domingo, 18 de outubro de 2026

As Raízes Memtais do Presente

 AS RAÍZES MENTAIS DO PRESENTEÍSMO POLÍTICO BRASILEIRO

Por que o povo brasileiro vota na direita e na extrema-direita?

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes — Num diálogo e comunhão holística transdisciplinar

 

 

1. A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Há uma pergunta que atravessa a história do Brasil e que, no entanto, raramente é formulada com a seriedade que merece: por que o povo brasileiro, majoritariamente pobre, trabalhador e explorado, vota em políticos que representam os interesses dos ricos, dos exploradores, dos que sempre estiveram do outro lado?

 

A resposta não está apenas na política. Está na antropologia, na sociologia, na psicologia, na história, na religião e na cultura. Está na forma como o brasileiro mentalmente vive o tempo, na forma mental como se relaciona com o poder, na forma como aprende [ou não aprende] a pensar criticamente.

 

Este ensaio busca compreender essa complexidade. Não para justificar o voto na extrema-direita — mas para entender suas raízes, e, a partir daí, transformar a realidade.

 

2. A DIMENSÃO PSICOLÓGICA: O TEMPO PRESENTE E A ANSIEDADE DO AGORA

2.1. O tempo psicológico e o tempo cronológico

Identifico desde os anos 80 do século passado um fenômeno fundamental: o povo brasileiro vive no tempo psicológico presente. Ele ignora o passado — não quer lembrar das ditaduras, das escravidões, das opressões. Da vida que viveu. E ignora o futuro — não planeja, não projeta, não sonha com o longo prazo.

 

O tempo psicológico é o tempo vivido, o tempo sentido. É diferente do tempo cronológico, que é o tempo medido pelo relógio, o tempo que passa independentemente da nossa vontade.

 

O brasileiro não sabe que vive o tempo cronológico. Ele não percebe que o passado está sempre presente — nas estruturas, nas desigualdades, nas mentalidades. Ele não vê que o futuro está sendo construído agora, a cada escolha, a cada voto.

 

2.2. A ansiedade do presente

Essa vivência mental no presente gera uma ansiedade profunda. O brasileiro busca satisfazer seus interesses imediatamente — mas a satisfação nunca chega. Porque as causas da insatisfação são estruturais, não conjunturais.

 

Ele busca realizar sua satisfação aqui e agora:

  1. Na religião — que promete o paraíso, mas não resolve a fome;
  2. Na economia — que promete prosperidade, mas concentra riqueza;
  3. No político — que promete salvação, mas serve ao capital onde concentra riqueza.

 

E o político que melhor explora essa ansiedade é o político de direita e de extrema-direita. Ele promete o aqui e agora: "Vou resolver seu problema hoje. Vou te dar “na palma da mão” o que você precisa agora." Ele não tem pudor em prometer o que nunca cumprirá. Porque sabe que o eleitor não cobrará — porque não lembra do que foi prometido, porque não planeja o futuro.

 

2.3. O messianismo político

O brasileiro busca um salvador. Alguém que resolva seus problemas sem que ele precise fazer nada. Alguém que faça por ele o que ele não sabe ou não pode fazer por si mesmo.

 

Esse messianismo é infantilizante. Ele retira do cidadão a responsabilidade sobre seu próprio destino. Ele transfere ao líder a tarefa de transformar a realidade. E o líder, claro, nunca cumpre a promessa — porque não pode, ou porque não quer.

 

O resultado: gerações inteiras esperando por um salvador que nunca chega. Enquanto isso, a vida passa, as oportunidades se perdem, a desigualdade se aprofunda. Se consolida. Eterniza.

 

3. A DIMENSÃO SOCIOLÓGICA: O CORONELISMO E O PATRIARCALISMO

3.1. O coronelismo

O coronelismo foi um sistema político que dominou o Brasil da República Velha [1889-1930]. Nele, o coronel — o grande proprietário de terras — controlava a vida política de sua região. Ele escolhia o candidato que o povo deveria votar. Ele mandava no voto do eleitor.

 

O coronelismo acabou formalmente. Mas suas estruturas permanecem. O "coronel" foi substituído pelo "rico" — o empresário, o fazendeiro, o dono da mídia, o líder religioso. Ele não manda mais no voto pela força como fazia o coronel. Ele manda pela influência, pela persuasão, pelo condicionamento.

 

O "rico" financia o candidato. O "rico" controla a mídia. O "rico" pauta o debate. O "rico" define quem é "confiável" e quem é "inimigo do povo". E o povo, sem consciência crítica, acredita que está escolhendo livremente — quando, na verdade, está apenas ratificando a escolha do "rico".

 

3.2. O patriarcalismo

O Brasil foi construído sobre uma estrutura patriarcal. O pai mandava na família. O senhor mandava nos escravos. O coronel mandava no povo. O presidente mandava na nação. Tudo uma questão cultural de mandar, e quem podia mandar, mandava.

 

Essa estrutura hierárquica e autoritária moldou a mentalidade brasileira. O povo aprendeu a obedecer. Aprendeu a respeitar a autoridade — mesmo quando ela é arbitrária, violenta, injusta.

 

O bolsonarismo reproduz essa estrutura. O líder é o pai — o "mito", o "salvador", o "capitão". Ele manda. Os filhos são os herdeiros — os príncipes que darão continuidade à dinastia. O povo é a família — que deve obedecer, agradecer, servir mansamente como gado.

 

3.3. A cultura da obediência

O brasileiro foi educado para obedecer. A escola ensina a obedecer. A igreja ensina a obedecer. A família ensina a obedecer. A mídia ensina a obedecer.

 

Quem obedece é bonzinho. Quem questiona é rebelde-comunista. Quem pensa é perigoso. Quem critica é inimigo. É esquerdista.

 

Essa cultura da obediência é o caldo de cultura do autoritarismo. Ela prepara o terreno para o messias que manda, para o líder que ordena, para o ditador que impõe.

 

4. A DIMENSÃO ANTROPOLÓGICA: A RELIGIÃO COMO ANESTÉSICO

4.1. A religiosidade brasileira

O Brasil é um país profundamente religioso. Segundo o Censo de 2022, 89,2% da população se declara religiosa. Desses, 83,4% são cristãos — 64,4% católicos e 22,2% evangélicos.

 

A religiosidade não é um problema em si. O problema é quando a religião é instrumentalizada para fins políticos e econômicos.

 

4.2. A Teologia da Prosperidade

A Teologia da Prosperidade — que domina as igrejas neopentecostais — ensina que:

  1. Deus quer que os fiéis sejam ricos;
  2. A pobreza é sinal de falta de fé;
  3. O dízimo é investimento — e quem não paga rouba de Deus;
  4. A bênção material é prova da eleição divina.

 

Essa teologia anestesia o fiel. Ele não questiona a desigualdade — porque acredita que a riqueza é bênção de Deus. Ele não luta por justiça social — porque acredita que a pobreza é falta de fé. Ele não se organiza politicamente — porque acredita que a transformação vem de Deus, não dos homens. Isso é FATO!!

 

4.3. A Teologia do Domínio

A Teologia do Domínio, escatológica — que cresce no Brasil — ensina que os cristãos têm o mandato divino de dominar todas as esferas da sociedade. O governo civil existe para implementar as leis de Deus. Se o governo não o faz, os cristãos devem tomá-lo para fazê-lo.

 

Essa teologia sacraliza o poder político de direita, extrema-direita, fascista. O líder não é apenas um presidente — é um ungido. Quem o critica não critica um político — critica a Deus. Quem o combate não combate um governo — combate a fé.

 

4.4. A fusão com o bolsonarismo

A fusão entre a religião e o bolsonarismo é estratégica:

  1. A igreja fornece base de massa obediente: volúvel e levável;
  2. O bolsonarismo fornece poder estatal;
  3. A igreja fornece legitimidade divina: a escatologia;
  4. O bolsonarismo fornece proteção jurídica.

 

O resultado: milhões de fiéis que votam em criminosos porque foram convencidos de que são enviados de Deus. Homens de Deus.

 

5. A DIMENSÃO POLÍTICA: A FÁBRICA DE ALIENAÇÃO

5.1. A educação que não educa

A escola brasileira não ensina a pensar. Ela ensina a obedecer. Ela ensina a decorar. Ela ensina a passar em uma prova, no vestibular. Ela não ensina a questionar, a duvidar, a criticar.

 

O resultado: uma população sem consciência crítica, dialética, sem capacidade de análise, sem ferramentas para ler e compreender o mundo.

 

5.2. A mídia que manipula

A grande mídia — especialmente a Rede Globo — manipula, distorce a informação. Ela esconde o que contraria seus interesses e de que ela representa patrimonial e financeiramente. Ela amplifica o que os favorecem. Ela constrói narrativas que condicionam a percepção da realidade.

 

O resultado: uma população desinformada, manipulada, alienada, condicionada a votar em quem a mídia diz que é "confiável".

 

5.3. A política que engana

Os políticos de direita, extrema-direita e fascista exploram a ansiedade do presente. Prometem em nome de Deus soluções mágicas. Oferecem salvação imediata. E o povo, desesperado pelo o aqui e agora, acredita.

 

O resultado: gerações inteiras votando em quem nunca cumpre o que promete — mas que sempre aparece com uma nova promessa na próxima eleição.

 

6. A DIMENSÃO HISTÓRICA: A HERANÇA DO COLONIALISMO

6.1. A colonização como matriz

O Brasil foi colonizado [e se mantém] sob a lógica da exploração, da extração, da subordinação. O colonizador mandava. O colonizado obedecia. O colonizador explorava. O colonizado produzia para o colonizador.

 

Essa lógica nunca foi superada. Ela apenas mudou de forma. O colonizador externo foi substituído pelo colonizador interno — o latifundiário, o empresário, o político corrupto. E o colonizado continua a obedecer, a produzir para o colonizador, a acreditar que o colonizador é seu salvador.

 

6.2. A escravidão como ferida aberta

O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão — em 1888. Mas a mentalidade escravocrata permanece. O senhor manda. O escravo obedece. O senhor explora. O escravo produz.

 

O bolsonarismo reproduz essa mentalidade. O líder é o senhor. O povo é o escravo. O senhor promete proteção. O escravo agradece. O senhor explora. O escravo não percebe.

 

7. POR FIM: A POSSIBILIDADE [REMOTA] DA TRANSFORMAÇÃO

O quadro que se desenha é sombrio. Mas não é definitivo. A história não acabou. O futuro ainda está em disputa.

 

A transformação exige:

1.      Educação crítica — que ensine a pensar, a duvidar, a questionar;

2.      Comunicação popular — que dispute o imaginário da população;

3.      Organização popular — que construa poder de baixo para cima;

4.      Consciência histórica — que faça o povo lembrar do passado para transformar o futuro;

5.      Esperança militante — que não se renda ao pessimismo, mas aja para mudar a realidade.

 

O povo brasileiro não é ignorante por natureza. É ignorante por condição. E a condição pode ser transformada.

 

— Porque a alienação não é o fim. É o começo da luta. E quem desperta não volta a dormir no fundo da caverna, da caixa.

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA

Em diálogo e comunhão holística transdisciplinar...

Imperatriz [MA], 9 a 18 de outubro de 2026

 

Contatos:
prof.negreiros@gmail.com
fundacaobrasileducacional@gmail.com
[99] 98154-0899 – WhatsApp

http://professornegreiros.blogspot.com.br/

sábado, 17 de outubro de 2026

A Cumplicidade da família Marinho/globo com flavio bolsonaro

 A ENTREVISTA DE FLÁVIO BOLSONARO E OS PROJETOS DE LEI DO PL PARA DESMONTAR O BRASIL

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes, rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA], em diálogo holístico e transdisciplinar... Imperatriz [MA], 16-17 de outubro de 2026

 

 

1. A FACHADA E O EDIFÍCIO

A entrevista de Flávio Bolsonaro no JN/Jornal Nacional, a Renato Lopresti, em 16 de outubro de 2026, foi um exercício de prestidigitação política. Enquanto o candidato falava em "combater o crime", "defender a família" e "modernizar o Estado", o edifício do desmonte já estava sendo construído nos bastidores — e os projetos de lei do PL, prontos para serem votados, são a planta baixa desse desmonte.

 

A entrevista foi a fachada. Os projetos são o edifício POR DENTRO. E o que eles revelam é um projeto de destruição do Estado brasileiro em sua capacidade de “proteger” os mais vulneráveis.

 

2. A ENTREVISTA: AS MENTIRAS E A POSTURA DA ENTREVISTADORA

A Metafísica da Inversão: O Espelho Invertido

2.1. Flávio Bolsonaro é um espelho invertido. Ele projeta no adversário tudo o que ele é:

 

O que Flávio diz do adversário: — “É corrupto”

— O que Flávio é: — É réu por rachadinha, recebeu R$ 8,5 milhões de Vorcaro

 

O que Flávio diz do adversário: — “É mentiroso”

— O que Flávio é: — Fabricou currículo, mentiu sobre monografia, mente sobre o pai, mente sobre si.

 

O que Flávio diz do adversário: — “É criminoso”

— O que Flávio é: — Miliciano. Tem origem miliciana, teve miliciano no gabinete

 

O que Flávio diz do adversário: — “É ditador”

— O que Flávio é: — Golpista. Autoritário/Ditador. Quer mudar a Constituição, impor teocracia, censurar

 

O que Flávio diz do adversário: — “É inimigo da família”

— O que Flávio é: — Destruidor, com seu pai e irmãos, de famílias. Destrói famílias com políticas de austeridade. Destrói famílias moral e eticamente. Destrói financeiramente...

 

O que Flávio diz do adversário: — “É inimigo do Brasil”

— O que Flávio é: — Entreguista. Entrega o Brasil ao Trump/EEUU, destrói a economia, a saúde, a educação, o Estado brasileiro e seu povo junto

 

2.2. As mentiras e os fatos que as desmentem

 

O que Flávio diz: — "Vou combater o crime organizado"

— A verdade factual: — Sua família tem origem miliciana; seu ex-assessor Fabrício Queiroz e o miliciano Adriano da Nóbrega estavam ligados ao seu gabinete. Ele é o crime organizado. Vai combater ele próprio?!

 

O que Flávio diz: — "Não vou cortar direitos"

— A verdade factual: — Os projetos de leis do PL para 2027 extinguem órgãos que garantem direitos [INCRA, CONAB, FUNASA, DNOCS, CODEVASF].

 

O que Flávio diz: — "Vou modernizar o Estado"

— A verdade factual: — "Modernizar" é o eufemismo para desmontar o Estado social e transferir suas funções ao mercado. Ao setor privado.

 

O que Flávio diz: — "A esquerda quer destruir a família"

— A verdade factual: — Quem destrói famílias são as políticas de austeridade que ele defende: cortes em saúde, educação, assistência social.

 

O que Flávio diz: — "Vou governar para todos"

— A verdade factual: — Seus projetos beneficiam apenas o agronegócio, o capital financeiro e as elites. Esses são os todos.

 

O que Flávio diz: — "Não sou como meu pai"

— A verdade factual: — Ele é pior: herdou o método, aprimorou a retórica e tem o plano de governo pronto.

 

A inversão é a arma mais poderosa da extrema-direita. Ela confunde, desorienta, paralisa. Quem ouve Flávio sem análise crítica acredita que o inimigo é o outro — quando o inimigo é ele próprio.

 

2.3. A postura da entrevistadora: a cumplicidade cordial

Renato Lopresti, como tantos entrevistadores da grande mídia, adotou a postura da neutralidade falsa:

  1. Não confrontou Flávio com os fatos de seu histórico familiar;
  2. Não questionou a origem miliciana do clã;
  3. Não mencionou os projetos de lei do PL que estão prontos para votação em 2027;
  4. Não cobrou coerência entre o discurso e a prática;
  5. Permitiu que Flávio construísse sua narrativa sem contraditório.

 

A entrevista foi um monólogo disfarçado de diálogo. A entrevistadora foi cordial — e a cordialidade, diante de um candidato que representa o autoritarismo, é cumplicidade.

 

3. OS PROJETOS DE LEI DO PL: O DESMONTE DO ESTADO

Os oito projetos de lei listados são um programa de governo em forma de legislação. Eles não são propostas isoladas — são um conjunto coerente de destruição do Estado brasileiro.

 

3.1. PL 1001/2026 – Extinção do INCRA

— O que o INCRA faz: Democratiza o acesso à terra, promove a reforma agrária, faz a gestão fundiária e apoia a agricultura familiar. Impacta mais de 10 milhões de brasileiros.

— O que a extinção significa: A morte da reforma agrária. A terra fica nas mãos do agronegócio. Os conflitos fundiários se intensificam. Os trabalhadores rurais sem-terra perdem a única instituição que os protegia. A concentração de terra se aprofunda.

— Quem ganha: O agronegócio, os latifundiários, os grileiros.

— Quem perde: Os trabalhadores rurais, os assentados, a agricultura familiar, a soberania alimentar.

 

3.2. PL 1005/2026 – Extinção da CONAB

— O que a CONAB faz: Garante a segurança alimentar, equilibra o mercado agropecuário, apoia os produtores rurais, faz o abastecimento em regiões remotas.

— O que a extinção significa: A desorganização do abastecimento. Os preços dos alimentos ficam à mercê da especulação. As regiões mais pobres — Norte, Nordeste, áreas rurais — ficam sem acesso a alimentos básicos. A fome volta a assombrar o país.

— Quem ganha: Os grandes atacadistas, os especuladores, as multinacionais do agronegócio.

— Quem perde: Os consumidores, os pequenos produtores, os pobres.

 

3.3. PL 1007/2026 – Extinção do IPHAN

— O que o IPHAN faz: Protege o patrimônio histórico e artístico nacional, preserva a memória e a identidade cultural do Brasil.

— O que a extinção significa: A destruição da memória nacional. Os prédios históricos ficam abandonados. Os sítios arqueológicos são saqueados. As manifestações culturais tradicionais perdem proteção. A identidade brasileira é entregue ao esquecimento.

— Quem ganha: A especulação imobiliária, os saqueadores de patrimônio, os que lucram com a amnésia coletiva.

— Quem perde: A cultura brasileira, a memória dos povos, as gerações futuras.

 

3.4. PL 995/2026 – Extinção da EBC

— O que a EBC faz: Garante o direito à informação pública, sem depender da mídia comercial. Produz conteúdo educativo, cultural e informativo de interesse público.

— O que a extinção significa: O silenciamento da comunicação pública. O Brasil fica sem uma emissora estatal que contraponha a narrativa da mídia hegemônica. A informação fica monopolizada pelas empresas privadas — que, como a Globo, servem aos interesses do capital. A democracia perde um de seus pilares: o direito à informação plural.

— Quem ganha: A mídia hegemônica, as empresas de comunicação, os que lucram com o monopólio da informação.

— Quem perde: A sociedade, que perde o acesso a uma informação não-mercantilizada.

 

3.5. PL 1014/2026 – Extinção da FUNASA

— O que a FUNASA faz: Promove a saúde pública e o saneamento básico nos municípios com até 50 mil habitantes — onde vivem 88% da população brasileira que mais precisa desses recursos.

— O que a extinção significa: O abandono da saúde rural. Os municípios pequenos ficam sem saneamento, sem água potável, sem controle de endemias. As doenças se proliferam. A mortalidade infantil aumenta. A expectativa de vida cai.

— Quem ganha: As empreiteiras que privatizam o saneamento, as empresas de saúde privada.

— Quem perde: Os pobres do campo, as crianças, os idosos, as populações ribeirinhas.

 

3.6. PL 994/2026 – Extinção da ANCINE

— O que a ANCINE faz: Fomenta, regula e fiscaliza a produção audiovisual no Brasil. Impulsiona uma cadeia produtiva que gera centenas de milhares de empregos e movimenta 0,5% do PIB.

— O que a extinção significa: A morte do cinema brasileiro. As produções nacionais ficam sem apoio. Os empregos são destruídos. A cultura brasileira perde sua voz no audiovisual. O Brasil se torna um mero consumidor de conteúdo estrangeiro — especialmente americano.

— Quem ganha: As distribuidoras estrangeiras, as plataformas de streaming, o imperialismo cultural.

— Quem perde: Os artistas brasileiros, os técnicos, os produtores, a cultura nacional.

 

3.7. PL 1002/2026 – Extinção do DNOCS

— O que o DNOCS faz: É a instituição federal mais antiga com atuação contínua no Nordeste. Constrói barragens, açudes e poços para garantir o abastecimento de água no semiárido.

— O que a extinção significa: A morte da luta contra a seca. O semiárido fica sem infraestrutura hídrica. As famílias que dependem dos açudes ficam sem água. A seca — que já é uma realidade — se torna calamidade.

— Quem ganha: Os que lucram com a indústria da seca, os caminhões-pipa, as empresas de perfuração privada.

— Quem perde: Os sertanejos, os agricultores familiares, os pobres do Nordeste.

 

3.8. PL 1015/2026 – Extinção da CODEVASF

— O que a CODEVASF faz: É responsável pela implantação e gestão do Projeto de Integração do Rio São Francisco — a maior obra hídrica do país — e fomenta polos de agricultura irrigada e abastecimento em regiões vulneráveis.

— O que a extinção significa: O abandono do São Francisco. A transposição — que já é polêmica — fica sem gestão. Os perímetros irrigados são abandonados. As regiões que dependem da água do Velho Chico ficam sem alternativa. A seca se alastra.

— Quem ganha: O agronegócio que controla a água, as empresas de irrigação privada.

— Quem perde: Os ribeirinhos, os agricultores familiares, os estados do Nordeste.

 

FONTE:

https://www.camara.leg.br/busca-portal?contextoBusca=BuscaProposicoes&pagina=5&order=relevancia&abaEspecifica=true&filtros=%5B%7B%22ano%22%3A%222026%22%7D,%7B%22autores.siglaPartido%22%3A%22PL%22%7D%5D&tipos=PL

 

4. A LÓGICA DO DESMONTE

Os oito projetos não são aleatórios. Eles seguem uma lógica clara e perversa, vingativa:

1.      Destruir as instituições que protegem os vulneráveis [INCRA, FUNASA, DNOCS, CODEVASF, CONAB];

2.      Destruir as instituições que preservam a memória e a cultura [IPHAN, ANCINE, EBC];

3.      Transferir as funções dessas instituições para o mercado — onde o lucro, não o direito, é o critério;

4.      Concentrar ainda mais riqueza nas mãos do agronegócio, do capital financeiro e das elites;

5.      Silenciar as vozes dissidentes — eliminando a comunicação pública [EBC] e a cultura nacional [ANCINE].

 

É o desmonte do Estado brasileiro em sua capacidade de proteger os mais pobres.

 

A inversão: Flávio diz que a esquerda quer destruir o Brasil. Mas ele é o destruidor. Ele e seu clã. Ele e seu projeto de poder ressentido. A rejeição causa raiva, a raiva o ódio. E com a raiva odiosa vem a necessidade de vingança. A vingança do clã Bolsonaro contra as minorias vulneráveis.

 

5. A URGÊNCIA

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, será a maior bancada da Câmara em 2027. Se Flávio for eleito, esses projetos serão votados sem resistência. O desmonte será rápido, profundo e irreversível.

 

A eleição de 2026 não é uma disputa entre candidatos. É uma disputa entre dois projetos de Brasil:

  1. O projeto do PL/Flávio Bolsonaro: Um Estado mínimo, que não protege ninguém, que entrega tudo ao mercado, que concentra riqueza, que destrói a memória e a cultura, que abandona os pobres à própria sorte.

 

  1. O projeto de Lula e da esquerda: Um Estado que protege, que inclui, que distribui, que preserva a memória, que valoriza a cultura, que cuida dos vulneráveis.

 

A escolha é clara. E o momento é agora.

 

6. À GUISA DE LAIA: A URGÊNCIA DA DESCONSTRUÇÃO

A entrevista de Flávio Bolsonaro foi fachada. Os projetos de lei do PL são a realidade. E a realidade é aterradora.

 

Enquanto Flávio fala em "combater o crime" e "defender a família", seus projetos desmontam as instituições que garantem a dignidade das famílias brasileiras. Enquanto ele promete "modernizar o Estado", seus projetos destroem o Estado que protege os pobres.

 

Não se deixe enganar pela fachada. Veja o edifício por entro. E resista.

 

— Porque o desmonte não começa com tanques nas ruas. Começa com projetos de lei que parecem técnicos, mas que destroem a vida de milhões. E quando você perceber, já não haverá Estado para te proteger.

 

Professor Negreiros, Deuzimar Menezes

Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA

Em diálogo holístico e transdisciplinar...

Imperatriz [MA], 16-17 de outubro de 2026

 

Contatos:
prof.negreiros@gmail.com
fundacaobrasileducacional@gmail.com
http://professornegreiros.blogspot.com.br/

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