoje, a escolha não foi entre dois projetos políticos. Foi entre a verdade e a mentira, entre a vida e a morte, entre a libertação pelo amor e a opressão pelo ódio. E, mais uma vez, a multidão — manipulada pelos que detêm o poder religioso e político — escolheu até agora o criminoso.

 

Esta análise traça o paralelo entre aquele momento e o Brasil de 2026. De um lado, Lula — o estadista, o libertador, o homem que tirou milhões da miséria e devolveu ao Brasil a soberania, a admiração mundial. Do outro, Flávio Bolsonaro — o herdeiro do necrobolsonarismo, o miliciano ungido por líderes evangélicos da prosperidade e do domínio, o candidato que representa a continuidade do projeto de morte do pai.

 

2. O CRISTO BÍBLICO-HISTÓRICO: ACUSADO, CONDENADO E EXECUTADO PELOS RELIGIOSOS E SEU SEGUIDORES

2.1. A acusação injusta

Jesus foi acusado de blasfêmia — por dizer que era o Filho de Deus. Foi acusado de subverter a nação — por ensinar um Reino de amor que não era deste mundo. Foi acusado de proibir o pagamento de impostos a César — uma mentira deslavada, pois ele disse “dai a César o que é de César”.

 

As acusações eram falsas. Os acusadores sabiam. Mas precisavam de um pretexto para matá-lo. A verdade não importava. O que importava era o poder.

 

2.2. A condenação pelos religiosos

Os fariseus e saduceus — as elites religiosas da época — viram em Jesus uma ameaça. Ele denunciava sua hipocrisia, sua corrupção, seu apego ao poder. Ele curava no sábado, comia com pecadores, perdoava prostitutas, chamava os pobres de bem-aventurados.

 

A elite religiosa não podia tolerar um profeta que contestasse sua autoridade. Por isso, conspirou contra ele. Por isso, pagou testemunhas falsas. Por isso, entregou-o aos romanos.

 

2.3. A multidão manipulada

A multidão que gritava “Hosana!” no Domingo de Ramos foi a mesma que gritou “Crucifica-o!” na Sexta-feira Santa. A multidão não pensou. A multidão foi “manipulada”.

 

Os sacerdotes instigaram o povo a pedir Barrabás. Prometeram vantagens, espalharam mentiras, exploraram o medo. E a multidão, anestesiada pela propaganda e pelo medo, escolheu o criminoso.

 

2.4. O silêncio de Pilatos

Pôncio Pilatos, o governador romano, sabia que Jesus era inocente. Sua esposa teve um sonho e o alertou. Ele tentou lavar as mãos, dizendo: “Estou inocente do sangue deste justo.”

 

Mas Pilatos não teve coragem de enfrentar a multidão. Não teve coragem de fazer justiça. Lavou as mãos, mas não se livrou da culpa. Entregou Jesus à morte para agradar a plebe e manter sua posição política.

 

3. O BRASIL DE 2026: O CRISTO REENCENADO NO CORPO DE LULA

3.1. Lula: o acusado injustamente

Lula, como Jesus, tem sido acusado injustamente. Foi preso por 580 dias sem provas. Foi condenado por um juiz suspeito. Foi impedido de disputar a eleição que venceria para deixar o caminho livre para o necrobolsonaro. Tem sido chamado diariamente de “ladrão” e “corrupto” por aqueles que nunca apresentaram uma prova sequer.

 

Lula, como Jesus, é condenado pelos poderosos — pela elite econômica, pela mídia hegemônica, pelos políticos corruptos que ele ameaça. É condenado por subverter a ordem — a ordem que mantinha os pobres na miséria, os ricos no poder, e o Brasil submisso aos EUA.

 

Lula, como Jesus, é absolvido pela história. Suas condenações são anuladas. Sua inocência é reconhecida. Sua vitória eleitoral é consagrada nas urnas.

 

3.2. Os fariseus modernos: as lideranças evangélicas da prosperidade e do domínio

Os fariseus modernos são os pastores da Teologia da Prosperidade e da Teologia do Domínio. Eles traíram o Evangelho de Cristo. Trocaram a cruz pela coroa. Trocaram a humildade pela riqueza. Trocaram a justiça pela prosperidade material.

 

Eles ungem Flávio Bolsonaro — o herdeiro do necrobolsonarismo, o miliciano, o corrupto, o réu por rachadinha, o beneficiário de R$ 8,5 milhões de Vorcaro — como se ele fosse um enviado de Deus.

 

Eles fazem o que os fariseus fizeram com Jesus: entregam o justo ao criminoso. Eles abençoam o miliciano e demonizam o estadista. Eles rezam pelo corrupto e amaldiçoam o inocente.

 

3.3. A multidão manipulada: os fiéis da dissonância cognitiva

A multidão que hoje grita “Flávio! Flávio!” É a mesma que, anestesiada pela dissonância cognitiva, não consegue admitir que foi enganada. Ela investiu fé, identidade, esperança e reputação no projeto necrobolsonarista. Admitir o erro será humilhante demais.

 

Por isso, ela reinterpreta a realidade:

         i.            A derrota eleitoral vira “fraude”;

        ii.            A prisão do líder vira “perseguição”;

      iii.            A corrupção comprovada vira “armação”;

      iv.            O miliciano vira “salvador”;

        v.            O corrupto vira “ungido”.

 

A multidão não escolheu Barrabás só porque é má. Escolheu porque foi “manipulada”. E a manipulação é feita com falas subliminares, com controle psicológico de manada, com a “promessa” de salvação.

 

3.4. O silêncio de Pilatos: a mídia hegemônica e as instituições

Os Pilatos modernos são a mídia hegemônica — especialmente a Rede Globo — e as instituições que se omitem.

 

Eles sabem que Flávio Bolsonaro é miliciano. Sabem que ele é corrupto. Sabem que ele representa o autoritarismo. Mortes!! Mas lavam as mãos:

         i.            Não confrontam Flávio com os fatos;

        ii.            Não questionam a origem miliciana do clã;

      iii.            Não cobram explicações sobre os projetos de lei que desmontam o Estado;

      iv.            Não denunciam a aliança entre o necrobolsonarismo e as igrejas da prosperidade e dominionismo.

 

A mídia lava as mãos. As instituições lavam as mãos. E o Brasil caminha para a crucificação da democracia.

 

4. AS SEMELHANÇAS HISTÓRICO-ANTROPOLÓGICAS E PSÍQUICO-SOCIOLÓGICAS

4.1. O sacrifício do justo

Em todas as culturas, o sacrifício do justo é um arquétipo recorrente. O justo é escolhido como bode expiatório para purificar a comunidade. Ele carrega os pecados de todos e é expulso, assassinado, morto, silenciado.

 

Lula, como Jesus, tem sido o bode expiatório do Brasil desde os anos 70 do século passado. É sacrificado para purificar a elite de suas culpas. Foi preso para salvar a Lava Jato. É demonizado para salvar o necrobolsonarismo.

 

4.2. A psicologia das massas

Gustave Le Bon, em Psicologia das Massas [1895], descreveu como as multidões são irracionais, emocionais e manipuláveis. Elas não pensam — sentem. Não analisam — seguem. Não duvidam — creem.

 

A multidão que escolheu Barrabás e a multidão que escolhe Flávio Bolsonaro são a mesma multidão: manipulada por líderes que exploram o medo, a esperança e a fé.

 

4.3. A dissonância cognitiva como mecanismo de defesa

Leon Festinger, em When Prophecy Fails / Quando a profecia falha [1956], demonstrou que, quando a realidade desmente uma crença profunda, o crente não abandona a crença — ele a reforça. Admitir o erro seria humilhante demais.

 

Os seguidores da família Bolsonaro estão presos nesse mecanismo:

         i.            A realidade desmente a crença [Flávio, assim como o pai, é corrupto];

        ii.            Mas eles reforçam a crença [Flávio, assim como o pai, é vítima de perseguição];

      iii.            E recrutam mais seguidores [para confirmar e reafirmar sua escolha].

 

A dissonância cognitiva é a prisão mental que mantém a manada unida no fundo da caverna.

 

5. AS SEMELHANÇAS POLÍTICO-RELIGIOSAS E METAFÍSICO-SUBLIMINARES

5.1. A fusão entre religião e política

Os fariseus do tempo de Jesus misturavam religião e política. Usavam a fé para manter o poder. Usavam o Templo para explorar o povo. Usavam a Lei para oprimir os pobres.

 

Os pastores da prosperidade e do domínio fazem o mesmo:

         i.            Usam a fé para enriquecer;

        ii.            Usam o púlpito para fazer política;

      iii.            Usam a Bíblia para justificar o autoritarismo;

      iv.            Usam o nome de Deus para abençoar o crime.

 

A fusão entre religião e política é a marca do farisaísmo — ontem e hoje.

5.2. A metafísica da fala: a manipulação subliminar

Os fariseus usavam parábolas e metáforas para manipular o povo. Jesus usava parábolas para esclarecer — eles usavam para confundir.

 

Flávio Bolsonaro, assim como o pai, usa falas subliminares para manipular a manada:

         i.            “O Brasil está sem presidente” — quando ele não reconhece a democracia;

        ii.            “Vou combater o crime” — quando ele é o crime;

      iii.            “Vou defender a família” — quando ele destrói famílias;

      iv.            “Deus está no comando” — quando ele quer o poder absoluto.

 

A metafísica da fala é a arma do fariseu. E Flávio Bolsonaro a domina como poucos.

 

5.3. O messianismo político

O necrobolsonarismo é um messianismo político. Flávio Bolsonaro, representando a figura do pai, não é um candidato — é um ungido. Não é um político — é um salvador. Não é um presidente — é um rei.

 

O messianismo político é a negação da democracia. Na democracia, o povo escolhe. No messianismo, o povo obedece. Na democracia, o líder serve. No messianismo, o líder reina.

 

O messianismo necrobolsonarista é a reencenação do farisaísmo: a transformação da fé em instrumento de poder.

 

6. A ESCOLHA DE HOJE: BARRABÁS OU CRISTO?

O Brasil está diante da mesma escolha que a multidão de Jerusalém:

         i.            Barrabás — o criminoso, o miliciano, o corrupto, o herdeiro do necrobolsonarismo;

        ii.            Cristo — o justo, o estadista, o libertador, o homem que tirou milhões da miséria.

 

A multidão de Jerusalém escolheu Barrabás. E crucificou Cristo.

 

O Brasil de 2026 pode escolher Flávio Bolsonaro. E crucificar Lula — não na cruz de madeira, mas na cruz da ingratidão, da mentira, da manipulação.

 

Mas há uma diferença: a multidão de Jerusalém não sabia o que fazia. O Brasil de 2026 sabe. Sabe que Flávio é miliciano. Sabe que é corrupto. Sabe que é o herdeiro do necrobolsonarismo. Sabe que os pastores que o ungem são fariseus da prosperidade.

 

A escolha é consciente. E a responsabilidade [criminosa] é de cada um.

 

7. FINALISANDO: A RESSURREIÇÃO DA VERDADE

Cristo foi crucificado. Mas ressuscitou. A verdade foi enterrada. Mas voltou à vida.

 

Lula foi preso. Mas voltou. Foi condenado. Mas foi absolvido. Foi crucificado pela mídia, pelos políticos, pelos fariseus da prosperidade. Mas ressuscitou nas urnas.

 

A verdade pode ser crucificada. Mas não pode ser morta.

 

O Brasil de 2026 está diante da escolha entre a cruz e a ressurreição. Entre Barrabás e Cristo. Entre Flávio e Lula.

 

Que o povo brasileiro não repita o erro de Jerusalém. Que não escolha Barrabás. Que não crucifique Cristo de novo.

 

Porque ontem é hoje. E a história julga os que escolhem o crime.

 

Temos até domingo, 25/10/2026. Depois, pode ser tarde demais.

 

— Porque a multidão que escolhe Barrabás não sabe que está escolhendo a própria morte. Mas a que escolhe Cristo escolhe a vida. E a vida vence a morte. Sempre.

 

#ProfessorNegreirosDeuzimarMenezes

Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA

Em diálogo holístico e transdisciplinar

Imperatriz [MA], 21 de outubro de 2026

 

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