quinta-feira, 15 de outubro de 2026

QUANDO O CRIMINOSO SE APRESENTA COMO JUIZ

 A INVERSÃO FASCISTA — QUANDO O CRIMINOSO SE APRESENTA COMO JUIZ

Sobre o espetáculo eleitoral de 2026 e a projeção sistemática do próprio crime sobre o adversário

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes

∞ Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA] Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

 

 

1. O RISO E O NOJO

Há algo de grotesco — e ao mesmo tempo de profundamente revelador — no espetáculo que a "república federativa" oferece nestes dias de setembro de 2026.

 

Candidatos cujas mãos carregam processos, inquéritos, delações e condenações sobem ao palanque para ensinar ética. Homens cujos nomes aparecem em relatórios policiais sobre milícia, rachadinha, narcotráfico e tentativa de golpe pedem “liberdade”, “democracia”, "ordem" e "moralidade". Filhos de famílias que construíram carreira política sobre a violência prometem "acabar com a violência". E o público — mais da metade do eleitorado — aplaude. E deve em eles votar!!

 

O riso seria a resposta mais imediata, se não houvesse o nojo. Porque não estamos diante de uma comédia. Estamos diante de uma operação psicológica de massa volúvel e levável, historicamente testada, teoricamente explicada, e hoje perfeitamente instrumentalizada: o agressor acusa a vítima daquilo que ele mesmo pratica: agressão!!

 

A pergunta que formulo é devastadora em sua simplicidade: "Essas pessoas vão combater a si mesmas?"

 

A resposta, infelizmente, é conhecida. Não, não vão. Porque não se trata de combater crime algum. Trata-se de ocupar o lugar do juiz — para que o crime continue sendo praticado sob a autoridade de quem é o denunciado.

 

2. A DIMENSÃO HISTÓRICA — O FASCISMO COMO INVERSÃO SISTEMÁTICA

2.1. A lição de Adorno

Em 1951, Theodor Adorno publicou um pequeno ensaio que se tornaria clássico: "A Teoria Freudiana e o Padrão da Propaganda Fascista". Ali, ele demonstrava que o discurso fascista opera por projeção paranoica: o agressor atribui ao inimigo seus próprios impulsos destrutivos, e assim legitima sua própria violência como "defesa" e "purificação".

 

Não é coincidência retórica. É estrutura psíquica de massa. Massa volúvel e levável. O fascismo não nega que haja violência no mundo — ele apenas a desloca. A violência está sempre "no outro": no comunista, no negro, no indígena, no nordestino, no "bandido", na "esquerda", no "STF". O fascista é sempre o salvador, nunca o algoz. Mas é o algoz!!

 

2.2. A fórmula de Goebbels e a sua ressurreição tropical

A frase atribuída a Goebbels — "acuse-os do que você faz" — não é uma anedota. É um manual de operações. Hitler, em Minha Luta, já dizia que "na grande mentira há sempre uma certa força de credibilidade" e que "a mentira deve ser grande, pois as massas acreditarão mais facilmente numa grande mentira do que numa pequena".

 

O bolsonarismo não inventou esse manual. Ele apenas o tropicalizou. A diferença é que, no século XXI, o método tem algoritmos, redes sociais e uma indústria midiática que o amplificam exponencialmente.

 

3. A DIMENSÃO BRASILEIRA — A FAMÍLIA COMO EMPRESA CRIMINOSA DE PODER

3.1. O caso arquetípico

É impossível analisar o fenômeno sem mencionar o arquétipo que o inaugurou no Brasil contemporâneo: o clã político que fez da violência, da mentira, da morte e da projeção uma estratégia de acumulação de poder.

 

A trajetória é pública, documentada, processada:

  1. A origem miliciana da família no Rio de Janeiro, com raízes nos esquadrões da morte da ditadura e na estruturação das milícias da Zona Oeste;
  2. O esquema de rachadinha nos gabinetes familiares, investigado desde os anos 1990 e reaberto em 2018;
  3. A tentativa de golpe de Estado de 2022-2023, com invasão de prédios públicos e articulação de militares para subverter o resultado eleitoral;
  4. O caso Dark Horse e as transferências bancárias do banqueiro investigado;
  5. As denúncias de violência política contra adversários, jornalistas e servidores públicos;
  6. O enriquecimento patrimonial desproporcional ao longo de décadas de vida pública.

 

Cada um desses pontos está sob investigação, processo ou condenação. Nada disso é invenção. É o conteúdo real daquilo que a família acusa os outros de ser/fazer.

 

E, no entanto, o discurso proferido em palanque é sempre o mesmo: "vamos acabar com a corrupção, com o crime, com a violência, com o PCC, com o CV".

 

A pergunta impõe-se: o candidato vai combater a si mesmo?! Vai combater o clã no qual nasceu?!

 

3.2. O fenômeno se generalizou

O problema, porém, não é uma família. É um modelo que se proliferou por todo o Brasil. Candidatos em todos os estados, em todos os municípios, replicam a fórmula:

  1. Onde há milícia, o candidato acusa o adversário de miliciano;
  2. Onde há tráfico, o candidato acusa a esquerda de proteger traficante;
  3. Onde há corrupção, o candidato acusa o outro de corrupto;
  4. Onde há golpismo, o candidato acusa o STF de golpista.

 

Quem observa de perto reconhece o mesmo roteiro, adaptado a cada território. É um gênero discursivo — e, como todo gênero, produz-se industrialmente.

 

4. A DIMENSÃO PSICOLÓGICA — POR QUE O ELEITORADO ADERE

4.1. O eleitor não é tolo. Está capturado.

A leitura fácil é que o eleitor é "burro" ou "enganado". Essa leitura é elitista e falsa. O que ocorre é mais complexo e mais grave:

  1. Captura de informação — o eleitor consome notícias em bolhas algorítmicas, onde a mentira circula mais rápido que a verdade;
  2. Captura emocional — o medo, o ódio e o ressentimento são emoções mais potentes do que a razão, e são cultivados deliberadamente;
  3. Captura material — uma parcela do eleitorado se beneficia direta ou indiretamente do sistema, seja por empregos ligados ao setor, seja por programas clientelistas, seja por identificação com o "nós contra eles";
  4. Captura simbólica — há um gozo profundo em ver o "outro" [o professor, o intelectual, o jornalista, o ministro do STF] sendo atacado. É o prazer da vingança de classe contra quem "se acha superior".

 

4.2. A ignorância não é vazio — é preenchimento

Em meu texto sobre a inteligência cultural, já alertava: a ignorância não é ausência de informação. É excesso de informação falsa. O eleitor bolsonarista não é alguém sem informações — é alguém saturado de narrativas que organizam o mundo em "nós" e "eles", e que oferecem uma explicação simples [e falsa] para problemas complexos.

 

Essa saturação é produzida por um ecossistema midiático que inclui canais de YouTube, grupos de WhatsApp, rádios/TVs evangélicas, portais de desinformação e a própria grande mídia quando lhe convém.

 

5. A DIMENSÃO MIDIÁTICA — O PAPEL DA INDÚSTRIA DA NARRATIVA

5.1. Não é só o bolsonarismo — é o ecossistema

Não se pode analisar o fenômeno sem examinar o papel do ecossistema midiático que o sustenta. Esse ecossistema inclui:

  1. Canais digitais de extrema-direita — que transformam criminosos em "heróis perseguidos", “vitimados”;
  2. Portais de desinformação — que disseminam mentiras estruturadas;
  3. Emissoras de televisão — que amplificam o discurso de "combate ao crime" sem investigar quem o profere;
  4. Plataformas algorítmicas — que premiam engajamento, não veracidade.

 

Historicamente, esse ecossistema tem sido complacente com projetos de poder autoritário quando eles servem a interesses econômicos e ideológicos. Há uma cumplicidade estrutural entre certos veículos de comunicação e certos projetos políticos — e o resultado é uma população permanentemente exposta a uma narrativa invertida.

 

5.2. A corrosão da linguagem

A linguagem política no Brasil foi capturada. Palavras como "liberdade", "democracia", "ética", "família", "Deus", "pátria" — que pertencem a todos — foram sequestradas por um discurso do bolsonaro, fascista, da direita e extrema-direita que as esvazia de sentido e as instrumentaliza para garantir a dominação do bolsonaro, fascista, da direita e extrema-direita.

 

Esse sequestro é uma operação de necrofagia linguística: as palavras são mortas e depois devoradas, para que só reste a carcaça útil ao poder do bolsonaro, fascista, da direita e extrema-direita.

 

6. A DIMENSÃO MORAL — A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Voltemos à pergunta que faço:

"Essas pessoas vão combater a si mesmas?"

 

A resposta é dupla:

6.1. Não, não vão — porque não querem

Quando o candidato promete "acabar com o PCC", "destruir o CV", "combater a milícia", "eliminar a corrupção", ele não está falando de si mesmo. Ele está falando do inimigo construído por ele — a esquerda, o PT, o "sistema", o STF, o "comunismo". O seu próprio crime é transferido simbolicamente para o outro, e o outro passa a ser o alvo da violência que ele mesmo pratica.

 

6.2. Não, não vão — porque o sistema os protege

Mas há uma segunda razão: mesmo que quisessem, não poderiam. Porque o sistema que os elege é o mesmo que os blinda. As instituições que deveriam puni-los são sistematicamente enfraquecidas. Os processos são anulados. As investigações são obstruídas. Os relatores são alvejados.

 

O golpe por dentro do STF que assistimos nos últimos dias é a face mais visível dessa blindagem institucional. Quando um ministro da Suprema Corte afasta o diretor da Polícia Federal para proteger investigados, e o faz sem ouvir a Procuradoria-Geral da República, o que está em curso não é um "erro processual" — é a captura do aparelho de Estado por um projeto criminoso golpista.

 

7. O QUE FAZER — PROPOSIÇÕES EXECUTÁVEIS

7.1. Nível individual

  1. Não normalizar — chamar o crime de crime, sempre, mesmo quando o criminoso está no poder;
  2. Não esquecer — manter viva a memória dos fatos, dos processos, das condenações;
  3. Não se calar — falar em família, no trabalho, na escola, na igreja;
  4. Votar com consciência — conhecer os candidatos, exigir transparência, não se deixar levar pela narrativa fácil.

 

7.2. Nível coletivo

  1. Fortalecer a imprensa independente — apoiar veículos que investigam o poder, não que o servem;
  2. Ocupar os conselhos e espaços de participação — controle social é arma;
  3. Construir redes de resistência — movimentos sociais, sindicatos, universidades, comunidades de base;
  4. Denunciar a projeção — quando alguém acusa outro daquilo que ele mesmo faz, expor a inversão.

 

7.3. Nível institucional

  1. Defender a independência do STF — mas cobrar de seus ministros a imparcialidade que deles se espera;
  2. Exigir a aplicação efetiva da lei — Ficha Limpa, inelegibilidade por vínculo com organizações criminosas, punição da violência política;
  3. Reformar o sistema político — financiamento público exclusivo, fim do financiamento empresarial, transparência total;
  4. Fortalecer a educação pública — porque a única forma de romper o ciclo da desinformação é formar cidadãos capazes de pensar criticamente.

 

8. CONSIDERANDOS FINAIS — O QUE ESTÁ EM JOGO

Não estamos diante de uma disputa eleitoral comum. Estamos diante de uma guerra de narrativas — e, por trás dela, de uma guerra pelo próprio significado do Estado de Direito no Brasil.

 

De um lado, um projeto que quer transformar a democracia em fachada, o crime em método de governo, e o povo em massa de manobra. Do outro, a resistência — fragmentada, cansada, mas ainda viva — de quem acredita que a lei existe para todos, que a verdade importa, e que a história não está escrita.

 

A pergunta que faço não é retórica. É convocação:

"Essas pessoas vão combater a si mesmas?"

 

Não. Elas jamais vão combater a si mesmas. Cabe a nós — cidadãos, professores, intelectuais, trabalhadores — combatê-las. E combatê-las significa:

  1. Dizer a verdade quando a mentira é mais confortável;
  2. Nomear o crime quando o criminoso se apresenta como juiz;
  3. Ocupar as ruas, as redes, as urnas, as escolas, os conselhos — porque o poder não se entrega, se conquista;
  4. Resistir — mesmo quando a maioria parece ter escolhido o lado errado da história.

 

Porque a história, ao contrário do que dizem, não termina no dia da eleição. Ela continua, todos os dias, na luta de quem não se conforma.

 

— Porque a minha pátria é o Brasil, e a minha pátria será livre ou será escrava. Mas eu escolho livre.

 

Pesquisas, leituras, análises, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos parágrafos/textos:

 

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

 

Contatos:

prof.negreiros@gmail.com
fundacaobrasileducacional@gmail.com
institutouniversidadepanameria@gmail.com
http://professornegreiros.blogspot.com.br/

 

Imperatriz/MA, São Miguel/TO, 11 de setembro 2026

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

A REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

 LEITURA DE CENÁRIO E ANÁLISE DE CONJUNTURA: A REDUÇÃO DA JORNADA, A AUTOMAÇÃO E O FIM DO EMPREGO HUMANO

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – em diálogo holístico e transdisciplinar com o/a leitor/a

 

 

1. O QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO NO CONGRESSO

A PEC 6/2025 — também chamada de PEC da Escala 5x2 — está em votação na Câmara dos Deputados. Ela propõe:

  1. Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais;
  2. Fim da escala 6x1 — o trabalhador passaria a ter dois dias de descanso semanal;
  3. Aumento do adicional para trabalho em finais de semana de 50% para 100%;
  4. Redução da jornada noturna de 52min30s para 45min por hora trabalhada.

 

A votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi de 6 votos a 2 — mas a PEC ainda precisa passar por comissão especial e pelo plenário.

 

2. A ALEGAÇÃO DOS EMPREGADORES: "PREJUÍZO"

Os empresários e seus representantes no Congresso alegam que a redução da jornada prejudicará a economia, aumentará o desemprego e quebrará empresas.

 

Essa alegação é falsa. E há décadas de evidências que a desmentem:

País

Jornada

Economia

Desemprego

França

35h

7ª maior economia do mundo

Estável

Alemanha

35-40h

4ª maior economia do mundo

Baixo

Dinamarca

37h

Alta produtividade

Baixo

Holanda

36h

Alta produtividade

Baixo

 

A redução da jornada não quebrou essas economias. Não aumentou o desemprego. Não destruiu empresas.

 

O que a redução da jornada fez foi:

  1. Aumentar a produtividade — trabalhadores descansados produzem mais;
  2. Melhorar a saúde — menos acidentes, menos doenças ocupacionais;
  3. Aumentar o consumo — mais tempo livre, mais consumo;
  4. Fortalecer a democracia — mais tempo para a cidadania.

 

A alegação de prejuízo é uma mentira. Uma mentira que serve para manter os lucros do empregador.

 

3. A TENDÊNCIA REAL: A AUTOMAÇÃO E O FIM DO EMPREGO HUMANO

A PEC 6/2025 é importante. Mas ela é insuficiente para resolver o problema real que está em curso: a substituição dos trabalhadores por robôs, automação e IA.

 

3.1. O que está acontecendo

A Quarta Revolução Industrial está em curso. Ela se caracteriza por:

  1. Robótica avançada — robôs que substituem operários em linhas de montagem;
  2. Automação de processos — sistemas que substituem trabalhadores administrativos;
  3. Inteligência Artificial — algoritmos que substituem analistas, atendentes, motoristas, até médicos e advogados;
  4. Internet das Coisas — dispositivos conectados que substituem supervisores e controladores.

 

3.2. O que isso significa

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), até 2030:

  1. 800 milhões de empregos serão automatizados em todo o mundo;
  2. 375 milhões de trabalhadores precisarão mudar de ocupação;
  3. Setores inteiros desaparecerão — caixas de supermercado, motoristas, atendentes, operários de linha de montagem.

 

No Brasil, estimativas apontam que até 50% dos empregos podem ser automatizados nas próximas décadas.

 

3.3. A lógica capitalista

A lógica capitalista é implacável:

  1. O capitalista não contrata trabalhadores porque gosta deles — contrata porque precisa deles para produzir;
  2. Se a máquina substitui o trabalhador com custo menor, o trabalhador é descartado;
  3. A tendência é a substituição total — até que o trabalho humano seja desnecessário para a produção.

 

O objetivo do capitalista não é o pleno emprego. É o pleno lucro.

 

3.4. As consequências

As consequências dessa lógica são aterradoras:

  1. Desemprego em massa — milhões de trabalhadores sem ocupação;
  2. Precarização — os que permanecem trabalhando o fazem em condições piores;
  3. Concentração de renda — os donos das máquinas ficam com tudo;
  4. Crise social — sem renda, sem consumo, sem dignidade;
  5. Colapso da democracia — uma massa de desempregados e precarizados é presa fácil para o autoritarismo.

 

4. A PEC 6/2025 NO CONTEXTO DA AUTOMAÇÃO

A PEC 6/2025 é, ao mesmo tempo, necessária e insuficiente:

Necessária porque:

  1. Reduzir a jornada distribui o trabalho existente;
  2. Melhora as condições de vida dos trabalhadores;
  3. Aumenta o tempo livre para formação, lazer, cidadania.

 

Insuficiente porque:

  1. Não impede a automação — que continua avançando;
  2. Não garante renda para os que forem substituídos;
  3. Não redistribui os ganhos de produtividade da automação;
  4. Não resolve o desemprego estrutural.

 

A PEC é um paliativo — não uma solução. Ela melhora a vida de quem ainda tem emprego. Mas não responde à pergunta: e quem não tem?

 

5. A ALTERNATIVA: RENDA BÁSICA UNIVERSAL E SOCIALIZAÇÃO DA TECNOLOGIA

A tendência à automação é inevitável. A pergunta não é se ela vai acontecer — é como ela será gerida.

 

Cenário 1: A automação gerida pelo capital

  1. Robôs substituem trabalhadores;
  2. Lucros se concentram nas mãos dos donos das máquinas;
  3. Desemprego em massa;
  4. Miséria, violência, autoritarismo.

 

Nada disso é alertado pelos políticos, o que fazem é prometer falsamente mais empregos... combater a miséria, a violência...

 

Cenário 2: A automação gerida pelo povo

  1. Robôs substituem trabalhadores;
  2. Renda Básica Universal garante a sobrevivência de todos;
  3. Redução da jornada distribui o trabalho restante;
  4. Socialização da tecnologia garante que os ganhos sejam compartilhados;
  5. Democracia econômica — os trabalhadores participam das decisões sobre a produção.

 

Nada disso também é conversado pelos políticos com as populações como a realidade que se apresenta e se deve estar prepara para novo MODO de vida...

 

O Cenário 2 exige:

1.      Renda Básica Universal — para que ninguém morra de fome enquanto as máquinas produzem;

2.      Redução da jornada — para que o trabalho seja distribuído;

3.      Taxação da automação — para que os donos das máquinas paguem pelos trabalhadores que substituem;

4.      Socialização da tecnologia — para que a IA e a robótica sirvam ao bem comum, não ao lucro;

5.      Democracia econômica — para que os trabalhadores decidam sobre seu próprio futuro.

 

Isso já deveria estar sendo conversado pelos políticos do campo da esquerda com as populações, como que a realidade já se apresenta e que elas devem estar preparadas para o novo MODO de vida...

 

6. CONSIDERANDOS FINAIS: A LUTA PELA JORNADA E A LUTA PELO FUTURO-PRESENTE

A PEC 6/2025 é uma batalha importante. Ela deve ser aprovada. Ela deve ser defendida.

 

Mas é preciso ir além:

  1. A luta pela redução da jornada é a luta de hoje;
  2. A luta pela renda básica universal é a luta de amanhã agora;
  3. A luta pela socialização da tecnologia é a luta do futuro imediato.

 

O capitalismo não vai resolver o problema da automação. Ele vai agravar — porque o seu objetivo não é o bem comum, é o lucro d’eles.

 

A solução exige superar o capitalismo. Exige uma sociedade onde:

  1. A tecnologia sirva à vida, não ao lucro;
  2. O trabalho seja distribuído, não concentrado por poucos;
  3. A renda seja compartilhada, não concentrada em uma elite;
  4. A dignidade seja de todos, não de uns poucos.

 

A PEC 6/2025 é um passo. Mas a caminhada é longa. E o destino é o Bem Viver.

 

— Porque a jornada de trabalho não é apenas uma questão de horas. É uma questão de quem controla o tempo. E quem controla o tempo, controla a vida.

 

Pesquisas, leituras em profundidades, análises, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos parágrafos/textos:

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

∞ Pesquisador Empírico Racional. Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Holísticas e Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política – Aqui em diálogo holístico e transdisciplinar consigo e com o/a leitor/a...

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

∞ Diretor-Presidente e Fundador da Fundação Brasil de Fomento à Educação Ambiental e Humanística

 

∞ Imperatriz/MA, São Miguel/TO – Reserva EcoFloresta Lagoa da Onça – 5 a 10 de outubro de 2026

 

Contatos:
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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

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