quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O BRASIL DIANTE DO FARISAÍSMO

 

FARISAÍSMO — ONTEM É HOJE: O CRISTO CONDENADO E O BRASIL DIANTE DO FARISAÍSMO MODERNO

Análise Crítico-Comparativa: Da Cruz ao Voto — A Eterna Escolha entre Barrabás e a Verdade

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – em diálogo e comunhão holística transdisciplinar com o/a leitor/a

 

 

1. O PARALELO QUE A HISTÓRIA NÃO QUER REPETIR, MAS REPETE

Há momentos na história em que a humanidade é colocada diante de uma escolha que revela sua alma. Um desses momentos foi narrado nos Evangelhos: a multidão, instigada pelos sacerdotes e anciãos, preferiu Barrabás — o criminoso, o miliciano da época — a Jesus — o justo, o profeta, o amoroso libertador...

 

Ontem, como hoje, a escolha não foi entre dois projetos políticos. Foi entre a verdade e a mentira, entre a vida e a morte, entre a libertação pelo amor e a opressão pelo ódio. E, mais uma vez, a multidão — manipulada pelos que detêm o poder religioso e político — escolheu até agora o criminoso.

 

Esta análise traça o paralelo entre aquele momento e o Brasil de 2026. De um lado, Lula — o estadista, o libertador, o homem que tirou milhões da miséria e devolveu ao Brasil a soberania, a admiração mundial. Do outro, Flávio Bolsonaro — o herdeiro do necrobolsonarismo, o miliciano ungido por líderes evangélicos da prosperidade e do domínio, o candidato que representa a continuidade do projeto de morte do pai.

 

2. O CRISTO BÍBLICO-HISTÓRICO: ACUSADO, CONDENADO E EXECUTADO PELOS RELIGIOSOS E SEU SEGUIDORES

2.1. A acusação injusta

Jesus foi acusado de blasfêmia — por dizer que era o Filho de Deus. Foi acusado de subverter a nação — por ensinar um Reino de amor que não era deste mundo. Foi acusado de proibir o pagamento de impostos a César — uma mentira deslavada, pois ele disse “dai a César o que é de César”.

 

As acusações eram falsas. Os acusadores sabiam. Mas precisavam de um pretexto para matá-lo. A verdade não importava. O que importava era o poder.

 

2.2. A condenação pelos religiosos

Os fariseus e saduceus — as elites religiosas da época — viram em Jesus uma ameaça. Ele denunciava sua hipocrisia, sua corrupção, seu apego ao poder. Ele curava no sábado, comia com pecadores, perdoava prostitutas, chamava os pobres de bem-aventurados.

 

A elite religiosa não podia tolerar um profeta que contestasse sua autoridade. Por isso, conspirou contra ele. Por isso, pagou testemunhas falsas. Por isso, entregou-o aos romanos.

 

2.3. A multidão manipulada

A multidão que gritava “Hosana!” no Domingo de Ramos foi a mesma que gritou “Crucifica-o!” na Sexta-feira Santa. A multidão não pensou. A multidão foi “manipulada”.

 

Os sacerdotes instigaram o povo a pedir Barrabás. Prometeram vantagens, espalharam mentiras, exploraram o medo. E a multidão, anestesiada pela propaganda e pelo medo, escolheu o criminoso.

 

2.4. O silêncio de Pilatos

Pôncio Pilatos, o governador romano, sabia que Jesus era inocente. Sua esposa teve um sonho e o alertou. Ele tentou lavar as mãos, dizendo: “Estou inocente do sangue deste justo.”

 

Mas Pilatos não teve coragem de enfrentar a multidão. Não teve coragem de fazer justiça. Lavou as mãos, mas não se livrou da culpa. Entregou Jesus à morte para agradar a plebe e manter sua posição política.

 

3. O BRASIL DE 2026: O CRISTO REENCENADO NO CORPO DE LULA

3.1. Lula: o acusado injustamente

Lula, como Jesus, tem sido acusado injustamente. Foi preso por 580 dias sem provas. Foi condenado por um juiz suspeito. Foi impedido de disputar a eleição que venceria para deixar o caminho livre para o necrobolsonaro. Tem sido chamado diariamente de “ladrão” e “corrupto” por aqueles que nunca apresentaram uma prova sequer.

 

Lula, como Jesus, é condenado pelos poderosos — pela elite econômica, pela mídia hegemônica, pelos políticos corruptos que ele ameaça. É condenado por subverter a ordem — a ordem que mantinha os pobres na miséria, os ricos no poder, e o Brasil submisso aos EUA.

 

Lula, como Jesus, é absolvido pela história. Suas condenações são anuladas. Sua inocência é reconhecida. Sua vitória eleitoral é consagrada nas urnas.

 

3.2. Os fariseus modernos: as lideranças evangélicas da prosperidade e do domínio

Os fariseus modernos são os pastores da Teologia da Prosperidade e da Teologia do Domínio. Eles traíram o Evangelho de Cristo. Trocaram a cruz pela coroa. Trocaram a humildade pela riqueza. Trocaram a justiça pela prosperidade material.

 

Eles ungem Flávio Bolsonaro — o herdeiro do necrobolsonarismo, o miliciano, o corrupto, o réu por rachadinha, o beneficiário de R$ 8,5 milhões de Vorcaro — como se ele fosse um enviado de Deus.

 

Eles fazem o que os fariseus fizeram com Jesus: entregam o justo ao criminoso. Eles abençoam o miliciano e demonizam o estadista. Eles rezam pelo corrupto e amaldiçoam o inocente.

 

3.3. A multidão manipulada: os fiéis da dissonância cognitiva

A multidão que hoje grita “Flávio! Flávio!” É a mesma que, anestesiada pela dissonância cognitiva, não consegue admitir que foi enganada. Ela investiu fé, identidade, esperança e reputação no projeto necrobolsonarista. Admitir o erro será humilhante demais.

 

Por isso, ela reinterpreta a realidade:

         i.            A derrota eleitoral vira “fraude”;

        ii.            A prisão do líder vira “perseguição”;

      iii.            A corrupção comprovada vira “armação”;

      iv.            O miliciano vira “salvador”;

        v.            O corrupto vira “ungido”.

 

A multidão não escolheu Barrabás só porque é má. Escolheu porque foi “manipulada”. E a manipulação é feita com falas subliminares, com controle psicológico de manada, com a “promessa” de salvação.

 

3.4. O silêncio de Pilatos: a mídia hegemônica e as instituições

Os Pilatos modernos são a mídia hegemônica — especialmente a Rede Globo — e as instituições que se omitem.

 

Eles sabem que Flávio Bolsonaro é miliciano. Sabem que ele é corrupto. Sabem que ele representa o autoritarismo. Mortes!! Mas lavam as mãos:

         i.            Não confrontam Flávio com os fatos;

        ii.            Não questionam a origem miliciana do clã;

      iii.            Não cobram explicações sobre os projetos de lei que desmontam o Estado;

      iv.            Não denunciam a aliança entre o necrobolsonarismo e as igrejas da prosperidade e dominionismo.

 

A mídia lava as mãos. As instituições lavam as mãos. E o Brasil caminha para a crucificação da democracia.

 

4. AS SEMELHANÇAS HISTÓRICO-ANTROPOLÓGICAS E PSÍQUICO-SOCIOLÓGICAS

4.1. O sacrifício do justo

Em todas as culturas, o sacrifício do justo é um arquétipo recorrente. O justo é escolhido como bode expiatório para purificar a comunidade. Ele carrega os pecados de todos e é expulso, assassinado, morto, silenciado.

 

Lula, como Jesus, tem sido o bode expiatório do Brasil desde os anos 70 do século passado. É sacrificado para purificar a elite de suas culpas. Foi preso para salvar a Lava Jato. É demonizado para salvar o necrobolsonarismo.

 

4.2. A psicologia das massas

Gustave Le Bon, em Psicologia das Massas [1895], descreveu como as multidões são irracionais, emocionais e manipuláveis. Elas não pensam — sentem. Não analisam — seguem. Não duvidam — creem.

 

A multidão que escolheu Barrabás e a multidão que escolhe Flávio Bolsonaro são a mesma multidão: manipulada por líderes que exploram o medo, a esperança e a fé.

 

4.3. A dissonância cognitiva como mecanismo de defesa

Leon Festinger, em When Prophecy Fails / Quando a profecia falha [1956], demonstrou que, quando a realidade desmente uma crença profunda, o crente não abandona a crença — ele a reforça. Admitir o erro seria humilhante demais.

 

Os seguidores da família Bolsonaro estão presos nesse mecanismo:

         i.            A realidade desmente a crença [Flávio, assim como o pai, é corrupto];

        ii.            Mas eles reforçam a crença [Flávio, assim como o pai, é vítima de perseguição];

      iii.            E recrutam mais seguidores [para confirmar e reafirmar sua escolha].

 

A dissonância cognitiva é a prisão mental que mantém a manada unida no fundo da caverna.

 

5. AS SEMELHANÇAS POLÍTICO-RELIGIOSAS E METAFÍSICO-SUBLIMINARES

5.1. A fusão entre religião e política

Os fariseus do tempo de Jesus misturavam religião e política. Usavam a fé para manter o poder. Usavam o Templo para explorar o povo. Usavam a Lei para oprimir os pobres.

 

Os pastores da prosperidade e do domínio fazem o mesmo:

         i.            Usam a fé para enriquecer;

        ii.            Usam o púlpito para fazer política;

      iii.            Usam a Bíblia para justificar o autoritarismo;

      iv.            Usam o nome de Deus para abençoar o crime.

 

A fusão entre religião e política é a marca do farisaísmo — ontem e hoje.

5.2. A metafísica da fala: a manipulação subliminar

Os fariseus usavam parábolas e metáforas para manipular o povo. Jesus usava parábolas para esclarecer — eles usavam para confundir.

 

Flávio Bolsonaro, assim como o pai, usa falas subliminares para manipular a manada:

         i.            “O Brasil está sem presidente” — quando ele não reconhece a democracia;

        ii.            “Vou combater o crime” — quando ele é o crime;

      iii.            “Vou defender a família” — quando ele destrói famílias;

      iv.            “Deus está no comando” — quando ele quer o poder absoluto.

 

A metafísica da fala é a arma do fariseu. E Flávio Bolsonaro a domina como poucos.

 

5.3. O messianismo político

O necrobolsonarismo é um messianismo político. Flávio Bolsonaro, representando a figura do pai, não é um candidato — é um ungido. Não é um político — é um salvador. Não é um presidente — é um rei.

 

O messianismo político é a negação da democracia. Na democracia, o povo escolhe. No messianismo, o povo obedece. Na democracia, o líder serve. No messianismo, o líder reina.

 

O messianismo necrobolsonarista é a reencenação do farisaísmo: a transformação da fé em instrumento de poder.

 

6. A ESCOLHA DE HOJE: BARRABÁS OU CRISTO?

O Brasil está diante da mesma escolha que a multidão de Jerusalém:

         i.            Barrabás — o criminoso, o miliciano, o corrupto, o herdeiro do necrobolsonarismo;

        ii.            Cristo — o justo, o estadista, o libertador, o homem que tirou milhões da miséria.

 

A multidão de Jerusalém escolheu Barrabás. E crucificou Cristo.

 

O Brasil de 2026 pode escolher Flávio Bolsonaro. E crucificar Lula — não na cruz de madeira, mas na cruz da ingratidão, da mentira, da manipulação.

 

Mas há uma diferença: a multidão de Jerusalém não sabia o que fazia. O Brasil de 2026 sabe. Sabe que Flávio é miliciano. Sabe que é corrupto. Sabe que é o herdeiro do necrobolsonarismo. Sabe que os pastores que o ungem são fariseus da prosperidade.

 

A escolha é consciente. E a responsabilidade [criminosa] é de cada um.

 

7. FINALISANDO: A RESSURREIÇÃO DA VERDADE

Cristo foi crucificado. Mas ressuscitou. A verdade foi enterrada. Mas voltou à vida.

 

Lula foi preso. Mas voltou. Foi condenado. Mas foi absolvido. Foi crucificado pela mídia, pelos políticos, pelos fariseus da prosperidade. Mas ressuscitou nas urnas.

 

A verdade pode ser crucificada. Mas não pode ser morta.

 

O Brasil de 2026 está diante da escolha entre a cruz e a ressurreição. Entre Barrabás e Cristo. Entre Flávio e Lula.

 

Que o povo brasileiro não repita o erro de Jerusalém. Que não escolha Barrabás. Que não crucifique Cristo de novo.

 

Porque ontem é hoje. E a história julga os que escolhem o crime.

 

Temos até domingo, 25/10/2026. Depois, pode ser tarde demais.

 

— Porque a multidão que escolhe Barrabás não sabe que está escolhendo a própria morte. Mas a que escolhe Cristo escolhe a vida. E a vida vence a morte. Sempre.

 

#ProfessorNegreirosDeuzimarMenezes

Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA

Em diálogo holístico e transdisciplinar

Imperatriz [MA], 21 de outubro de 2026

 

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