quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O Diabo e sua Teologia do Domínio

 ALERTA MÁXIMO: A TEOLOGIA DO DOMÍNIO E A MARCHA SILENCIOSA PARA A DITADURA TEOCRÁTICA NO BRASIL

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política — em diálogo holístico e transdisciplinar com você...

 

 

I. INTRODUÇÃO: O PERIGO QUE NÃO SE VÊ, MAS SE SENTE

Há um perigo que ronda o Brasil. Ele não anda armado. Não usa farda. Não invade casas de madrugada. Ele entra pelas igrejas, pelas escolas, pelas redes sociais, pelos púlpitos, pelas famílias. Ele fala em nome de Deus. E, por isso, é quase impossível de combater.

 

Este é o perigo da Teologia do Domínio.

Tenho alertado, chamado a atenção, com a lucidez de quem observa o Brasil há sete décadas, que o bolsonarismo é muito pior do que podemos pensar e falar. Não é apenas um fenômeno político. É uma máquina de condicionamento de mentes, operada por uma teologia que promete o céu e entrega o inferno, que prega a liberdade e impõe a servidão a uma única religião, que anuncia a salvação e produz a ditadura.

 

A análise que se segue é um alerta máximo. Não para os convertidos — esses já não ouvem. Mas para os que ainda duvidam, para os que ainda resistem, para os que ainda têm olhos para ver e ouvidos para ouvir.

 

II. O QUE É A TEOLOGIA DO DOMÍNIO?

2.1. Definição e origem

A Teologia do Domínio [ou Dominionismo] é um movimento teológico que defende que os cristãos têm o mandato divino de dominar todas as esferas da sociedade — política, justiça, economia, educação, cultura, mídia — para estabelecer o Reino de Deus na Terra.

 

Sua base bíblica é uma interpretação literal de Gênesis 1:28: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra.”

 

Para os dominionistas, esse “domínio” não se limita à natureza. Estende-se a todas as instituições humanas. O governo civil, dizem, existe para implementar as leis de Deus. E, se o governo não o faz, os cristãos têm o dever de tomá-lo para fazê-lo.

 

2.2. A teologia do domínio no Brasil

No Brasil, a Teologia do Domínio encontrou terreno fértil no neopentecostalismo — especialmente nas igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade e a Guerra Espiritual. Tenho feito, desde os anos 80 do século passado, alertas, chamado a atenção para o risco que é o projeto dominionista. Pesquisas acadêmicas recentes têm exposto como essas crenças operam na sociedade brasileira, particularmente no Legislativo, onde parlamentares evangélicos atuam para implementar pautas que refletem sua cosmovisão dominionista.

 

O livro The Battle Among the Gods, de André Castro, explora justamente essa transição: do declínio da Teologia da Libertação — que via Deus ao lado dos pobres — para a ascensão da nova extrema-direita religiosa — que vê Deus ao lado dos poderosos.

 

2.3. A fusão com o bolsonarismo

A Teologia do Domínio não é apenas uma crença religiosa. É um projeto político de dominação teocrática. E o bolsonarismo é seu veículo.

 

A relação entre igreja evangélica e bolsonarismo é estreita e estratégica. Não se trata apenas de apoio eleitoral. Trata-se de uma simbiose: a igreja fornece a base de massa volúvel e levável, o discurso moral e a legitimidade divina; o bolsonarismo fornece o poder estatal, a proteção jurídica e a implementação das pautas. Uma d’elas: o Brasil é de Jesus – e não de nossa senhora...

 

O resultado é o que os estudiosos chamam de cristofascismo — uma fusão entre o cristianismo [distorcido] e o fascismo [disfarçado de fé].

 

III. COMO A TEOLOGIA DO DOMÍNIO CONDICIONA AS MENTES

3.1. A linguagem objetiva e subliminar

A Teologia do Domínio opera em dois níveis:

Nível objetivo: O discurso explícito. “Deus quer que os cristãos governem.” “O Brasil é do Senhor Jesus.” “Precisamos tomar as escolas para Cristo.” “O comunismo é demoníaco.”

Nível subliminar: O condicionamento implícito. A repetição incessante de que o mundo está dividido entre nós [crentes, salvos, escolhidos] e eles [ímpios, comunistas, demoníacos]. A construção de uma identidade de guerra — onde o outro não é adversário, mas inimigo de Deus. A promessa de que a obediência ao líder terreno [pastor, político] é obediência a Deus.

 

3.2. A massa volúvel e levável

Afirmo: “A crença religiosa torna os que acreditam/creem em massa volúvel e levável política-eleitoralmente pelo fanatismo bolsonaro/ista.”

 

Essa afirmação não é um ataque à fé. É uma constatação sociológica. Quando a fé se transforma em ideologia política, quando o púlpito se transforma em palanque, quando o pastor se transforma em cabo eleitoral, a massa de fiéis se transforma em massa de manobra fácil.

 

E a massa de manobra fácil é volúvel porque sua adesão não se baseia em razão, mas em emoção; não em análise, mas em fé; não em evidências, mas em autoridade. E é levável porque quem controla o discurso religioso controla o voto/eleitor.

 

3.3. O fanatismo como produto final

O fanatismo é o estágio final do condicionamento. O fanático não pensa — obedece. Não questiona — crê. Não duvida — defende. Não vê o mundo como ele é — vê o mundo como lhe foi dito que é.

 

O fanático bolsonarista não o vê como um político corrupto, mentiroso, genocida. Vê um profeta perseguido. Não vê um golpista. Vê um salvador. Não vê um criminoso. Vê um mártir. Um injustiçado.

 

Por isso, como digo: “Flávio Bolsonaro pode sair pelas ruas assaltando, matando crianças, idosos, mulheres... até o dia antes das eleições, que mesmo assim ele terá seus 30 e pouco por cento de seus votos.”

 

A fé cega não se abala com fatos. Ela os reinterpreta para confirmar sua crença.

 

IV. A REDE GLOBO E O CONDICIONAMENTO CULTURAL

4.1. A Globo como instrumento de dominação cultural

Também afirmo: “A rede globo, como sempre, é o instrumento de cultura norte-americano para convencimento das mentes dos brasileiros se manterem passivamente colônias dos EEUU.”

 

Essa afirmação encontra respaldo na história e na estrutura do Grupo Globo.

A Globo é o maior conglomerado de mídia do Brasil, com presença em TV, rádio, internet, jornais, revistas, cinema e música. Sua programação é transmitida para quase todo o território nacional e para mais de 100 países. Nenhum outro grupo midiático no Brasil tem esse alcance.

 

4.2. A dependência econômica

A Globo não é apenas um veículo de comunicação. É uma empresa capitalista que depende de publicidade para sobreviver. E quem anuncia na Globo? As grandes empresas — agronegócio, indústria, bancos, varejo. As mesmas empresas que financiam campanhas políticas de direita à extrema-direita, de fascistas.

 

Em 2024, o faturamento do grupo caiu para R$ 16,4 bilhões — quase metade do que era em 2014. A crise econômica do grupo o torna ainda mais dependente de aliados políticos que possam garantir publicidade estatal e benefícios regulatórios.

 

4.3. A homogeneização do discurso

A Globo não precisa impor uma ideologia explícita. Basta homogeneizar o discurso. Ao apresentar o bolsonarismo como uma opção política “legítima”, ao tratar o golpismo como “debate democrático”, ao silenciar as vozes críticas, a Globo normaliza o anormal e legitima o ilegítimo.

 

E, ao fazer isso, ela condiciona as mentes — não pela força, mas pela repetição. Não pela imposição, mas pela naturalização.

 

V. O PERIGO DA DITADURA TEOCRÁTICA

5.1. O que está em jogo

O meu alerta é: “Creio que 2/3 das mentes dos brasileiros já estejam condicionadas para conviver na ditadura bolsonaro teocrática da teologia do domínio.”

 

Se isso é verdade — e há evidências de que é —, o Brasil está a um passo de se tornar uma teocracia autoritária. Não uma teocracia no sentido tradicional [um Estado governado por sacerdotes], mas uma teocracia de massas — onde a maioria da população aceita ser governada por líderes que se dizem enviados de Deus, e onde a lei divina [interpretada por esses líderes] substitui a lei civil.

 

5.2. O que isso significa na prática

Em uma ditadura teocrática bolsonarista:

         i.            A laicidade do Estado seria abolida — a religião seria imposta como política pública;

        ii.            A liberdade religiosa seria restrita — apenas a “religião verdadeira” [a dos dominadores] seria tolerada;

      iii.            Os direitos humanos seriam subordinados à “lei de Deus” — mulheres, LGBTQIA+, indígenas, quilombolas, todos os que não se enquadram na moral dominante seriam perseguidos;

      iv.            A educação seria catequese — não formação de cidadãos, mas formação de fiéis;

        v.            A ciência seria negada — em nome da “fé”;

      vi.            A democracia seria uma farsa — eleições sem escolha real, oposição criminalizada, imprensa controlada.

 

5.3. O papel das igrejas

As igrejas que aderiram à Teologia do Domínio não são vítimas do bolsonarismo. São cúmplices ativas. Elas fornecem:

         i.            A legitimidade divina para o projeto de poder;

        ii.            A base de massa para as mobilizações;

      iii.            O discurso de ódio que desumaniza o adversário;

      iv.            O silêncio sobre os crimes do governo.

 

Em troca, recebem:

         i.            Poder político — cargos, emendas, influência;

        ii.            Proteção jurídica — blindagem contra investigações;

      iii.            Expansão institucional — mais templos, mais fiéis, mais dinheiro.

 

VI. MINHAS CONSIDERAÇÕES FINAIS SÃO: O QUE FAZER?

Estou certo de que tenho razão quando afirmo que o bolsonarismo é muito pior do que podemos pensar e falar. E a Teologia do Domínio é a alma desse projeto — a força que o torna tão difícil de combater, porque não se combate fé com fatos.

 

Mas há caminhos. E eles passam por:

6.1. Denunciar a fusão entre religião e política

Não se trata de atacar a fé. Trata-se de denunciar o sequestro da fé por um projeto de poder. A Teologia do Domínio não é cristianismo — é idolatria do poder. Tanto que já tem partido político vigente, com eleitos por todo o país. E os cristãos que realmente seguem o Evangelho devem ser os primeiros a denunciá-la.

 

6.2. Fortalecer a laicidade do Estado

A laicidade não é inimiga da religião. É garantia de que todas as religiões possam coexistir em paz. Sem laicidade, a religião do poder se torna a religião única oficial — e todas as outras são proibidas e perseguidas.

 

6.3. Educar para o pensamento crítico

A única vacina contra o fanatismo é a educação crítica. Uma educação que ensine a duvidar, a questionar, a pensar por si mesmo. Uma educação que não forme fiéis, mas cidadãos.

 

6.4. Construir redes de resistência

Nenhuma luta se vence sozinho. É preciso articular as resistências — igrejas progressistas, movimentos sociais, universidades, sindicatos, comunidades de base — em uma frente ampla contra a teocracia bolsonarista de mortes.

 

6.5. Manter a esperança

Afirma que 2/3 das mentes brasileiras já estão condicionadas. Pode ser que eu esteja certo. Mas 1/3 ainda resiste. E, na história, minorias conscientes já mudaram o mundo.

 

A luta é difícil. Mas não é impossível.

 

— Porque a fé verdadeira não escraviza: liberta. E a liberdade é o dom mais precioso que Deus deu à humanidade.

 

Pesquisas, leituras em profundidades, análises, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos parágrafos/textos:

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Em diálogo holístico e transdisciplinar com você, leitor/a

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

∞ Diretor-Presidente e Fundador da Fundação Brasil de Fomento à Educação Ambiental e Humanística

 

∞ Imperatriz/MA, São Miguel/TO – Reserva EcoFloresta Lagoa da Onça – 30 de setembro de 2026

 

Contatos:
prof.negreiros@gmail.com
fundacaobrasileducacional@gmail.com
[99] 98154-0899 – WhatsApp

 

 

________

[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

terça-feira, 29 de setembro de 2026

MORTES QUE AS BETS JÁ CAUSARAM

 AS MORTES QUE AS BETS JÁ CAUSARAM E A PROIBIÇÃO COMO ACERTO HISTÓRICO

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

 

I. À GUISA DE ANTELÓQUIO: O RASTRO DE SANGUE QUE A MÍDIA NÃO MOSTROU

Início fazendo uma pergunta direta e brutal: quantas mortes, quantos assassinatos já ocorreram em família por causa dos vícios nos jogos nas bets? E mais: é um acerto social o governo Lula ter proibido as bets?

 

A resposta exige coragem para encarar o que a grande mídia, financiada pelos anunciantes das bets, preferiu esconder. Exige também rigor para separar o que é dado empírico do que é retórica política.

 

Não há um número oficial consolidado de mortes diretamente atribuídas às bets no Brasil — porque o Estado nunca tratou o problema como questão de saúde pública, e a Justiça arquivou processos por falta de provas. Mas os rastros existem. E são profundos.

 

II. O QUE OS DADOS REVELAM

2.1. Os custos sociais mensurados

Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde [IEPS] estimou que os danos associados a apostas e jogos de azar no Brasil geram um custo social anual de R$ 38,8 bilhões. Desse total:

a.        R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio;

b.       R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida com depressão;

c.        R$ 3 bilhões em tratamentos médicos para depressão;

d.       R$ 1,3 bilhão por perda de moradia;

e.        R$ 2,1 bilhões em benefícios de seguro-desemprego;

f.         R$ 4,7 bilhões por encarceramento decorrente de atividade criminal.

 

O dado é estarrecedor: R$ 17 bilhões — quase metade do custo social total — estão associados a suicídios ligados ao vício em apostas.

 

2.2. A subnotificação e o silêncio institucional

Esses números, porém, são estimativas. A realidade pode ser pior.

Em julho de 2026, a influenciadora e servidora do IML de Anápolis [GO], Sharen Machado, relatou publicamente que, em apenas três plantões recentes, presenciou seis casos de autoextermínio com relatos de familiares ligando as mortes a dívidas de apostas.

 

“Atinge todos os públicos: de gente rica a gente pobre, de pessoas com empregos dos sonhos a baixa renda, de jovens a pessoas mais idosas... deixando carta, falando que não aguentava mais e tirando a própria vida”, detalhou a servidora.

 

A professora Vânia, de Uberlândia [MG], perdeu o filho Rafael Borges Amaral, de 26 anos, para o suicídio após meses de endividamento e isolamento causados pelo vício em bets. Ela tentou responsabilizar os influenciadores que bombardearam o filho com publicidade, mas a Polícia Civil e o Ministério Público arquivaram o caso por falta de provas.

 

“A polícia me recebeu com bastante indiferença. Por ser um auto-extermínio, pressupõe-se que não há uma pessoa que tenha diretamente contribuído para a morte”, desabafou Vânia.

 

2.3. A violência intrafamiliar

A violência doméstica associada às apostas é outro dado que emerge dos estudos. Segundo dados compilados no dossiê “Brasil Sem Azar”, 45% dos casos de dívidas com apostas relatam impacto direto na família, com escalada de conflitos financeiros, tensão psicológica, negligência familiar e rupturas.

 

O caso mais brutal documentado ocorreu em Vespasiano [MG], em julho de 2025. Matteos França Campos, de 32 anos, estrangulou a própria mãe, a professora de História Soraya Tatiana Bomfim França, de 56 anos, após uma discussão sobre dívidas com apostas online. Ele ocultou o corpo sob um viaduto, simulou o desaparecimento da mãe e tentou despistar os investigadores.

 

A delegada responsável foi categórica: “Ele participava de jogos de apostas na internet, o que o levou a ter um colapso financeiro. Esse problema foi motivo de várias discussões entre eles”.

 

Este é um assassinato em família diretamente ligado a bets.

 

III. A PROIBIÇÃO: ACERTO OU OPORTUNISMO ELEITORAL?

3.1. O que a proibição representa

Em 25 de setembro de 2026, o governo Lula publicou a Medida Provisória 1.394/2026, proibindo a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A medida revogou a regulamentação anterior [Lei 14.790/2023] e determinou que as plataformas saiam do ar a partir de 6 de outubro.

 

A decisão veio nove dias antes das eleições de 4 de outubro, o que gerou acusações de oportunismo eleitoral.

 

3.2. O contexto histórico: quem criou o problema

Para avaliar se a proibição é um acerto, é preciso entender a trajetória:

1.      2018 – Governo Temer: As apostas de quota fixa foram legalizadas pela Lei 13.756/2018, no apagar das luzes do governo Michel Temer. A lei previa regulamentação em até quatro anos.

2.      2019-2022 – Governo Bolsonaro: A regulamentação não foi feita. As bets operaram sem regras por pelo menos cinco anos, devastando famílias e drenando bilhões da economia popular.

3.      2023 – Governo Lula: O governo enviou ao Congresso a regulamentação. Lula sancionou a Lei 14.790/2023, que criou regras de licenciamento, tributação e proteção ao consumidor.

4.      2024 – Regulamentação em vigor: A partir de 1º de janeiro de 2025, as bets autorizadas passaram a operar sob regras — proibição de cartão de crédito, vedação de bônus, restrições à publicidade, mecanismos de autoexclusão.

5.      2026 – A proibição: Diante da constatação de que a regulação não funcionou — os danos sociais continuaram, as perdas das famílias atingiram R$ 62,5 bilhões, e as suspeitas de lavagem de dinheiro se multiplicaram — o governo optou pela proibição total.

 

3.3. O acerto social

Sim, a proibição é um acerto social.

Os argumentos são sólidos:

1.      A regulação falhou em proteger os vulneráveis. A lei determinava que empresas bloqueassem usuários compulsivos, mas “isso nunca ocorreu”, segundo o advogado Júlio Leone.

2.      O modelo de negócio é predatório por natureza. As bets não são entretenimento; são máquinas de extração de renda da população pobre. Dados do Banco Central mostram que 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões para bets em agosto de 2024.

3.      As perdas das famílias são insustentáveis. Só no último ano, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets—uma média de R$ 4,7 bilhões por mês.

4.      O custo em vidas humanas é inaceitável. R$ 17 bilhões em suicídios. Seis autoextermínios em três plantões. Uma mãe estrangulada pelo filho. Uma professora que perdeu o filho e não conseguiu justiça. Esses números e histórias não são abstratos — são o preço que a sociedade pagou pela omissão do Estado.

 

3.4. O que a proibição não resolve

A proibição é um avanço, mas não é suficiente. É preciso:

a.        Tratamento para os viciados: O SUS precisa de uma rede de acolhimento para ludopatas. Já há esforços nesse sentido, mas são insuficientes.

b.       Responsabilização dos influenciadores: A professora Vânia quer ver os influenciadores na Justiça. Ela os chama de “traficantes modernos”. A CPI das Bets rejeitou o relatório final que pedia o indiciamento de 16 responsáveis por empresas de apostas e influenciadores.

c.        Combate ao mercado ilegal: A proibição atinge as bets autorizadas, mas o mercado clandestino pode prosperar. A fiscalização é essencial.

d.       Educação financeira e prevenção: É preciso ensinar as crianças e jovens que apostar não é investimento — é ilusão.

 

IV. CONCLUSÃO: UM ACERTO COM GOSTO DE URGÊNCIA

O governo Lula acertou ao proibir as bets. Mas acertou tarde — tarde demais para Soraya, tarde demais para Rafael, tarde demais para os seis suicidas de Anápolis, tarde demais para as milhares de famílias destruídas.

 

A proibição foi anunciada a nove dias das eleições, o que levanta a suspeita de oportunismo. Mas a suspeita não invalida o acerto. Se o governo tivesse proibido as bets em 2023, quando sancionou a regulação — ou em 2024, quando Lula disse “se a regulação não der conta, eu acabo com elas” — o rastro de mortes seria menor.

 

O problema não é a intenção. É o tempo.

A pergunta que fica é: por que o Brasil esperou tanto? Por que a CPI das Bets foi arquivada? Por que a Polícia Civil tratou o caso de Rafael com “indiferença”? Por que a grande mídia, que lucrou com a publicidade das bets, só agora noticia o problema?

 

A resposta está na mesma lógica que eu denuncio em meus escritos: o capitalismo transforma a vida em mercadoria e a morte em estatística. As bets eram [e são] um negócio lucrativo. Os influenciadores ganhavam comissão. As plataformas de mídia faturavam com anúncios. O Congresso estava capturado.

 

A proibição das bets é um acerto. Mas é um acerto arrancado à força — pela pressão da sociedade civil, pelas mães que perderam filhos, pelos profissionais de saúde que viram o colapso nos CAPS, pelos servidores do IML que contam os corpos.

 

Não é uma vitória do governo. É uma vitória da resistência.

 

— Porque a vida não é um jogo. E a morte não é uma aposta.

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Em diálogo holístico e transdisciplinar com a sociedade vítimizada pelas bets e políticos...

Imperatriz [MA], 29 de setembro de 2026

 

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