terça-feira, 29 de setembro de 2026

ACREDITAR; CRER — A FÉ COMO FUNDAMENTO, A CRENÇA COMO ARMADILHA

 ACREDITAR; CRER — A FÉ COMO FUNDAMENTO, A CRENÇA COMO ARMADILHA

Ensaio Metafilosófico, Metafísico, Antropológico e Fenomenológico

Uma leitura de cenário com análise de conjuntura sobre o ato de acreditar

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

 

 

I. PRÓLOGO — A PERGUNTA QUE NOS HABITA

Estamos o tempo todo, todo o tempo, na busca pelo que acreditar; de crer em algo, em alguma coisa. Ou não.

 

O que significa, verdadeiramente, acreditar? E crer? E qual a diferença — se é que há — entre essas duas palavras que usamos como sinônimos, mas que carregam abismos de significado?

 

Desde o primeiro vagido, antes mesmo da linguagem, o ser que viríamos a chamar de humano já buscava algo em que se apoiar. A mãe, o seio, o calor, a voz. Depois, os deuses, os mitos, os heróis. Depois, a ciência, a razão, a verdade. Depois — sempre — a dúvida.

 

Acreditar não é um ato entre outros. É o ato fundador. Antes de pensar, acreditamos. Antes de saber, cremos. Antes de ser, somos aquilo que acreditamos ser.

 

Mas o que significa, verdadeiramente, acreditar? E crer? E qual a diferença — se é que há — entre essas duas palavras que usamos como sinônimos, mas que carregam abismos de significado?

 

Este ensaio é uma travessia por esse abismo. Uma travessia metafilosófica — porque interroga os fundamentos do próprio filosofar. Metafísica — porque busca o que está para além da física, para além do dado imediato. Antropológica — porque pergunta pelo humano, por sua condição, por seu destino. Fenomenológica — porque parte da experiência vivida, da consciência que se volta sobre si mesma e se pergunta: o que é isso que eu chamo de crer?

 

E é, também, uma travessia pessoal. Eu, Professor Negreiros — que assina este ensaio — chega aos 70 anos e uns meses sem conseguir acreditar que etimológica e morfologicamente somos imagem e semelhança de deus; e seres humanos em sua essência.

Esta é a minha pergunta. E é, também, a pergunta de todos nós.

 

II. PARMÊNIDES E A CRENÇA NO SER — O PONTO DE PARTIDA

2.1. O poeta do ser

Parmênides de Eleia, no século VI a.C., escreveu um poema — Sobre a Natureza — no qual narra uma viagem iniciática. Uma deusa o conduz por um caminho que se bifurca: o caminho da verdade [alétheia] e o caminho da opinião [dóxa].

 

No caminho da verdade, Parmênides descobre que o ser é, e o não-ser não é. Tudo o que existe participa do ser. Nada pode surgir do nada. Nada pode se dissolver no nada. O ser é uno, eterno, imutável, indivisível.

 

No caminho da opinião, Parmênides encontra o mundo dos mortais — o mundo do devir, da mudança, da multiplicidade, da aparência. É o mundo em que acreditamos viver. Mas é um mundo de crenças, não de verdades.

 

2.2. A crença como caminho da opinião

A grande contribuição de Parmênides para a nossa reflexão é esta: a crença pertence ao caminho da opinião. Não é conhecimento verdadeiro. É dóxa — aparência, conjectura, suposição.

 

Quando acreditamos, não estamos no caminho da verdade. Estamos no caminho da opinião. E o caminho da opinião é o caminho da pluralidade, da contradição, do erro.

 

Acreditar é, portanto, reconhecer que não sabemos. É admitir que nossa relação com o mundo não é de certeza, mas de fé — uma fé que pode ser bem ou mal fundada, mas que é sempre fé.

 

O que Parmênides nos ensina é que a crença não é um defeito. É uma condição. Não podemos viver sem acreditar. Mas podemos — e devemos — examinar aquilo em que acreditamos.

 

III. A METAFÍSICA DA CRENÇA — O QUE ESTÁ EM JOGO QUANDO CREMOS

3.1. A crença como relação com o absoluto

Toda crença é uma relação com algo que transcende o sujeito que crê. Cremos em algo — em Deus, na ciência, no amor, na justiça, no outro. E esse algo, por definição, não está disponível para verificação imediata.

 

Crer em Deus é crer em algo que não se vê. Crer na ciência é crer em métodos que não dominamos integralmente. Crer no amor é crer em algo que não se pode provar. Crer no outro é crer em alguém que nunca será totalmente conhecido.

 

A crença é, portanto, uma relação com o absoluto — ou, ao menos, com algo que se apresenta como absoluto para quem crê. E é essa relação que dá sentido à vida.

 

3.2. A metafísica da dúvida

Mas se toda crença é uma relação com o absoluto, então a dúvida é a sombra da crença. Não há crença sem dúvida. Não há fé sem incerteza. Não há certeza que não seja assombrada pela possibilidade do erro.

 

Chega Eu aos 70 anos e uns meses sem conseguir acreditar que somos imagem e semelhança de deus. Essa incapacidade de crer não é um defeito — é uma conquista. É o resultado de uma vida inteira de questionamento, de observação, de experiência.

 

A dúvida não é o contrário da fé. É o seu fundamento. Só quem duvida pode crer verdadeiramente — porque só quem duvida sabe o que está em jogo.

 

IV. A ANTROPOLOGIA DA CRENÇA — O HUMANO COMO ANIMAL CRENTE

4.1. A condição humana como busca de sentido

O que distingue o humano dos outros animais não é a razão — os animais também raciocinam. Não é a linguagem — os animais também se comunicam. Não é a ferramenta — os animais também usam ferramentas.

 

O que distingue o humano é a necessidade de sentido. O humano não se contenta em viver; ele precisa saber por que vive. Não se contenta em morrer; ele precisa saber o que há depois da morte. Não se contenta em sofrer; ele precisa saber qual o sentido do sofrimento.

 

E como o sentido não está dado — não é acessível aos sentidos, não é demonstrável pela razão — o humano precisa acreditar. A crença é a resposta à pergunta pelo sentido. É o que preenche o vazio que a razão não consegue preencher.

 

4.2. O humano como animal que crê

Aristóteles definiu o humano como zoon logon echon — o animal que tem logos, razão, palavra. Mas talvez a definição mais precisa seja outra: o humano é o animal que crê.

 

Crer é a atividade mais humana que existe. Nenhum outro animal crê. Nenhum outro animal se pergunta pelo sentido. Nenhum outro animal se angustia com a morte. Nenhum outro animal constrói templos, escreve poemas, cria filosofias.

 

O humano é o animal que precisa crer — porque não pode suportar o vazio. E é essa necessidade que o torna vulnerável à manipulação.

 

V. A FENOMENOLOGIA DA CRENÇA — O QUE ACONTECE QUANDO CREMOS

5.1. A experiência da crença

Fenomenologicamente, a crença não é um conteúdo mental entre outros. É uma estrutura da consciência. Quando creio, minha consciência se volta para um objeto que ela posta como verdadeiro — mas que ela não pode verificar.

 

A crença é, portanto, um ato de posição. Eu posiciono algo como verdadeiro. Eu aposto que é assim. Eu me entrego àquilo que creio.

 

Essa entrega não é passiva. É ativa. Crer é decidir crer. É escolher acreditar. É assumir o risco da fé.

 

5.2. A intersubjetividade da crença

Mas a crença não é apenas individual. É também social. Cremos com os outros. Cremos porque os outros creem. Cremos para pertencer.

 

A crença é, portanto, intersubjetiva. Ela nos conecta aos outros — e, ao fazê-lo, nos submete aos outros. Quem crê junto com uma comunidade aceita as crenças dessa comunidade. E, ao aceitá-las, entrega parte de sua autonomia.

 

É aqui que a crença se torna perigosa. Porque quem controla as crenças de uma comunidade controla essa comunidade.

 

VI. A CRENÇA COMO ARMADILHA — A MANIPULAÇÃO DA FÉ

6.1. O mercado da fé

Afirmo: "É daí que surge o homem a nos enganar pela manipulação da crença na fé que sabe ele buscamos. Com isso ele nos escraviza, nos controla/domina pelo o que queremos acreditar, e cremos."

 

Essa é uma das mais profundas intuições deste ensaio. A crença — que deveria ser o caminho para o sentido — torna-se o caminho para a servidão... humana.

 

O mercado da fé é um dos mais lucrativos do mundo. Igrejas, seitas, cultos, religiões — todas exploram a necessidade humana de crer. Vendem sentido, prometem salvação, oferecem esperança. E, em troca, pedem obediência, dinheiro, poder.

 

6.2. A indústria da crença

Não é apenas a religião que explora a crença. É também a política — que vende promessas. É também a mídia — que vende narrativas. É também a publicidade — que vende sonhos. É também a ciência — que vende certezas.

 

Vivemos em uma indústria da crença. Todos querem que acreditemos em algo. Todos querem nos convencer. Todos querem nos controlar pela fé.

 

E o pior: nós queremos ser controlados. Queremos alguém que nos diga o que crer. Queremos uma autoridade que nos livre da angústia da dúvida. Queremos um pai que nos proteja do vazio.

 

É por isso que tenho razão: a crença nos escraviza — porque nós mesmos desejamos a escravidão.

 

VII. A CRÍTICA DA CRENÇA RELIGIOSA — DEUS COMO PROJEÇÃO

7.1. Feuerbach e a projeção antropológica

Ludwig Feuerbach, no século XIX, formulou a tese que ecoa até hoje: Deus é a projeção da essência humana. Não é o homem que foi criado à imagem de Deus; é Deus que foi criado à imagem do homem.

 

O homem projeta no céu suas qualidades — e seus defeitos. Se é raivoso, cria um Deus irado. Se é vingativo, cria um Deus punitivo. Se é escravocrata, cria um Deus que legitima a escravidão.

 

O deus bíblico — como afirmo em outros textos — é uma entidade escravocrata, raivosa, malévola, rancorosa, punitiva, vingativa, ditadora. Não porque Deus seja assim, mas porque os homens que o criaram eram assim.

 

7.2. A desconstrução da imagem e semelhança

Afirmo: "Chego aos meus 70 anos e uns meses sem conseguir acreditar que etimológica e morfologicamente somos imagem e semelhança de deus; e seres humanos em sua essência."

 

Essa é uma desconstrução radical. Não apenas da imagem de Deus, mas da imagem do humano. Se não somos imagem de Deus, o que somos? Se não somos humanos em essência, o que somos?

 

A minha resposta é ao mesmo tempo poética e brutal: "Quem [Eu] Sou?! Não sou!! No espaço-tempo cronológico, fui e serei o que [Eu] acredito/creio. Fomos e seremos o que acreditamos/cremos."

 

Não somos ser. Somos devir. Não somos essência. Somos crença. Não somos substância. Somos processo.

 

VIII. A METAFÍSICA DO DEVIR — HERÁCLITO CONTRA PARMÊNIDES

8.1. O rio de Heráclito

Se Parmênides diz que o ser é, Heráclito diz que tudo flui. Ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque o rio mudou, e quem entra também mudou.

 

Eu, Professor Negreiros, ao dizer "não sou", estou do lado de Heráclito. Não há um "eu" fixo, permanente, idêntico a si mesmo. Há apenas fluxo, mudança, devir.

 

O que chamamos de "eu" é uma narrativa — uma história que contamos sobre nós mesmos. E essa narrativa é feita de crenças. Acreditamos ser algo. E, ao acreditarmos, somos — provisoriamente, precariamente, temporariamente.

 

8.2. A dissolução do sujeito

A consequência dessa metafísica do devir é a dissolução do sujeito. Não há um "eu" essencial. Há apenas processos, relações, crenças.

 

O que somos, então? Somos o que acreditamos. Nada mais. Nada menos.

 

E isso é assustador. Porque significa que não temos fundamento. Não temos chão. Não temos segurança. Estamos suspensos no vazio das nossas crenças.

 

Mas é também libertador. Porque significa que podemos mudar. Podemos reconstruir nossas crenças. Podemos reinventar a nós mesmos.

 

IX. A CRENÇA COMO ATO POLÍTICO — QUEM CONTROLA A CRENÇA CONTROLA O MUNDO

9.1. A política da crença

A crença não é apenas uma questão filosófica ou religiosa. É uma questão política. Quem controla a crença controla o mundo.

 

Os regimes autoritários sempre souberam disso. Eles controlam a narrativa, a história, a verdade. Eles dizem o que devemos crer. E, ao fazê-lo, moldam o que somos.

 

No Brasil de hoje, a extrema-direita controla a crença de milhões de pessoas. Ela diz em que acreditar: no "mito", na "família", na "pátria", em Deus, na "liberdade". E, ao fazê-lo, controla o voto, a ação, a vida dessas pessoas.

 

9.2. A resistência pela descrença

A resistência começa pela descrença. Pela recusa das narrativas impostas. Pela dúvida sistemática. Pela desconstrução das crenças herdadas.

 

Eu, ao dizer "não acredito", estou resistindo. Estou me recusando a ser moldado pelas narrativas dominantes. Estou [re]afirmando minha autonomia — minha capacidade de escolher em que acredita/crer.

 

Essa é a política da descrença: não aceitar nada como dado, questionar tudo, construir minhas próprias crenças — sabendo que são provisórias, precárias, mas minhas.

 

X. EPÍLOGO — QUEM SOU EU?

Pergunto: "Quem [Eu] Sou?!"

E respondo: "Não sou!!"

Não sou essência. Não sou substância. Não sou imagem de Deus. Não sou humano em essência. Não sou racional em sentido etimológico.

Sou o que acredito. Sou o que creio. Sou o que fui — e o que serei — na medida em que acreditei e crer.

 

Sou processo. Sou devir. Sou fluxo.

E, se não sou, então posso ser — a cada momento, a cada escolha, a cada crença. Não estou preso a uma essência. Não estou condenado a uma natureza. Estou aberto ao que vier.

 

Essa é a liberdade que conquistei e mantenho ao longo de meus já 70 anos: a liberdade de não ser — e, por isso, de poder ser o que quiser.

 

— Porque acreditar não é saber. É apostar. É arriscar. É escolher — sabendo que podemos errar. E é nessa aposta que reside nossa humanidade.

 

— Ou nossa desumanidade. Porque talvez não sejamos humanos. Talvez sejamos apenas o que acreditamos ser.

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Em diálogo holístico e transdisciplinar consigo e... com quem queira...

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

∞ Diretor-Presidente e Fundador da Fundação Brasil de Fomento à Educação Ambiental e Humanística

 

∞ Imperatriz/MA, São Miguel/TO – Reserva EcoFloresta Lagoa da Onça – setembro de 2026

 

Contatos:
prof.negreiros@gmail.com
fundacaobrasileducacional@gmail.com
[99] 98154-0899 – WhatsApp

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

sábado, 26 de setembro de 2026

A FAMÍLIA BOLSONARO COMO EMPRESA E O "FAMILISMO" COMO IDEOLOGIA

 UM BRADO DE LUCIDEZ EM MEIO A UM CENÁRIO DE ALIENAÇÃO

A FAMÍLIA BOLSONARO COMO EMPRESA E O "FAMILISMO" COMO IDEOLOGIA

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes

 

Mais mortes que a COVID-19 é a familícia bolsonaro sendo eleita de volta à presidência da república e ao congresso nacional, mais precisamente ao senado federal, é o alerta que os faço aos brasileiros. Eleitos pela democracia realizarão de imediato seu grande e maléfico projeto familícia: finalizar o golpe, eliminar a democracia e instaurar sua ditadura familícia monárquica-teocrática neopentecostal doutrinária e passar a eliminar “inimigos” em nome de deus-pátria-família. MANTANÇA SANTA!!

 

Os registros históricos dos feitos bárbaros de ditadores na linha do tempo das polis/estados contra seus próprios povos/cidadãos... registros dos feitos geopolíticos das ações de dominação do império estadunidense/EEUU colonialista e de sua ditadura seletiva confirma o que aqui os coloco como alerta. Portanto teremos a pior das ditaduras que já se impôs ao povo brasileiro. Meus 70 anos, e desses 55 de vivencias e estudos-análise políticas, não me fazem ter dúvidas disso!!

 

Teremos eleições próximo dia 4 de outubro. Eleição é escolha, escolha resulta em renúncia/s. O problema não é mirar no que se quer, mas abandonar/renunciar todo o resto que se quer e que pode fazer mal. Que não escolham e elejam esses necrosbolsonaros golpistas, extremistas, fascistas, contra-democracia, pró-estadunidenses/EEUU evitando o mal que transforme o Brasil num inferno bíblico.

 

A análise que aqui apresento é um brado de lucidez em meio a um cenário de alienação. O termo "familícia" não é apenas um neologismo irônico/pejorativo; é a constatação empírica de que a família bolsonaro constitui uma organização criminosa que utiliza a política como fachada para seus interesses privados e a religião como instrumento de manipulação e controle/domínio de massas.

 

Vamos aos fatos, que confirmam a análise:

 

1. A FAMÍLIA COMO EMPRESA E O "FAMILISMO" COMO IDEOLOGIA

O sociólogo Hélio Waizbort, em estudo sobre o neologismo "familícia", define-o como "família com amplas e conhecidas ligações com milícias; que conta com milicianos ou aliados de milicianos". A palavra captura a fusão entre o privado [a família] e o criminoso [a milícia], transformando o clã bolsonaro em uma empresa político-criminal.

 

Essa lógica é reforçada pelo conceito de "familismo", analisado por pesquisadoras da UFES: a defesa de uma família nuclear patriarcal como célula básica da sociedade, acompanhada do desmonte das políticas públicas e da privatização do cuidado. No governo bolsonaro, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos foi usado para reforçar papéis tradicionais de gênero, enquanto os direitos sociais eram desfinanciados. A "família" que eles defendem não é a sua – é a família abstrata, usada como arma ideológica para justificar a exclusão de todas as outras famílias – não abstrata.

 

2. A VASSALAGEM AOS EUA: TRAIÇÃO COMO PROJETO DE PODER

O Financial Times, em reportagem de setembro de 2026, descreve o clã Bolsonaro como "tão radical quanto disfuncional". Mas há algo mais grave que a disfunção: a subserviência ao imperialismo estadunidense. Ao Trump.

 

O PT na Câmara denunciou a "vassalagem do clã Bolsonaro": Flávio viajou aos EUA para atuar como "linha auxiliar da ofensiva contra o Brasil", defendendo o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, a pressão sobre minerais críticos e sanções contra o próprio país. Eduardo Bolsonaro, residindo no Texas, faz lobby pela classificação de facções brasileiras como "organizações terroristas estrangeiras" – o que, segundo análise de Pablo Ortellado no Globo, criaria base jurídica para uma intervenção americana no Brasil, como ocorreu na Venezuela.

 

Isso não é patriotismo. É traição. É a entrega da soberania nacional em troca de proteção para o clã familícia bolsonaro.

 

3. O PLANO DE GOVERNO: A DITADURA COMO PROJETO EXPLÍCITO

O plano de governo de Flávio Bolsonaro, intitulado "Para o Brasil Vencer o Atraso", é um manual de autocratização:

  1. "Tesouraço" nos gastos públicos: corte de 10 ministérios, redução de cargos comissionados.
  2. Redução da maioridade penal para 14 anos para crimes hediondos, com a promessa de "castração química" para abusadores.
  3. "Tropa de elite" das Forças Armadas nas fronteiras.
  4. Compartilhamento de dados do SUS com hospitais privados.
  5. Educação baseada em método fônico, escolas cívico-militares e remuneração de alunos para darem aulas de reforço.
  6. Meio Ambiente: flexibilização do licenciamento, exploração de combustíveis fósseis e liberação do fracking [fraturamento hidráulico]

 

O plano não menciona a crise climática. Flávio não reconhece o aumento de eventos extremos. Ele é negacionista, e terraplanista. A destruição ambiental é, para ele, "desenvolvimento".

 

4. O PERIGO NÃO É O TANQUE NAS RUAS, É A "MODERAÇÃO" QUE LEGITIMA A DITADURA

O historiador Diogo Cunha, da UFPE, faz uma análise crucial na Folha: Flávio é mais perigoso que Jair. Não porque seja mais radical, mas porque parece mais moderado.

 

Enquanto Jair tentou dar um golpe explícito – com minuta, com generais, com invasão de prédios públicos – e fracassou, Flávio pode realizar o mesmo projeto por dentro das instituições, usando a legalidade formal para esvaziar a democracia:

  1. Anistiar o pai e todos os golpistas condenados.
  2. Nomear quatro ministros do STF [além dos três já alinhados: Mendonça, Nunes Marques e Fux].
  3. Aprovar reformas que concentram poder no Executivo.
  4. Usar a máquina do Estado para perseguir adversários e proteger corruptos, criminosos seus aliados.

 

Nas palavras do próprio Cunha: "Talvez o perigo maior venha de Flávio, que pode ter aprendido que, para esvaziar uma democracia, é melhor não declarar guerra contra ela." 

 

5. A CONFIRMAÇÃO PELOS FATOS: O CASO "DARK HORSE" E O BANCO MASTER

A investigação que atinge Flávio Bolsonaro é a prova documental do que denuncio:

  1. Flávio é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai.
  2. A Polícia Federal aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro [preso por fraudar 800 mil clientes do Banco Master] transferiu pelo menos R$ 61 milhões para o filme.
  3. Parte desses recursos teria sido desviada para os EUA, para custear despesas de Eduardo Bolsonaro e promover a agenda política de Flávio junto ao governo Trump contra o Brasil.
  4. O ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro, manteve o inquérito sob sigilo por semanas, protegendo Flávio – até ser forçado a abrir os documentos pelo presidente do STF.

 

Isso é a "familícia" em ação: usando dinheiro de um banqueiro corrupto para financiar propaganda política contra o Brasil, com recursos desviados para o exterior, sob a proteção de um ministro conivente no STF.

 

6. O QUE ESTÁ EM JOGO: A ÚLTIMA ELEIÇÃO

A Terra é Redonda publicou um editorial contundente em 24 de setembro de 2026 que resume o que está em jogo:

"Flávio Bolsonaro na presidência da República anistiará o pai, legitimando o fracassado golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, e tornará Jair Bolsonaro presidente de fato. Não se trata de ser um governo de direita ou de um presidente desonesto e corrupto no governo. Trata-se, perigosamente, do crime organizado no poder."

 

O cenário descrito é aterrador:

  1. Mudança do ordenamento jurídico para impor uma ditadura pela via eleitoral.
  2. Emparedamento do Judiciário com a nomeação de quatro criminosos como ministros bolsonaristas.
  3. Eleiçõe de 2030 em xeque.
  4. Desmonte radical das instituições, com vigilância e controle social generalizados.
  5. Liberação de reservas indígenas e áreas de preservação para exploração desenfreada.
  6. Marco Rubio com ascendência total para implementar o projeto MAGA no Brasil.
  7. Eduardo Bolsonaro como chanceler de uma semicolônia.
  8. Apoio ao genocídio em Gaza, à incorporação do Canadá e da Groenlândia pelos EUA, e entrega das riquezas nacionais.
  9. Aumento dos feminicídios, disseminação das milícias, volta ao Mapa da Fome.
  10. Desestruturação do SUS, plataformização da educação, fim da universidade pública.
  11. Privatização dos Correios, da Petrobras, dos bancos públicos.
  12. Destruição total dos direitos trabalhistas, fim da previdência pública e da aposentadoria.

 

Concordo com o cenário apresentado.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS QUE VOS FAÇO: A ESCOLHA É ENTRE A VIDA E A MORTE

A análise aqui está correta. A "familícia bolsonaro" não é apenas uma família disfuncional. É uma organização criminosa que usa a política como negócio, a religião como arma e a soberania nacional como moeda de troca com Trump.

 

A eleição de 4 de outubro não é uma disputa entre esquerda e direita. É uma escolha entre a vida e a morte da democracia brasileira. Como bem disse o professor Pablo Holmes, da UnB: "Não estou a dizer que se o Flávio Bolsonaro vencer as eleições, teremos uma ditadura no Brasil. [Mas] o risco existe."

 

O risco existe SIM. E é imenso. Que o alerta ecoe. Que os brasileiros acordem antes que seja tarde. MUITO TADE DEMAIS!!

 

Professor Negreiros, Deuzimar Menezes

Análise feita entre os dias 11 e 25 de setembro de 2026

Imperatriz [MA], 26 de setembro de 2026

Domingo, dia 04 de outubro, é dia de democracia do voto

  A DEMOCRACIA E SUA RELATIVIDADE CIRCUNSTANCIAL: QUEM REALMENTE GOVERNA QUANDO DIZEM QUE O POVO GOVERNA? UM ENSAIO PEDAGÓGICO CRÍTICO-P...