FARISAÍSMO — ONTEM É HOJE: O CRISTO CONDENADO E O BRASIL DIANTE
DO FARISAÍSMO MODERNO
Análise Crítico-Comparativa: Da Cruz ao Voto — A Eterna Escolha
entre Barrabás e a Verdade
Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA
– em diálogo e comunhão holística transdisciplinar com o/a leitor/a
1. O PARALELO QUE A HISTÓRIA NÃO QUER REPETIR, MAS REPETE
Há momentos na história em que a humanidade é colocada diante de
uma escolha que revela sua alma. Um desses momentos foi narrado nos Evangelhos:
a multidão, instigada pelos sacerdotes e anciãos, preferiu Barrabás — o
criminoso, o miliciano da época — a Jesus — o justo, o profeta, o amoroso
libertador...
Ontem, como hoje, a escolha não foi entre dois projetos políticos.
Foi entre a verdade e a mentira, entre a vida e a
morte, entre a libertação pelo amor e a opressão pelo ódio. E,
mais uma vez, a multidão — manipulada pelos que detêm o poder religioso e
político — escolheu até agora o criminoso.
Esta análise traça o paralelo entre aquele momento e o Brasil de
2026. De um lado, Lula — o estadista, o libertador, o homem que tirou milhões da
miséria e devolveu ao Brasil a soberania, a admiração mundial.
Do outro, Flávio Bolsonaro — o herdeiro do necrobolsonarismo, o miliciano
ungido por líderes evangélicos da prosperidade e do domínio, o candidato que
representa a continuidade do projeto de morte do pai.
2. O CRISTO BÍBLICO-HISTÓRICO: ACUSADO, CONDENADO E EXECUTADO
PELOS RELIGIOSOS E SEU SEGUIDORES
2.1.
A acusação injusta
Jesus foi acusado de blasfêmia — por dizer que era o Filho de
Deus. Foi acusado de subverter a nação — por ensinar um Reino de
amor que não era deste mundo. Foi acusado de proibir o
pagamento de impostos a César — uma mentira deslavada,
pois ele disse “dai a César o que é de César”.
As acusações eram falsas. Os acusadores sabiam. Mas precisavam de um
pretexto para matá-lo. A verdade não importava. O que importava era o poder.
2.2.
A condenação pelos religiosos
Os fariseus e saduceus — as elites religiosas da
época — viram em Jesus uma ameaça. Ele denunciava sua hipocrisia, sua
corrupção, seu apego ao poder. Ele curava no sábado, comia com pecadores,
perdoava prostitutas, chamava os pobres de bem-aventurados.
A elite religiosa não podia tolerar um profeta que contestasse sua
autoridade. Por isso, conspirou contra ele. Por isso, pagou testemunhas
falsas. Por isso, entregou-o aos romanos.
2.3.
A multidão manipulada
A multidão que gritava “Hosana!” no Domingo de Ramos foi a mesma
que gritou “Crucifica-o!” na Sexta-feira Santa. A multidão
não pensou. A multidão foi “manipulada”.
Os sacerdotes instigaram o povo a pedir Barrabás.
Prometeram vantagens, espalharam mentiras, exploraram o medo. E a
multidão, anestesiada pela propaganda e pelo medo, escolheu
o criminoso.
2.4.
O silêncio de Pilatos
Pôncio Pilatos, o governador romano, sabia que
Jesus era inocente. Sua esposa teve um sonho e o alertou. Ele
tentou lavar as mãos, dizendo: “Estou inocente do sangue deste justo.”
Mas Pilatos não teve coragem de enfrentar a multidão. Não teve
coragem de fazer justiça. Lavou as mãos, mas não se livrou da culpa. Entregou
Jesus à morte para agradar a plebe e manter sua posição política.
3. O BRASIL DE 2026: O CRISTO REENCENADO NO CORPO DE LULA
3.1.
Lula: o acusado injustamente
Lula, como Jesus, tem sido acusado injustamente.
Foi preso por 580 dias sem provas. Foi condenado por um juiz suspeito. Foi
impedido de disputar a eleição que venceria para deixar o caminho livre para o necrobolsonaro.
Tem sido chamado diariamente de “ladrão” e “corrupto” por aqueles que nunca
apresentaram uma prova sequer.
Lula, como Jesus, é condenado pelos poderosos — pela elite
econômica, pela mídia hegemônica, pelos políticos corruptos que ele ameaça. É
condenado por subverter a ordem — a ordem que mantinha os
pobres na miséria, os ricos no poder, e o Brasil submisso aos EUA.
Lula, como Jesus, é absolvido pela história. Suas condenações são
anuladas. Sua inocência é reconhecida. Sua vitória eleitoral é consagrada nas
urnas.
3.2.
Os fariseus modernos: as lideranças evangélicas da prosperidade e do domínio
Os fariseus modernos são os pastores da Teologia da
Prosperidade e da Teologia do Domínio.
Eles traíram o Evangelho de Cristo. Trocaram a cruz pela coroa. Trocaram a
humildade pela riqueza. Trocaram a justiça pela prosperidade material.
Eles ungem Flávio Bolsonaro — o herdeiro do
necrobolsonarismo, o miliciano, o corrupto, o réu por rachadinha, o
beneficiário de R$ 8,5 milhões de Vorcaro — como se ele fosse um enviado de
Deus.
Eles fazem o que os fariseus fizeram com Jesus: entregam o justo
ao criminoso. Eles abençoam o miliciano e demonizam o estadista. Eles
rezam pelo corrupto e amaldiçoam o inocente.
3.3.
A multidão manipulada: os fiéis da dissonância cognitiva
A multidão que hoje grita “Flávio! Flávio!” É a mesma que, anestesiada
pela dissonância cognitiva, não consegue admitir que foi
enganada. Ela investiu fé, identidade, esperança e reputação no
projeto necrobolsonarista. Admitir o erro será humilhante
demais.
Por isso, ela reinterpreta a realidade:
i.
A derrota eleitoral vira “fraude”;
ii.
A prisão do líder vira “perseguição”;
iii.
A corrupção comprovada vira “armação”;
iv.
O miliciano vira “salvador”;
v.
O corrupto vira “ungido”.
A multidão não escolheu Barrabás só porque é má. Escolheu porque
foi “manipulada”. E a manipulação é feita com falas
subliminares, com controle psicológico de manada, com a “promessa” de salvação.
3.4.
O silêncio de Pilatos: a mídia hegemônica e as instituições
Os Pilatos modernos são a mídia hegemônica —
especialmente a Rede Globo — e as instituições que se omitem.
Eles sabem que Flávio Bolsonaro é miliciano. Sabem que
ele é corrupto. Sabem que ele representa o autoritarismo. Mortes!!
Mas lavam as mãos:
i.
Não confrontam Flávio com os fatos;
ii.
Não questionam a origem miliciana do clã;
iii.
Não cobram explicações sobre os projetos de lei que desmontam o
Estado;
iv.
Não denunciam a aliança entre o necrobolsonarismo e as igrejas da
prosperidade e dominionismo.
A mídia lava as mãos. As instituições lavam as mãos. E o Brasil
caminha para a crucificação da democracia.
4. AS SEMELHANÇAS HISTÓRICO-ANTROPOLÓGICAS E PSÍQUICO-SOCIOLÓGICAS
4.1.
O sacrifício do justo
Em todas as culturas, o sacrifício do justo é
um arquétipo recorrente. O justo é escolhido como bode
expiatório para purificar a comunidade. Ele carrega os
pecados de todos e é expulso, assassinado, morto, silenciado.
Lula, como Jesus, tem sido o bode expiatório do
Brasil desde os anos 70 do século passado. É sacrificado para purificar a
elite de suas culpas. Foi preso para salvar a Lava
Jato. É demonizado para salvar o necrobolsonarismo.
4.2.
A psicologia das massas
Gustave Le Bon, em Psicologia das Massas [1895], descreveu como as
multidões são irracionais, emocionais e manipuláveis. Elas não pensam
— sentem.
Não analisam — seguem. Não duvidam — creem.
A multidão que escolheu Barrabás e a multidão que escolhe Flávio
Bolsonaro são a mesma multidão: manipulada por líderes que exploram o medo, a esperança e a fé.
4.3.
A dissonância cognitiva como mecanismo de defesa
Leon Festinger, em When Prophecy Fails / Quando a profecia falha [1956], demonstrou que, quando a realidade desmente uma crença profunda, o crente não abandona a crença — ele a reforça. Admitir o erro seria humilhante demais.
Os seguidores da família Bolsonaro estão presos nesse mecanismo:
i.
A realidade desmente a crença [Flávio, assim como o pai, é
corrupto];
ii.
Mas eles reforçam a crença [Flávio, assim como o pai, é
vítima de perseguição];
iii.
E recrutam mais seguidores [para confirmar e
reafirmar sua escolha].
A dissonância cognitiva é a prisão mental que mantém a manada
unida no fundo da caverna.
5. AS SEMELHANÇAS POLÍTICO-RELIGIOSAS E METAFÍSICO-SUBLIMINARES
5.1.
A fusão entre religião e política
Os fariseus do tempo de Jesus misturavam religião e política.
Usavam a fé para manter o poder. Usavam o Templo para explorar o povo. Usavam a
Lei para oprimir os pobres.
Os pastores da prosperidade e do domínio fazem o mesmo:
i.
Usam a fé para enriquecer;
ii.
Usam o púlpito para fazer política;
iii.
Usam a Bíblia para justificar o autoritarismo;
iv.
Usam o nome de Deus para abençoar o crime.
A fusão entre religião e política é a marca do farisaísmo — ontem
e hoje.
5.2.
A metafísica da fala: a manipulação subliminar
Os fariseus usavam parábolas e metáforas para manipular o povo.
Jesus usava parábolas para esclarecer — eles usavam para confundir.
Flávio Bolsonaro, assim como o pai, usa falas
subliminares para manipular a manada:
i.
“O Brasil está sem presidente” — quando ele não reconhece a
democracia;
ii.
“Vou combater o crime” — quando ele é o crime;
iii.
“Vou defender a família” — quando ele destrói famílias;
iv.
“Deus está no comando” — quando ele quer o poder absoluto.
A metafísica da fala é a arma do fariseu. E Flávio Bolsonaro a
domina como poucos.
5.3.
O messianismo político
O necrobolsonarismo é um messianismo político.
Flávio Bolsonaro, representando a figura do pai, não é um candidato — é
um ungido.
Não é um político — é um salvador. Não é um presidente — é um rei.
O messianismo político é a negação da democracia. Na democracia, o povo escolhe.
No messianismo, o povo obedece. Na democracia, o líder serve. No
messianismo, o líder reina.
O messianismo necrobolsonarista é a reencenação do farisaísmo: a
transformação da fé em instrumento de poder.
6. A ESCOLHA DE HOJE: BARRABÁS OU CRISTO?
O Brasil está diante da mesma escolha que a multidão de Jerusalém:
i.
Barrabás — o criminoso, o miliciano, o corrupto, o herdeiro do
necrobolsonarismo;
ii.
Cristo — o justo, o estadista, o libertador, o homem que tirou
milhões da miséria.
A multidão de Jerusalém escolheu Barrabás. E crucificou
Cristo.
O Brasil de 2026 pode escolher Flávio
Bolsonaro. E crucificar Lula — não na cruz de madeira, mas
na cruz da ingratidão, da mentira, da manipulação.
Mas há uma diferença: a multidão de Jerusalém não
sabia o que fazia. O Brasil de 2026 sabe. Sabe que Flávio é
miliciano. Sabe que é corrupto. Sabe que é o herdeiro do necrobolsonarismo.
Sabe que os pastores que o ungem são fariseus da prosperidade.
A escolha é consciente. E a responsabilidade [criminosa] é de cada
um.
7. FINALISANDO: A RESSURREIÇÃO DA VERDADE
Cristo foi crucificado. Mas ressuscitou. A
verdade foi enterrada. Mas voltou à vida.
Lula foi preso. Mas voltou. Foi condenado. Mas foi absolvido.
Foi crucificado pela mídia, pelos políticos, pelos fariseus da prosperidade.
Mas ressuscitou nas urnas.
A verdade pode ser crucificada. Mas não pode ser morta.
O Brasil de 2026 está diante da escolha entre a cruz e a
ressurreição. Entre Barrabás e Cristo. Entre Flávio e Lula.
Que o povo brasileiro não repita o erro de Jerusalém. Que não
escolha Barrabás. Que não crucifique Cristo de novo.
Porque ontem é hoje. E a história julga os que escolhem o crime.
Temos até domingo, 25/10/2026. Depois, pode
ser tarde demais.
— Porque a multidão que escolhe Barrabás não sabe que está
escolhendo a própria morte. Mas a que escolhe Cristo escolhe a vida. E a vida
vence a morte. Sempre.
#ProfessorNegreirosDeuzimarMenezes
Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA
Em diálogo holístico e transdisciplinar
Imperatriz [MA], 21 de outubro de 2026
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