A metafísica da negação de F. Bolsonaro
ANÁLISE METAFÍSICA E CRÍTICO-DENUNCIATÓRIA DO
PLANO DE GOVERNO E DA COMUNICAÇÃO SUBLIMINAR DE F. BOLSONARO
“...a palavra que não diz é tão violenta quanto a
palavra que mata. E a metáfora que oculta é tão perigosa quanto a bala que voa”.
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Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes, –
Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA] Pesquisador. Consultor-Analista
e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente
e Política, em um diálogo holístico e transdisciplinar com...
I. PRELÚDIO: A METAFÍSICA DO SILÊNCIO E DA
PALAVRA
Há uma metafísica operando na comunicação de Flávio Bolsonaro. Não é a
metafísica dos filósofos — do ser enquanto ser, da substância, da causalidade.
É uma metafísica da ocultação — uma engenharia da linguagem
que constrói mundos paralelos, que diz sem dizer, que nega enquanto afirma, que
promete o paraíso enquanto prepara o inferno.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro tem 76 páginas. Nove
eixos. Um título: “Para o Brasil Vencer o Atraso”. Mas o que o
documento não diz é tão revelador quanto o que diz. E o que
Flávio fala nos últimos dez dias de campanha — nas
motocarreatas, nas lives, nos vídeos — revela a metafísica subliminar que
sustenta seu projeto.
Esta análise disseca essa metafísica: o que Flávio diz, o
que oculta, e o que revela sem perceber.
II. A METAFÍSICA DO SILÊNCIO: O QUE O PLANO NÃO
DIZ
2.1. A ausência das palavras proibidas
O plano de governo de Flávio Bolsonaro não menciona os
termos “mudança climática” nem “aquecimento global”. Nenhuma vez.
Zero.
Em um documento de 76 páginas que trata de economia, segurança, saúde,
educação, meio ambiente — a crise climática, que ameaça a própria existência do
país, simplesmente não existe.
Essa ausência não é um esquecimento. É uma metafísica da negação.
Ao não nomear, Flávio nega a existência do fenômeno. É o mesmo
gesto de seu pai, que chamou a pandemia de “gripezinha”. É a estratégia do
avestruz metafísico: se eu não vejo, não existe.
2.2. A relativização do aquecimento global
Quando obrigado a falar sobre o tema, Flávio classifica
o aquecimento global como “eventos extremos e cíclicos”. A palavra
“cíclico” é uma metáfora metafísica: sugere que o que está
acontecendo é natural, inevitável, parte de um ciclo —
e, portanto, não é da responsabilidade humana.
Essa metáfora exime o capitalismo de culpa. Exime o
agronegócio. Exime a indústria. Exime o próprio Flávio. O planeta queima porque
sempre queimou. Não há culpa. Não há responsabilidade. Não há urgência.
2.3. A promessa do “tesouraço”
Flávio promete um “tesouraço” nos gastos públicos.
Cortar dez ministérios. Reduzir cargos comissionados. Combater “penduricalhos” e
supersalários.
A metáfora é cirúrgica — mas a cirurgia é amputação.
“Tesouraço” não é corte racional; é violência. É a metáfora do corte
bruto, sem anestesia, sem cuidado. O que será cortado? O plano não diz com
precisão.
O economista Fabio Giambiagi, do Estadão, foi direto: “O
‘júnior’ escreveu que adotará um ‘tesouraço’, o que demonstra que não sabe do
que está falando, por ignorar as restrições fiscais que enfrentará”. A
metáfora é vazia — promete muito, especifica pouco, esconde a
realidade.
III. A METAFÍSICA DA PALAVRA: O QUE FLÁVIO DIZ
E O QUE REVELA
3.1. “Quero libertar o povo brasileiro”
Ao votar, em 4 de outubro, Flávio declarou: “Quero libertar o
povo brasileiro”.
A metáfora da libertação é poderosíssima. Mas libertação
de quê? Do governo? Da pobreza? Da “perseguição política”? Da sua milícia?
Do CV/PCC? ... De quem mesmo?!
A resposta, em parte, está no que ele diz na sequência: “No meu
mandato, vou me basear em que menos brasileiros dependam do governo para ter o
que comer”.
A metáfora revela a metafísica neoliberal: liberdade
= ausência de Estado. O povo não precisa de políticas públicas; precisa de empreendedorismo.
Não precisa de salário mínimo; precisa de flexibilidade. Não precisa de
SUS; precisa de plano de saúde privado. Não precisa de educação
escolar; precisa ser abandonado à sua própria sorte miserável!!
A “libertação” de Flávio é a libertação do mercado. É
a servidão voluntária à lógica do capital.
3.2. “A mão de Deus”
No discurso da convenção do PL em Santa Catarina, Flávio afirmou: “Tudo
que está acontecendo nos últimos tempos, gente, tem em cada detalhe, tem a mão
de Deus agindo. Tem a mão de Deus confundindo os nossos inimigos. Tem a mão de
Deus expondo a corrupção. Tem a mão de Deus mostrando qual o caminho que o
Brasil tem que seguir”.
Aqui, a metafísica se torna teologia. E a teologia se
torna política.
Deus não é apenas uma crença privada — é um agente
político. Ele confunde inimigos. Ele expõe corrupção.
Ele mostra o caminho. E o caminho que ele mostra é Flávio
Bolsonaro.
Essa é a teologia do domínio [dominionismo
escatológico] em ação. Não é uma fé que busca a salvação individual; é
uma fé que busca o poder político. Não é uma religião de amor; é
uma religião de guerra “espiritual”.
3.3. “Guerra espiritual gigantesca”
Flávio também disse: “É muito ataque. É uma guerra espiritual
gigantesca”.
A metáfora da guerra espiritual é central na Teologia do
Domínio [dominionismo escatológico]. Ela transforma adversários políticos
em inimigos de Deus. Transforma críticas em ataques demoníacos.
Transforma eleições em batalhas cósmicas entre
o bem e o mal.
Quem está do outro lado? Os “comunistas”. Os “petistas”. Os “esquerdalhas”.
Os “ministros do STF”. Os “inimigos de Deus”.
E, em uma guerra espiritual, não há diálogo. Só há combate.
Só há vitória ou morte.
3.4. “Amém. Em nome de Jesus”
Flávio encerra seu discurso com “Amém. Em nome de Jesus”.
Essa é a metafísica da bênção. Ao invocar Jesus,
Flávio sacraliza sua candidatura. Transforma um ato político
em ato religioso. Transforma um voto em ato de fé.
Quem não vota em Flávio não está apenas discordando
politicamente — está pecando contra Deus.
Escatologicamente deve ser punido e morto pela ira de Deus-Flávio Bolsonaro.
IV. A METAFÍSICA DO ÓDIO: O QUE FLÁVIO ATACA E
O QUE ELE REVELA
4.1. O ataque ao STF
Flávio afirmou que o STF precisa “deixar de ser uma delegacia de
polícia” e que ministros atuam como “agentes políticos do
Lula”.
A metáfora da delegacia é reveladora. Sugere que o STF persegue
em vez de julgar. Que prende em vez de garantir
direitos. Que serve ao governo em vez de servir à
Constituição.
Flávio inverte criminosamente os papéis: quem tenta golpe [seu
pai] se torna vítima. Quem defende a democracia [Moraes,
Dino] se torna perseguidor. Eles deve ser punido!!
Essa é a metafísica da vitimização. O agressor se apresenta como vítima.
O algoz se apresenta como mártir.
4.2. A promessa de “reforma” do STF
O plano de governo de Flávio propõe uma reforma do Judiciário que
inclui:
- Fim das
competências criminais originárias do STF
- Privilégio de
decisões colegiadas
- Presunção de
constitucionalidade do processo legislativo
- Quarentena de
um ano para ministros de Estado indicados ao STF
A metáfora é “reduzir a concentração de poderes no Supremo”.
Mas o que isso significa na prática?
Significa impedir que o STF investigue e puna políticos
corruptos/criminosos poderosos. Significa blindar Bolsonaro
e seus aliados. Significa capturar o Judiciário para o projeto
de poder monárquico da familícia Bolsonaro.
A “reforma” não é democratização — é golpe
institucional.
4.3. A acusação de “aparelhamento”
Flávio acusou o PT de “aparelhar instituições” e de colocar parte
da Polícia Federal para “perseguir adversários políticos”, sem apresentar
provas.
A metáfora do aparelhamento é uma projeção. É
exatamente o que o bolsonarismo faz — nomear aliados, perseguir
inimigos, usar o Estado como instrumento de poder. Flávio acusa o outro
daquilo que ele próprio pratica.
Essa é a metafísica da projeção: o que o agressor não
suporta ver em si mesmo, ele projeta no “inimigo”.
V. A METAFÍSICA DA COMUNICAÇÃO: A TV CELULAR E
O CONTROLE DAS MENTES
5.1. A “TV Celular Flávio Bolsonaro”
Em setembro de 2026, Flávio relançou seu canal no YouTube, rebatizado
de “TV Celular Flávio Bolsonaro”, prometendo programação 24
horas.
A metáfora é “ser um canal de notícias”. Mas o que a TV
Celular veicula? Propaganda eleitoral disfarçada de informação.
Conteúdo produzido por aliados. Entrevistas com apoiadores. Críticas a Moraes e
Dino.
A TV Celular é a máquina de desinformação da
campanha. Ela não informa — forma. Não debate — doutrina.
Não comunica — controla.
5.2. A mensagem subliminar no JN
Em agosto de 2026, durante a sabatina de Flávio no Jornal Nacional, foi
exibido um anúncio de evento da igreja do pastor Juanribe Pagliarin —
líder religioso que já declarou apoio a Jair Bolsonaro. A peça publicitária
terminava com a frase: “Apoio: Globo”.
A mensagem subliminar foi clara: a Globo apoia a igreja que
apoia Bolsonaro. A Globo negou — disse que era “referência comercial”. Mas
o efeito psicológico estava produzido: a associação inconsciente entre
Globo, igreja e Bolsonaro marcou a psique do telespectador.
Essa é a metafísica subliminar: dizer sem dizer. Associar
sem afirmar. Plantar no inconsciente uma ideia que a
consciência não percebe. E grafa/registra!!
VI. A METAFÍSICA DO CORPO: A ESTÉTICA DA
CAMPANHA
6.1. As motocarreatas
Flávio, como fez o pai, investiu em motocarreatas —
cortejos de motos, com bandeiras, buzinas, gritos.
A metáfora do corpo coletivo é central. A motocarreta cria uma experiência
sensorial de pertencimento. O som das motos, o vento no rosto, a adrenalina
da velocidade — tudo isso une os participantes em um corpo único,
um organismo político.
Não é um comício — é um ritual. Uma liturgia secular que
cria laços emocionais mais fortes que qualquer argumento racional.
6.2. O “voto de protesto”
Flávio pediu que seus apoiadores compareçam às urnas com um “voto
de protesto”.
A metáfora do protesto transforma o voto em ato
de rebeldia. Não é voto por convicção — é voto por raiva.
Não é voto por projeto — é voto por vingança.
O “voto de protesto” é o voto do ressentimento. É o voto de
quem não acredita em nada — e por isso vota em qualquer coisa,
desde que seja “contra o sistema”.
VII. A METAFÍSICA DA GUERRA: A CAMPANHA COMO
BATALHA ESPIRITUAL
7.1. “Homens e mulheres de coragem, preparados,
íntegros e de fé”
Flávio clama por “homens e mulheres de coragem, preparados,
íntegros e de fé”.
A metáfora é militar e religiosa. Não é uma campanha
política — é uma cruzada. Os eleitores não são cidadãos — são soldados.
A urna não é um instrumento de democracia — é uma arma.
7.2. “Anistia já!”
Flávio encerra seu discurso em Santa Catarina com “Anistia já!”.
A metáfora da anistia é a metafísica da impunidade.
Significa: perdoem os golpistas. Soltem Bolsonaro. Esqueçam
o 8 de janeiro. Esqueçam a tentativa de golpe.
“Anistia já” é o grito de guerra do bolsonarismo. É a negação
da justiça. É a metafísica da impunidade transformada em projeto
de poder.
VIII. À LAIA DE FINALISANDO: A METAFÍSICA DO
CAOS
A metafísica que sustenta o projeto de Flávio Bolsonaro é uma metafísica
do caos. Ela opera em vários planos:
1. Plano teológico: A guerra
espiritual transforma adversários em demônios. A “mão de Deus” legitima a
violência. A “anistia” absolve os crimes.
2.
Plano político: O “tesouraço” destrói o Estado. A “reforma do STF” captura o
Judiciário para si. O “voto de protesto” mobiliza o ressentimento em seu favor.
3.
Plano comunicacional: A TV Celular controla a narrativa. A mensagem subliminar planta
associações inconscientes. A metáfora da “libertação” esconde a servidão.
4.
Plano existencial: O eleitor não é convidado a pensar — é convidado
a sentir. Não é chamado a debater — é chamado a crer.
Não é tratado como cidadão — é tratado como súdito/vassalo.
Essa é a metafísica do necropoliticobolsonaro: uma
engenharia da linguagem e do poder que prepara o terreno para a ditadura
teocrática que tenho tanto alertado que virá. Sem dó. Nem piedade!!
— Porque a palavra que não diz é tão violenta quanto a palavra que mata.
E a metáfora que oculta é tão perigosa quanto a bala que voa.
Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes
Em diálogo holístico e transdisciplinar com o leitor/a...
∞
Pesquisador Consultor-Analista
e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente
e Política
∞ Pedagogo, Filósofo e
Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]
∞ Pós-Graduado em Docência da
Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia
Ambiental
∞ Especialista em Direito e
Legislação Educacional
http://professornegreiros.blogspot.com.br/
Imperatriz (MA), 06 de outubro de 2026
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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor
não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente,
Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere...,
e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque
uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof.
Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor
Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...