ANDRÉ MENDONÇA E O GOLPE DE ESTADO POR DENTRO DO STF — A NECROBOLSONARIZAÇÃO DA SUPREMA CORTE
_∞ Por
Professor[*] Negreiros,
Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares
em Educação, Meio Ambiente e Política
A DEMOCRACIA SOB O FACÃO 22¨
“RABO DE GALO” DO “TERRIVELMENTE EVANGÉLICO”
UMA ANÁLISE TÉCNICO‑JURÍDICA
E POLÍTICO‑INSTITUCIONAL
Ontem, dia 8 de setembro de 2026, o ministro André Mendonça, do
Supremo Tribunal Federal, sentou-se na cadeira de sua relatoria e, com a caneta
que jurou defender a Constituição, decapitou o comando da Polícia Federal. Afastou o
diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada, sob
a alegação de que relatórios de inteligência da corporação o haviam
“monitorado” de forma ilegal.
Não foi um ato de jurisdição. Foi um ato de guerra.
O “terrivelmente evangélico” do bolsonarismo — como o próprio se
autodenominou — deu o passo mais ousado de sua carreira na Corte: usou o poder
do STF para proteger os investigados do bolsonarismo, desmontar a estrutura de
investigação que os persegue e alvejar Alexandre de Moraes, o principal algoz
da extrema-direita no Judiciário.
O golpe de estado tentado por Bolsonaro por dentro da democracia,
agora é tentado por dentro do STF, do estado democrático de direito, por André
Mendonça — em retribuição ao que Bolsonaro já fez por ele. Esta é a análise que
se impõe.
OS QUATRO RELATÓRIOS DE
INTELIGÊNCIA DA PF — O QUE REVELAM E O QUE MENDONÇA TENTOU ESCONDER
1.
O que eram os relatórios?
Entre 3 e 31 de agosto de 2026, a Polícia Federal produziu ao menos seis
relatórios de inteligência que analisavam:
i.
Decisões judiciais do ministro André Mendonça;
ii.
Sua relação com outras autoridades, incluindo o advogado-geral da
União, Jorge Messias;
iii.
Possíveis motivações políticas para atos praticados no exercício
do cargo;
iv.
O tempo gasto pelo ministro para despachar pedidos da PF e os
critérios usados nas investigações.
Os relatórios, contudo, não descreviam interceptações
telefônicas ou vigilância física do
ministro. Tratavam-se de análises de cenário — o que, no jargão da
inteligência, significa cruzar informações públicas e decisões judiciais para
identificar padrões e levantar hipóteses.
O próprio relatório admitia, em notas de rodapé, que parte das
informações tinha grau baixo ou moderado de confiabilidade e
que o documento era “sem valor probatório”.
2.
O que Mendonça fez com os relatórios
Mendonça classificou os documentos como “apócrifos” —
sem timbre, sem identificação de autoria e sem data. Afirmou ter sido alvo
de “monitoramento
ilícito” e comparou a atuação da PF à distopia de 1984,
de George Orwell, evocando a figura do “Grande Irmão”.
A decisão que afastou Andrei e Almada foi tomada sem ouvir a
Procuradoria-Geral da República e sem consultar
o Pleno do STF.
O ministro Flávio Dino, em decisão no dia de hoje [9/9/26],
afirmou que Mendonça agiu “em causa própria” — ou seja, decidiu sobre
um caso em que ele próprio era parte interessada. Dino também destacou
que a interrupção das investigações beneficia “sobretudo os
investigados”.
3.
A contradição exposta: Mendonça faz o que acusa
Mendonça acusa Moraes de ter “ciência prévia” dos relatórios. Mas,
para obter essa “prova”, quebrou o sigilo do inquérito que cita Moraes em 24 horas —
enquanto mantém sob sigilo o inquérito do caso Dark Horse, que envolve Flávio
Bolsonaro, seu protegido.
O ministro que acusa os outros de “perseguição política” é o mesmo
que retirou o sigilo de mensagens de Daniel Vorcaro —
que revelaram um suposto pedido do banqueiro para que Moraes interferisse a seu
favor na atuação da PGR e da PF.
Mendonça é o espelho invertido de tudo o que denuncia.
ANDRÉ MENDONÇA — O QUE É VERDADE
E O QUE É MENTIRA?
3.1.
O que é verdade
i.
É verdade que a PF produziu relatórios de
inteligência analisando a atuação de Mendonça.
ii.
É verdade que os relatórios não tinham valor
probatório formal.
iii.
É verdade que Mendonça afastou o diretor-geral
da PF sem ouvir a PGR.
iv.
É verdade que Alexandre de Moraes pediu
investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade
administrativa.
v.
É verdade que a Segunda Turma do STF formou
maioria para manter o afastamento de Andrei, mas o ministro Gilmar Mendes pediu
vista e suspendeu o julgamento.
3.2.
O que é mentira (ou distorção)
i.
É mentira que os relatórios configuraram
“monitoramento ilegal” no sentido de vigilância física ou escuta — tratavam-se
de análises documentais.
ii.
É mentira que Mendonça agiu com isenção — ele
é parte
interessada no processo que o menciona.
iii.
É mentira que a decisão de afastar Andrei é
juridicamente incontestável — a AGU pediu sua revogação.
iv.
É mentira que Mendonça é vítima de perseguição
— ele persegue Moraes para proteger o bolsonarismo.
O QUE É LEGAL E O QUE É ILEGAL?
Ato 1: Produção de
relatórios de inteligência sobre atuação de ministro do STF
Legalidade: Discutível —
a lei permite análise de cenário, mas não “monitoramento” de magistrados
Ato 2: Afastamento
do diretor-geral da PF sem ouvir a PGR
Legalidade: Ilegal — viola
o devido processo legal e a separação dos poderes
Ato 3: Quebra de
sigilo de inquérito contra Moraes em 24 horas
Legalidade: Legal formalmente,
mas politicamente suspeita e seletiva
Ato 4: Manutenção de
sigilo do inquérito contra Flávio Bolsonaro
Legalidade: Ilegal por omissão — viola
o princípio da isonomia
Ato 5: Decidir “em
causa própria” sobre relatórios que o mencionam
Legalidade: Ilegal — fere
a imparcialidade judicial
ANDRÉ MENDONÇA É IMPARCIAL OU
PARCIAL?
A resposta é uma só: parcial.
i.
Foi indicado por Jair Bolsonaro como “terrivelmente
evangélico”.
ii.
Atua como articulador da campanha de Flávio Bolsonaro dentro do STF.
iii.
Mantém sob sigilo o inquérito que envolve Flávio Bolsonaro (Dark
Horse).
iv.
Quebrou o sigilo contra Moraes em 24 horas para
gerar um fato político às vésperas das eleições.
v.
Afastou o chefe da PF que poderia investigar seus
aliados.
O ministro Flávio Dino, ao determinar no dia de hoje, a
reintegração de Andrei, afirmou que a interrupção dos trabalhos de investigação interessa “sobretudo
aos investigados”. Não se trata de uma acusação de dolo,
mas de uma constatação objetiva: o afastamento do diretor da
PF paralisou
investigações que atingem o bolsonarismo.
HÁ ELEMENTOS PARA AFASTAR ANDRÉ
MENDONÇA DAS RELATORIAS?
Sim. E os fundamentos são graves:
1.
Decisão “em causa própria” — Mendonça afastou o diretor
da PF em um caso em que ele próprio é mencionado em relatórios.
2.
Violação do devido processo legal —
decidiu sem ouvir a PGR.
3.
Quebra de isonomia — mantém sigilo sobre Flávio Bolsonaro, mas quebra contra
Moraes.
4.
Desvio de finalidade — usa o STF para fins políticos, não jurisdicionais.
5.
Crime de responsabilidade — Moraes já pediu sua
investigação por improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de
responsabilidade.
O pedido de Moraes, protocolado em 3 de setembro de 2026, acusa
Mendonça de quebra da “imparcialidade judicial” e “favorecimento a
determinados grupos políticos”.
A anulação do caso Master — assim como ocorreu com a Lava Jato
após o vazamento de conversas entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro — é uma
possibilidade real se ficar comprovado que Mendonça agiu com parcialidade. O
que interessa a ele e ao Bolsonaro/ismo. À toda a direita e extrema-direita,
aos fascistas.
A REDE GLOBO — FIEL AOS SEUS
PRINCÍPIOS… DE GOLPE
Afirmo, com razão: “A rede [grupo] Globo, desde quando foi inaugurada no Brasil como
filiada do governo dos EEUU, fomentou e fomenta; e garantiu e garante todos os
golpes de estado já acontecidos e que pretende que aconteça no Brasil.”
1.
A Globo e o golpe de 1964
A Rede Globo foi uma das mais entusiasmadas defensoras do
golpe de 1964 e do sangrento regime que se sucedeu. A Al
Jazeera, em reportagem, desmascarou sua participação no golpe
militar. Anos depois, a empresa se desculpou publicamente por ter
apoiado o golpe — mas apenas quando o vento já havia
mudado.
2.
A Globo e o golpe contra Dilma Rousseff (2016)
A Al Jazeera também documentou a participação
da Globo no processo de impeachment contra Dilma Rousseff. A
emissora foi acusada de manipulação editorial para construir a
narrativa do “golpe necessário”. Um dos críticos mais contundentes afirmou
que a Globo, ao colaborar com o golpe que depôs Dilma, “estaria
dando o maior tiro no pé da sua história”.
3.
A Globo e a Lava Jato — a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro
A relação entre a Globo e a Lava Jato é umbilical. A emissora se
engajou na campanha de denúncias que culminaram com a condenação e prisão de
Lula, facilitando o caminho para a ascensão de
Bolsonaro em 2018. O ministro Gilmar Mendes afirmou
que a Lava Jato “apoiou a eleição de Jair Bolsonaro”. As
pesquisas Ibope/Estado/TV Globo, divulgadas na época, mostraram Bolsonaro como
líder isolado num cenário sem Lula – preso e condenado injustamente.
4.
A Globo hoje — o mesmo roteiro
A cobertura da crise entre Mendonça e Moraes, com vazamentos
calculados e manchetes sensacionalistas, segue o mesmo roteiro da Lava Jato:
criminalizar o inimigo político, espetacularizar a acusação, e criar uma
narrativa que sirva a interesses eleitorais. A Globo, como sempre, está do lado
de quem pode lhe dar mais audiência e mais poder — e esse lado,
hoje, é o bolsonarismo.
MINHAS CONSIDERAÇÕES FINAIS — O
GOLPE CONTINUA, SÓ MUDOU DE ENDEREÇO
O golpe de estado tentado por Bolsonaro por dentro da
democracia agora é tentado por dentro do STF, do estado democrático de
direito, por André Mendonça.
O que vimos em 8 de setembro de 2026 foi a consumação de
um ato golpista institucional: um ministro do STF, agindo
sozinho, sem ouvir a PGR, em causa própria, decapitou o
comando da Polícia Federal para proteger os investigados
do bolsonarismo e alvejar Alexandre de Moraes.
Mendonça age claramente para eleger Flávio Bolsonaro e um
Senado que possa fechar o STF.
Ele não é um juiz. É um operador político dentro
da Corte. Cada ação sua é um passo em direção à ditadura
monárquico-miliciana que o bolsonarismo sonha em implantar
no Brasil.
Mas há uma contradição: ao agir com tanta desfaçatez,
Mendonça cavou sua própria cova. A decisão de afastar
Andrei sem ouvir a PGR pode ser anulada. A pressão da opinião pública, se bem
orientada, pode reverter votos contrários. E o próprio Moraes, embora
alvejado, ainda tem maioria no tribunal.
A pergunta que fica é: o STF terá coragem de fazer o que a Constituição exige — afastar
um ministro que age como agente político de uma facção criminosa e golpista?
O Brasil não pode se acostumar com tentativa de golpe nem com o
golpe executado por um terço de sua população. Não pode normalizar a obscenidade
jurídica. Não pode aceitar que um ministro do STF atue
como articulador de campanha dentro da Corte.
O golpista no STF precisa ser enfrentado. E precisa ser derrotado
— antes que ele derrote a democracia. DERROTE O BRASIL!!
— A memória é o único antídoto contra o esquecimento. E o
esquecimento é a única arma do crime.
Pesquisas, leituras, análises, seleção, elaboração, adaptação,
produção e organização dos parágrafos/textos:
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Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes
_∞
Pesquisador Consultor-Analista
e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente
e Política
_∞ Pedagogo, Filósofo e
Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]
_∞ Pós-Graduado em Docência da
Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia
Ambiental
_∞ Especialista em Direito e
Legislação Educacional
Contatos:
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