sábado, 10 de outubro de 2026

O que flavio candidato esconde...

 O PLANO ECONÔMICO SECRETO DE FLAVIO BOLSONARO

Por Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes, Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA], em diálogo holístico e transdisciplinar com você leitor/a...

 

 

As mentiras que Flavio candidato fala na tv como “verdade”. E a verdade secreta em seu “plano de governo”. Por ser secreto, o que vem a público é por meio de falas subjetivas, subliminar.

 

CONCLUSÃO: O PLANO SECRETO É A VERDADE; O DISCURSO PÚBLICO É O VÉU

A análise das falas de Flávio candidato e do seu “plano de governo” revela um abismo entre o que ele diz na televisão e o que sua equipe econômica planeja efetivamente executar. O "plano secreto" não é uma fantasia conspiratória: ele está documentado em reportagens, declarações de assessores e no próprio texto do programa de governo apresentado ao TSE. A mentira não está no que ele diz, mas no que ele omite — e a omissão é a arma mais eficaz da enganação.

 

I. AS MENTIRAS DITAS COMO VERDADES: O QUE FLÁVIO DIZ NA TV

1.1. "Não vou fazer economia em cima de quem precisa"

O que ele diz: Flávio afirma repetidamente que não cortará benefícios sociais. "Não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil".

 

A verdade secreta: A equipe econômica de Flávio estuda um pacote de ajuste fiscal de 2% do PIB (cerca de R$ 250 bilhões) que inclui exatamente o que ele nega: desvincular aposentadorias e o BPC do salário mínimo, limitando seus reajustes apenas à inflação. O Bolsa Família, curiosamente, fica fora do pacote — mas isso não é generosidade: é cálculo eleitoral. O Bolsa Família tem apelo popular; o BPC e as aposentadorias são menos visíveis, mas afetam milhões de idosos e pessoas com deficiência.

 

1.2. "Vou manter o Bolsa Família e a Farmácia Popular"

O que ele diz: Flávio prometeu manter os programas e chamou de "boataria do PT" a informação de que privatizaria a Petrobras.

 

A verdade secreta: O plano de governo fala em retomar o Programa Nacional de Desestatização e "avaliar caso a caso" onde a presença do Estado faz sentido. A equipe econômica inclui nomes como Adolfo Sachsida (ex-ministro de Bolsonaro) e Luiz Felipe Trevisan, que defendem abertamente a redução do Estado. A promessa de manter o Bolsa Família é estratégica: o programa é popular; o corte viria por outro caminho — a desvinculação do salário mínimo.

 

1.3. "Vou reajustar as aposentadorias acima da inflação"

O que ele diz: Flávio declarou que pretende reajustar as aposentadorias acima da inflação.

 

A verdade secreta: A proposta em estudo pela equipe é exatamente o contrário: limitar os reajustes de aposentadorias e do BPC à correção pela inflação (INPC), mesmo quando o salário mínimo tiver aumento real. Ou seja: os benefícios perderiam poder de compra em relação ao mínimo. A declaração pública de Flávio contradiz diretamente a proposta de sua própria equipe.

 

II. A VERDADE SECRETA: O QUE ESTÁ NO PLANO E NAS ENTRELINHAS

2.1. O "Tesouraço" e a "Super PEC da Transição"

O plano de governo fala em um "tesouraço" de gastos, corte de pelo menos 10 ministérios, redução de cargos comissionados e uma nova regra fiscal . Mas o detalhamento é deliberadamente vago — a coordenadora do plano, Daniella Marques, afirmou: "Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso. Eu não sou a Mãe Dináh".

 

A "Super PEC da Transição" reuniria cerca de 10 medidas para reduzir despesas, incluindo:

  1. Desvinculação de aposentadorias e BPC do salário mínimo;
  2. Substituição dos pisos constitucionais de saúde e educação por correção apenas inflacionária (sem ganhos reais);
  3. Privatizações e desregulamentação.

 

2.2. O ataque à educação pública

O plano prevê:

  1. Transferir a governança das universidades para o Ministério da Ciência e Tecnologia;
  2. Substituir o FIES por um "Empréstimo Contingente à Renda" (parcelas proporcionais ao salário);
  3. Ampliar escolas cívico-militares;
  4. Oferecer voucher para escolas particulares quando não houver vaga na rede pública .

 viii.            A educação pública universal e gratuita é tratada como um "gasto" a ser reduzido, não como um direito.

 

2.3. A reforma do Judiciário como escudo

Flávio propõe:

  1. Limitar decisões monocráticas do STF;
  2. Proibir que parentes de ministros atuem no tribunal;
  3. Acabar com as competências criminais originárias do STF (permitindo que parlamentares sejam julgados por instâncias inferiores) .

   xii.            O objetivo declarado é "sanear o Supremo". O objetivo real é proteger os aliados golpistas das investigações que correm no STF — incluindo o próprio pai, Jair Bolsonaro.

 

2.4. A entrega da soberania

O plano propõe:

  1. Exploração de combustíveis fósseis e liberação do fracking conforme os interesses deliberativos de trump/eeuu;
  2. Flexibilização do licenciamento ambiental;
  3. Aproximação de subserviências aos EUA em benefício dos interesses de trump, incluindo a classificação de facções como narcoterroristas (seguindo o modelo americano).

 

A entrega das riquezas naturais brasileiras ao capital internacional norte-americano é apresentada como "modernização".

 

III. COMO A ESQUERDA DEVE DESMASCARAR ANDRAGOGICAMENTE ESSAS MENTIRAS

A andragogia — a arte de educar adultos — exige que a desconstrução das mentiras não seja feita por imposição, mas por problematização. O eleitor adulto não aceita ser chamado de ignorante; ele precisa descobrir por si mesmo a contradição.

 

3.1. Método 1: A Técnica do "Espelho" (Contradição Factual)

Como funciona: Em vez de dizer "Flávio mente", mostrar as duas falas lado a lado e perguntar: "Como isso é possível?"

O que Flávio diz na TV

O que a equipe dele planeja

"Não vou cortar aposentadorias"

Desvincular aposentadorias do salário mínimo

"Vou reajustar acima da inflação"

Limitar reajuste à inflação

"Não vou privatizar a Petrobras"

Retomar o Programa Nacional de Desestatização

"Vou manter o SUS"

Compartilhar dados do SUS com hospitais privados 

 

Aplicação andragógica: O educador não afirma a mentira. Ele apresenta os fatos e deixa o educando tirar suas próprias conclusões. A pergunta — "Como isso é possível?" — é mais poderosa que a acusação.

 

3.2. Método 2: A Técnica da "Consequência Pessoal"

Como funciona: Traduzir as medidas abstratas em impacto concreto na vida do eleitor.

  1. "Desvincular aposentadoria do salário mínimo" = "Sua mãe, que ganha um salário mínimo de aposentadoria, vai receber cada vez menos em relação a quem trabalha."
  2. "Limitar pisos de saúde à inflação" = "O SUS vai ter menos dinheiro. A fila do posto vai aumentar."
  3. "Voucher para escolas particulares" = "A escola pública do seu filho vai perder recursos para pagar a escola do filho do rico."

 

Aplicação andragógica: O adulto aprende quando vê a consequência na própria vida. A abstração econômica não mobiliza; a dor concreta mobiliza.

 

3.3. Método 3: A Técnica do "Silêncio Estratégico"

Como funciona: Perguntar o que Flávio não diz.

  1. "Por que o plano de governo não detalha como o 'tesouraço' vai funcionar?" 
  2. "Por que a equipe econômica só fala em cortes depois da eleição?" 
  3. "Por que o pacote de ajuste não está no plano de governo oficial?" 

 

Aplicação andragógica: O silêncio é mais eloquente que a fala. Quando o educando percebe o que está sendo escondido, ele começa a questionar por que está sendo escondido.

 

3.4. Método 4: A Técnica da "Comunidade de Aprendizagem"

Como funciona: Criar espaços coletivos (rodas de conversa, grupos de WhatsApp, encontros de bairro) onde as pessoas possam compartilhar o que descobriram sobre as propostas dos candidatos.

 

Aplicação andragógica: O adulto aprende em comunhão. A descoberta individual se fortalece quando compartilhada com outros que fizeram a mesma descoberta. A esquerda precisa criar esses espaços — não como "aula", mas como conversa entre iguais.

 

IV. O QUE A ESQUERDA DEVE DIZER

A esquerda precisa abandonar a "pureza na fala" e falar a linguagem do povo. Não basta denunciar o plano secreto: é preciso traduzi-lo para a vida cotidiana.

 

A mensagem central deve ser:

"Flávio diz que não vai cortar. Mas a equipe dele já tem o plano pronto: aposentadoria vai valer menos, SUS vai ter menos dinheiro, escola pública vai perder recurso. Eles não vão falar disso antes da eleição. Mas está tudo lá, no plano de governo e nas entrevistas dos assessores. Você pode conferir."

 

A esquerda deve mostrar os documentos, citar as fontes, apontar as contradições — e deixar que o povo tire suas conclusões. A andragogia não impõe a verdade: ela cria as condições para que a verdade seja descoberta.

 

— Porque a mentira só prospera quando ninguém a compara com a verdade. E a verdade está nos documentos, nas falas dos assessores, nos planos que eles não querem que você leia.

 

ESTOU CERTO DE QUE ESTOU CERTO!!

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Em diálogo holístico e transdisciplinar

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

http://professornegreiros.blogspot.com.br/

Imperatriz (MA), 05 a 10 de outubro de 2026

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Não há mais trabalhadores

 NÃO HÁ MAIS TRABALHADORES: A METAFÍSICA DO EMPREENDEDORISMO E A ESCRAVIDÃO VOLUNTÁRIA

Por Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA] – Pesquisador, Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política, em um diálogo holístico e transdisciplinar

 

 

“...pobre é quem recebe bolsa família”.

E não mais há trabalhadores para que a eles se possa dirigir como tal.

 

I. O EPISÓDIO: A FALA QUE REVELA UM MUNDO

Hoje, 09 de outubro de 2026, antes das 8h, indo de bicicleta para uma reunião do FME/Forum Municipal de Educação de Imperatriz, parei no semáforo, na Simplício Moreira com Santa Tereza, canto da praça que há entre a UPA, na Bernardo Sayão, e o Colégio Graça Aranha.

 

Aí ouvi um pobre diabo — moreno, de estatura franzina, uns 25 anos, também em uma bicicleta, às costas uma espécie de "caixa" de entregador rápido de comida — em conversa com outro. No contexto da conversa, ele disse:

– "Não sou pobre, sou empreendedor. Pobre é quem recebe Bolsa Família."

 

Pois é.

Essa frase, aparentemente banal, é uma janela para a alma de um Brasil que se perdeu de si mesmo. Em uma única sentença, o jovem entregador de aplicativo:

  1. Rejeita sua própria condição de classe ("não sou pobre");
  2. Adota a identidade que o capital lhe oferece ("sou empreendedor");
  3. Ataca o mais vulnerável que ele ("pobre é quem recebe Bolsa Família");
  4. Reproduz a ideologia que o explora (o empreendedorismo como valor supremo).

 

Ele não sabe — ou não quer saber [nega-se a saber] — que é exatamente o que o capitalismo quer que ele seja: um trabalhador que não se reconhece como trabalhador; um explorado que se vê como patrão; um pobre que odeia os pobres.

 

II. A METAFÍSICA DO "EMPREENDEDOR": A ILUSÃO QUE ESCRAVIZA

2.1. O que significa "ser empreendedor"?

Na metafísica da fala — a camada subliminar da linguagem que revela o que as palavras escondem —, dizer "sou empreendedor" significa:

  1. "Não sou trabalhador" — porque trabalhador é aquele que vende sua força de trabalho, que tem patrão, que tem carteira assinada, que tem direitos trabalhistas e sociais;
  2. "Não sou pobre" — porque pobre, na ideologia dominante, é aquele que "depende do governo", que "recebe Bolsa Família", que "não se esforça";
  3. "Sou empresário de mim mesmo" — porque, na lógica neoliberal, cada um é uma "empresa" que deve "gerir sua carreira", "investir em si mesmo", "buscar oportunidades";
  4. "Vou enriquecer" — porque o empreendedorismo é apresentado como o caminho para a riqueza, o atalho para o sucesso, a promessa de que "qualquer um pode chegar lá".

 

Mas nada disso é verdade.

O entregador de aplicativo não é empreendedor. É um trabalhador precarizado — sem carteira assinada, sem férias, sem 13º, sem FGTS, sem licença-maternidade, sem aposentadoria, sem proteção social alguma. Ele trabalha mais que um empregado formal, ganha menos, e arcar com todos os custos da atividade (bicicleta, manutenção, celular, internet, combustível humano, sua energia para pedalar).

 

O "empreendedorismo" não é uma escolha. É uma imposição — a única "opção" que sobrou para quem foi expulso do mercado formal de trabalho.

 

2.2. A origem do termo: do trabalhador ao "colaborador"

Observa com precisão: "trabalhador não existe mais, no seu lugar passou-se a ter o 'colaborador'".

A substituição do termo "trabalhador" por "colaborador" não é inocente. É uma operação de engenharia linguística que visa:

  1. Apassivar o trabalhador — de sujeito de direitos, ele se torna "colaborador" da empresa;
  2. Desresponsabilizar o patrão — se o trabalhador "colabora", ele não é explorado; ele "participa";
  3. Eliminar a consciência de classe — se todos "colaboram", não há conflito entre capital e trabalho; há "parceria";
  4. Justificar a precarização — o "colaborador" não tem direitos porque não é empregado; ele é "parceiro".

 

A mesma lógica se aplica ao "empreendedor": ele não é explorado porque "escolheu" ser patrão de si mesmo. A exploração se disfarça de liberdade.

 

2.3. A indústria do empreendedorismo: o SEBRAE e a ideologia capital-fascista

Aponta. desde os anos 90 do século passado, o SEBRAE como o principal propagador dessa ideologia no Brasil.

 

O SEBRAE — Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas — é uma instituição estatal, financiada por contribuições compulsórias das empresas. Sua missão declarada é "promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios".

 

Na prática, o SEBRAE atua como agência de propaganda do capitalismo:

  1. Oferece cursos de "empreendedorismo" para jovens que nunca terão capital para abrir um negócio;
  2. Ensina técnicas de "gestão" para trabalhadores que nunca serão patrões;
  3. Promove a ideia de que "ser empreendedor é melhor que ser empregado" — quando a realidade é que o empreendedorismo é, para a maioria, sinônimo de precarização.

Essa ideologia é capital-fascista porque:

  1. Capitalista — serve aos interesses do capital, que se beneficia da multiplicação de trabalhadores precarizados;
  2. Fascista — porque naturaliza a hierarquia, culpabiliza a vítima, divide a classe trabalhadora e elimina a solidariedade.

 

2.4. O empreendedorismo do crime

Vou além: "Participar também de uma facção é ser empreendedor [do crime]".

Essa é uma observação perturbadora — e verdadeira. O tráfico de drogas, a milícia, o crime organizado funcionam como empresas:

  1. Têm hierarquia, divisão de trabalho, metas de lucro;
  2. Oferecem "oportunidades" para jovens que não as encontram no mercado formal;
  3. Prometem "ascensão social" rápida — o "empreendedorismo" que a sociedade nega.

 

O jovem da periferia que entra para o tráfico não está apenas cometendo um crime. Está seguindo o único modelo de "empreendedorismo" que lhe foi apresentado — o modelo que promete riqueza rápida, respeito e poder, ainda que à custa da vida.

 

III. A IDEOLOGIA DO EMPREENDEDORISMO: COMO ELA OPERA

3.1. A culpabilização da vítima

A ideologia do empreendedorismo culpabiliza a vítima:

  1. Se você é pobre, é porque não se esforçou;
  2. Se você não tem emprego, é porque não buscou oportunidades;
  3. Se você depende do Bolsa Família, é porque não quer trabalhar;
  4. Se você não enriqueceu, é porque não empreendeu. Ou não soube empreender.

 

Essa lógica ignora as estruturas — o desemprego estrutural, a concentração de renda, a exclusão social, o racismo, o machismo, a desigualdade de oportunidades. Ela transforma problemas coletivos em fracassos individuais.

 

3.2. A naturalização da precarização

A ideologia do empreendedorismo naturaliza a precarização:

  1. "Não ter carteira assinada é ser 'autônomo'";
  2. "Não ter férias é ser 'flexível'";
  3. "Não ter aposentadoria é ser 'independente'";
  4. "Trabalhar 12 horas por dia é ser 'dedicado'".

 

O que é exploração [de si para consigo] é apresentado como liberdade. O que é precarização é apresentado como oportunidade.

 

3.3. A destruição da solidariedade de classe

A ideologia do empreendedorismo destrói a solidariedade de classe:

  1. O trabalhador não se vê como trabalhador — vê-se como "empreendedor";
  2. O pobre não se solidariza com o pobre — ele o despreza ("pobre é quem recebe Bolsa Família");
  3. O explorado não luta contra o explorador — ele sonha em se tornar explorador.

 

O capitalismo vence quando o trabalhador passa a defender o patrão.

 

IV. A DIMENSÃO ELEITORAL: O EMPREENDEDOR VOTA NA DIREITA

4.1. O eleitorado do empreendedorismo

Observa que: "Eleitoralmente, todo esse pessoal é um eleitor do político da direita à extrema-direita, fascista, bolsonarista."

 

Essa observação é confirmada por pesquisas. O eleitorado [“pobre de direita”] que se identifica como "empreendedor" — autônomos, microempreendedores individuais (MEIs), trabalhadores de aplicativo — tende a votar na direita e na extrema-direita, porque passou a:

  1. Acreditar na meritocracia — e a direita é a defensora da meritocracia;
  2. Rejeitar a regulação — e a direita promete menos impostos, menos regras, menos "burocracia";
  3. Temer o comunismo — e a direita apresenta o comunismo como o inimigo perverso, demoníaco!!;
  4. Sonhar com riqueza — e a direita promete a riqueza como recompensa do esforço. Promessa que nunca é cumprida!!

 

4.2. A "guerra cultural" e a classe média precarizada

A direita explora a frustração da classe média precarizada — aqueles que perderam o emprego formal, que viram seu padrão de vida cair, que se sentem "traídos" pelo sistema. Para esses, o bolsonarismo oferece:

  1. Um inimigo — o comunista, o petista, o "vagabundo" que "vive do Bolsa Família";
  2. Uma identidade — o "empreendedor", o "patriota", o "cidadão de bem";
  3. Uma esperança — a promessa de que "dias melhores virão" se a "esquerda for derrotada". Varrida da terra!!

 

4.3. Como a esquerda pode reverter isso?

A pergunta que faço, sei, é crucial para a esquerda: "Com que fala/linguagem a esquerda possa reverter isso?!"

 

A resposta exige abandonar a linguagem burocrática... e adotar a linguagem do cotidiano:

1.      Falar da vida real — não de "precarização do trabalho", mas de "você trabalha 12 horas por dia e não tem férias";

2.      Desmascarar a ideologia — mostrar que o "empreendedorismo" é uma armadilha, não uma oportunidade;

3.      Construir solidariedade — dizer que o pobre não é inimigo do pobre; o inimigo é quem faz parte do sistema que os explora, e que sistema é esse... formado com quem...;

4.      Oferecer alternativas — não apenas criticar o empreendedorismo, mas propor economia solidária, cooperativismo, trabalho digno;

5.      Ocupar os espaços — igrejas, escolas, redes sociais, rádios comunitárias, feiras, ...

 

A fala, conforme seja empregada, e por quem é empregada, tem o dom de escravizar e/ou libertar mental e fisicamente seu receptor.

 

V. FINALISANDO: A PALAVRA QUE LIBERTA

O jovem entregador que disse "não sou pobre, sou empreendedor" não é um vilão. É uma vítima — vítima de uma ideologia que o convenceu a odiar sua própria classe, a rejeitar sua própria identidade, a sonhar com uma riqueza que nunca chegará a ele.

 

Ele é o produto de um Brasil que destruiu o trabalho e endeusou o empreendedorismo; que eliminou os direitos e prometeu a liberdade como se sem liberdade esteja a viver; que concentrou a renda e culpou os pobres pela própria pobreza.

 

A esquerda precisa falar com ele. Não com desprezo, não com superioridade, não com jargão. Mas com verdade, com empatia, com propostas concretas, executáveis.

 

Porque ele não é o inimigo. Ele é o aliado que ainda não sabe que é — o trabalhador que ainda não se reconhece como trabalhador, o explorado que ainda não se reconhece como explorado.

 

A fala que liberta é a fala que o faz reconhecer-se no mundo real, e não no mundo paralelo.

 

— Porque não há mais trabalhadores. Há empreendedores — que morrem de fome trabalhando. Há "colaboradores" — que colaboram com a própria exploração. Há "patrões de si mesmos" — que nunca foram tão escravos, de si.

 

— E há os que ainda lutam para que a palavra "trabalhador" volte a significar dignidade, direitos, solidariedade.

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA

Imperatriz (MA), 09 de outubro de 2026

 

Contatos:
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