sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Domingo, dia 04 de outubro, é dia de democracia do voto

 A DEMOCRACIA E SUA RELATIVIDADE CIRCUNSTANCIAL:

QUEM GOVERNA QUANDO DIZEM QUE O POVO GOVERNA?

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política — em diálogo holístico e transdisciplinar com você... leitor/a

 

 

I. INTRODUÇÃO: A PALAVRA MAIS USURPADA DA POLÍTICA

Poucas palavras foram tão usurpadas, tão esvaziadas, tão manipuladas quanto a palavra democracia. Ela está em todos os discursos — dos golpistas aos revolucionários, dos banqueiros aos sem-terra, dos fascistas aos socialistas. Todos se dizem democratas. Todos invocam o povo. Mas quem é esse povo? E quem, de fato, governa quando se diz que o povo governa?

 

A etimologia é clara: demo [povo] + cracia [governo] = governo do povo. Mas a clareza etimológica esconde a complexidade política. Porque "povo" não é uma categoria homogênea. "Povo" é um campo de disputa — e cada grupo que invoca a democracia está, na verdade, invocando uma concepção específica de povo e um projeto específico de governo para si.

 

Neste ensaio proponho a desvelar as relatividades circunstanciais da democracia — mostrando que, sob o mesmo significante, escondem-se significados radicalmente diferentes, muitas vezes antagônicos. Opostos!!

 

II. A DEMOCRACIA ETIMOLÓGICA: O IDEAL E A REALIDADE

2.1. O ideal grego

A democracia nasce na Grécia Antiga — mais precisamente em Atenas, no século V a.C. — como um regime no qual os cidadãos participavam diretamente das decisões da polis. Mas quem eram os "cidadãos"? Apenas homens livres, maiores de idade, filhos de pai e mãe atenienses. Ficavam de fora:

         i.            Mulheres [metade da população];

        ii.            Escravos [cerca de um terço da população];

      iii.            Estrangeiros [metecos];

      iv.            Crianças.

 

Ou seja: a democracia ateniense era, na verdade, uma oligarquia — o governo de uma minoria sobre a maioria. O "povo" que governava era um povo restrito, um povo seleto, um povo de proprietários.

 

2.2. A democracia moderna: representativa e restrita

A democracia moderna — que surge com as revoluções liberais dos séculos XVII e XVIII — é representativa, não direta. O povo não governa; elege representantes que governam em seu nome. E, por muito tempo, esse "povo" também foi restrito:

         i.            Sufrágio censitário — só votavam os proprietários;

        ii.            Voto masculino — as mulheres só conquistaram o direito ao voto no século XX;

      iii.            Voto racial — negros e indígenas foram excluídos por décadas. Não eram considerados “gentes”.

 

A democracia moderna nasce, portanto, como democracia de proprietários — e só gradualmente se universaliza – eleitoralmente –, sempre sob pressão das lutas populares.

 

III. AS DEMOCRACIAS CIRCUNSTANCIAIS: QUEM GOVERNA DE FATO?

3.1. Democracia representativa eleitoral — o povo no dia da eleição

A democracia representativa eleitoral é a forma hegemônica no mundo contemporâneo. Nela, o povo elege representantes que tomam decisões em seu nome. O povo participa apenas no dia da eleição — e, depois, entrega o confisco do poder aos eleitos.

 

Essa democracia é, na prática, uma democracia de baixa intensidade:

         i.            O povo vota, mas não decide;

        ii.            O povo escolhe, mas não controla;

      iii.            O povo legitima, mas não governa.

 

Como afirmou o cientista político Robert Dahl, a democracia representativa é uma poliarquia — um regime no qual múltiplos grupos competem pelo poder, mas o poder efetivo permanece nas mãos das elites.

 

3.2. Democracia do povo rico — o governo dos proprietários

A democracia do povo rico é a democracia censitária de fato — mesmo quando o sufrágio é universal. Nela, o poder político é proporcional ao poder econômico:

         i.            Quem financia campanhas elege quem quer;

        ii.            Quem controla a mídia forma a opinião pública;

      iii.            Quem detém o capital pauta as decisões do Estado.

 

Essa é a democracia que o Brasil vive: uma democracia de proprietários, na qual os ricos governam e os pobres apenas neles votam.

 

3.3. Democracia das elites — o governo dos "melhores"

A democracia das elites é a democracia elitista — a crença de que o governo deve ser exercido por uma minoria ilustrada, capaz de tomar decisões "racionais" e "técnicas". O povo, nessa concepção, é visto como massa ignorante, incapaz de decidir sobre questões ditas complexas.

 

Essa é a democracia dos tecnocratas, dos juízes, dos economistas, dos especialistas. É a democracia que desconfia do povo e concentra o poder nas mãos de uma elite supostamente preparada.

 

3.4. Democracia dos banqueiros — o governo do capital financeiro

A democracia dos banqueiros é a democracia do capital financeiro — na qual as decisões econômicas são tomadas fora do alcance do povo, por instituições como o Banco Central, o FMI, os bancos privados e os fundos de investimento.

 

Nessa democracia:

         i.            O povo não decide sobre juros, câmbio, política fiscal;

        ii.            O povo não controla o sistema financeiro;

      iii.            O povo não participa das decisões que afetam sua vida econômica.

 

É a democracia que socializa as perdas entre o povo e privatiza para si os lucros — e que, em nome da "estabilidade", impõe sacrifícios ao povo enquanto protege os banqueiros.

 

3.5. Democracia do agronegócio — o governo do latifúndio

A democracia do agronegócio é a democracia dos ruralistas — na qual o poder político é exercido pela bancada ruralista, que representa os interesses dos grandes proprietários de terra e do agronegócio exportador.

 

Nessa democracia:

         i.            A reforma agrária não avança;

        ii.            Os direitos dos povos indígenas e quilombolas são violados;

      iii.            O meio ambiente é destruído em nome do lucro;

      iv.            O veneno é liberado sem controle.

 

É a democracia que não reconhece o povo do campo — e que trata a terra como mercadoria, não como território de vida.

 

3.6. Democracia dos Marinho/Rede Globo — o governo da mídia

A democracia dos Marinho é a democracia midiática — na qual o poder político é exercido pelo controle da informação. INFORMAÇÃO É PODER. Quem controla a mídia controla a narrativa — e quem controla a narrativa controla o voto/eleitor.

 

A Rede Globo, como maior conglomerado de mídia do Brasil, exerce um poder desproporcional:

         i.            Define o que é notícia;

        ii.            Enquadra os fatos;

      iii.            Silencia vozes dissonantes;

      iv.            Constrói a imagem dos seus candidatos. E destrói a imagem dos que não são os seus.

 

É a democracia que não é do povo, mas da audiência — e a audiência é formada pelo que a própria mídia decide mostrar.

 

3.7. Democracia racial — o mito que esconde o racismo

A democracia racial é um mito fundador do Brasil — a ideia de que vivemos em uma sociedade sem racismo, na qual brancos, negros e indígenas convivem em harmonia. Esse mito, construído por Gilberto Freyre e outros intelectuais, serviu para:

         i.            Mascarar a violência da escravidão;

        ii.            Naturalizar a desigualdade racial;

      iii.            Impedir políticas de reparação.

 

A democracia racial é a democracia dos brancos — na qual os negros são cidadãos de segunda classe, os indígenas são obstáculos ao progresso, e a igualdade é apenas formal.

 

3.8. Democracia da familícia Bolsonaro — o governo da família criminosa

A democracia da familícia Bolsonaro é a democracia do clã — na qual o poder político é exercido por uma família que transformou o Estado em negócio privado. Nessa democracia:

         i.            A rachadinha é prática corrente;

        ii.            Os milicianos são aliados;

      iii.            Os golpistas são protegidos;

      iv.            Os corruptos/crimes são blindados.

 

É a democracia que não é do povo, mas da família — e que usa o Estado para enriquecer, perseguir e dominar.

 

3.9. Democracia de direita e de extrema-direita — o governo do ódio

A democracia de direita e de extrema-direita é a democracia do ódio — na qual o poder político é exercido pela mobilização do medo, do preconceito e da violência. Nessa democracia:

         i.            O inimigo é inventado [comunistas, petistas, LGBTQIA+];

        ii.            O ódio é cultivado;

      iii.            A violência é legitimada;

      iv.            A democracia é destruída por dentro.

 

É a democracia que nega a própria democracia — e que usa as instituições para subvertê-las em benefício próprio.

 

3.10. Democracia de esquerda e socialista — o governo do povo?

A democracia de esquerda e socialista é a democracia popular — na qual o poder político é exercido pelo povo organizado, em conselhos, assembleias, movimentos sociais. Nessa democracia:

         i.            A participação é direta;

        ii.            O controle social é efetivo;

      iii.            A economia é subordinada às necessidades do povo;

      iv.            A igualdade é real, não apenas formal.

 

É a democracia que busca superar o capitalismo — e que, por isso, é combatida pelas elites.

 

3.11. Democracia capitalista e burguesa — o governo do capital

A democracia capitalista e burguesa é a democracia do capital — na qual o poder político é exercido pela classe dominante, mesmo quando o sufrágio – o voto – é universal. Nessa democracia:

         i.            O capital dita as regras;

        ii.            O mercado decide os rumos;

      iii.            O lucro é o objetivo;

      iv.            O povo são apenas massas de manobras, mãos de obras barata e consumidores.

 

É a democracia que não é do povo, mas do capital — e que usa a liberdade como fachada para a exploração ao povo.

 

IV. A MISTURA BRASILEIRA: QUAL DEMOCRACIA TEMOS?

A democracia brasileira é uma mistura — e é essa mistura que a torna tão complexa e contraditória.

Temos uma mistura em convulsão/dualidade:

         i.            Elementos de democracia representativa — eleições periódicas, sufrágio [o voto] universal;

        ii.            Elementos de democracia elitista — STF, tecnocratas, "mercado";

      iii.            Elementos de democracia do capital — bancos, agronegócio, mídia;

      iv.            Elementos de democracia popular — conselhos, conferências, movimentos sociais;

        v.            Elementos de democracia do ódio — bolsonarismo, milícias, fanatismo religioso.

 

A democracia brasileira é, portanto, uma democracia híbrida — na qual convivem instituições democráticas e práticas autoritárias, participação popular e dominação das elites, direitos conquistados e privilégios preservados.

 

V. MINHAS CONSIDERAÇÕES FINAIS SÃO: A DEMOCRACIA QUE QUEREMOS

Domingo, aqui no Brasil, dia 04 de outubro de 2026 é dia da democracia eleitoral, do voto

A pergunta que fica é: qual democracia queremos?

         i.            A democracia do povo rico, que governa para os ricos?

        ii.            A democracia das elites, que governa para si desconfiando do povo?

      iii.            A democracia dos banqueiros, que subordina tudo ao seu capital?

      iv.            A democracia do agronegócio, que destrói a natureza em busca do lucro?

        v.            A democracia da mídia, que manipula a informação e aliena o povo?

      vi.            A democracia racial, que esconde o racismo?

     vii.            A democracia da familícia bolsonaro, que usa o Estado para ter a liberdade de cometer os seus crimes?

   viii.            A democracia do ódio, que destrói a própria democracia e as relações humanistas entre as pessoas?

       ix.            A democracia capitalista, que explora o povo?

 

Ou queremos uma democracia popular, participativa, socialista, do Bem Viver?

 

A resposta aqui não é dada. É construída. E é construída na luta, na organização, na consciência...

 

A democracia não é um dado. É uma conquista continuada/permanente. E como toda conquista, exige coragem, persistência e esperança. ESPERANÇAR!!

 

— Porque a democracia que queremos não é a que começa e termina no dia da eleição. É a que começa e termina em cada dia da vida — na escola, no trabalho, na comunidade, no território. NAS RELAÇÕES HUMANISTAS.

 

Pesquisas, leituras em profundidades, análises, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos parágrafos/textos:

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

∞ Diretor-Presidente e Fundador da Fundação Brasil de Fomento à Educação Ambiental e Humanística

 

∞ Imperatriz/MA, São Miguel/TO – Reserva EcoFloresta Lagoa da Onça – setembro de 2026

 

Contatos:
prof.negreiros@gmail.com
fundacaobrasileducacional@gmail.com
[99] 98154-0899 – WhatsApp

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

Domingo, dia 04 de outubro, é dia de democracia do voto

  A DEMOCRACIA E SUA RELATIVIDADE CIRCUNSTANCIAL: QUEM GOVERNA QUANDO DIZEM QUE O POVO GOVERNA? ∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar M...