CONHECIMENTO
É LIBERDADE: A EQUAÇÃO FUNDAMENTAL E A FRAUDE POLÍTICA DA
"LIBERTAÇÃO"
Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA
– em diálogo e comunhão holística transdisciplinar com o/a leitor/a
2. A EQUAÇÃO FUNDAMENTAL
Há uma equação que atravessa a história da humanidade e que, no
entanto, é sistematicamente esquecida — ou deliberadamente ocultada — pelos que
detêm o poder:
Conhecimento = Liberdade.
Ignorância = Escravidão.
Essa equação não é uma metáfora. É uma lei histórica, filosófica e política. Ela foi
enunciada por Sócrates ["Conhece-te a ti mesmo"], por Platão [a
alegoria da caverna], por Espinosa ["A liberdade é o conhecimento da
necessidade"], por Hegel [a dialética do senhor e do escravo], pelo
brasileiro Paulo Freire ["A educação é um ato de liberdade"].
Ela é a base de todas as lutas emancipatórias da humanidade — e o
alvo de todos os projetos de dominação.
2. A LIBERDADE PELO CONHECIMENTO
2.1.
O que é liberdade?
A liberdade não é a ausência de limites. É a capacidade de
compreender os limites e de agir sobre eles. É a
capacidade de escolher — e, para
escolher, é preciso conhecer.
i.
O trabalhador que conhece seus direitos pode reivindicá-los;
ii.
O cidadão que conhece a política pode participar dela;
iii.
O jovem que conhece a história pode transformá-la;
iv.
O povo que conhece sua realidade pode modificá-la.
Sem conhecimento, não há liberdade. Há apenas
a ilusão de liberdade — a liberdade de escolher entre as opções que os
poderosos oferecem.
2.2.
O conhecimento como práxis libertadora
O nosso brasileiro Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido,
demonstra/ou que a educação pode ser
instrumento
de opressão ou instrumento de libertação:
i.
Educação bancária: o professor
"deposita" conhecimento no aluno passivo. O aluno não pensa — obedece. É a
educação que escraviza.
ii.
Educação problematizadora: o professor
e o aluno constroem o
conhecimento juntos, a partir da realidade. O aluno pensa — critica — transforma. É a
educação que liberta.
O conhecimento verdadeiro não é a acumulação
de informações. É a capacidade de ler o mundo e agir de modo consciente sobre
ele.
3. A ESCRAVIDÃO PELA IGNORÂNCIA
3.1.
A escravidão física
A escravidão física é a mais visível — e a mais brutal. Foi a
escravidão dos negros africanos, dos povos indígenas, dos trabalhadores nas
fábricas do século XIX. Ela ainda existe — no trabalho análogo à escravidão, no
garimpo ilegal, no tráfico de pessoas.
Mas há uma escravidão pior.
3.2.
A escravidão mental
A escravidão mental é a mais perigosa — porque é invisível. O escravo
mental não sabe que é escravo. Ele acredita que
é livre. Ele defende seu senhor. Ele ataca quem
tenta libertá-lo.
O escravo mental é aquele que:
i.
Não pensa criticamente — aceita o
que lhe dizem;
ii.
Não questiona — obedece às
autoridades;
iii.
Não duvida — crê em
tudo que lhe ensinam;
iv.
Não se organiza — isola-se
em sua ignorância;
v.
Não resiste — aceita sua
condição como natural.
A escravidão mental é a prisão da alma. E o
carcereiro é a ignorância.
3.3.
A escravidão psíquica
A escravidão psíquica é a internalização da opressão. O escravo
psíquico odeia a si mesmo. Ele despreza sua
cultura, sua origem, seu povo. Ele admira o
opressor. Ele sonha em ser como ele.
O escravo psíquico é aquele que:
i.
Acredita que a pobreza é culpa sua — não do
sistema;
ii.
Acredita que o fracasso é destino — não
consequência da opressão;
iii.
Acredita que o rico é melhor — não apenas
mais privilegiado;
iv.
Acredita que o patrão é generoso — não
explorador.
A escravidão psíquica é a mais perversa.
Porque o escravo luta contra sua própria libertação.
4. A FRAUDE POLÍTICA DA "LIBERTAÇÃO"
4.1.
Quem diz que vai libertar...
Nas campanhas eleitorais, os candidatos da direita, bolsonaro/ista,
extrema-direita repetem:
i.
"Vou libertar o Brasil do comunismo." [Não existe
comunismo]
ii.
"Vou libertar o povo da opressão do Estado." [Não há a
opressão que subjetiva, subliminarmente dizem haver]
iii.
"Vou libertar a economia da intervenção estatal." [Não há
economia sem intervenção do estado. Não há estado sem economia a intervir]
iv.
"Vou libertar a família da ideologia de gênero." [Não há
família presa à ideologia de gênero. Não há liberdade sem ideologias, entre
elas a de gênero]
Eles prometem liberdade. Mas entregam
escravidão.
4.2.
A inversão perversa
A inversão é a seguinte:
1. O que eles dizem: "Vou libertar do
comunismo"
Na verdade, o que eles fazem: Criminalizam a esquerda, silenciam a
crítica, os críticos
2. O que eles dizem: "Vou libertar da opressão do
Estado"
Na verdade, o que eles fazem: Desmontam o Estado que protege os
pobres, para proteger o ricos e bandidos ricos
3. O que eles dizem: "Vou libertar a
economia"
Na verdade, o que eles fazem: Entregam a economia ao capital
internacional/EEUU
4. O que eles dizem: "Vou libertar a família"
Na verdade, o que eles fazem: Impõem uma única visão de família,
perseguem as outras
Eles prometem liberdade. Mas o que fazem de
verdade é reforçar o escravismo pela ignorância, pelo obscurantismo.
4.3.
A retirada do conhecimento
O que os candidatos bolsonaros/istas, da extrema-direita,
fascistas fazem, na prática, é retirar a possibilidade de adquirir
conhecimento:
i.
Cortam verbas da educação — escolas
sucateadas, universidades sem recursos;
ii.
Censuram professores —
"Escola sem Partido", perseguição a educadores e alunos;
iii.
Proíbem livros — censura a
obras que contradizem sua ideologia bolsonaro/ista, da extrema-direita,
fascista;
iv.
Atacam a ciência —
negacionismo climático, antivacina, terraplanismo; nega a democracia, a
liberdade, a religião... Tem que ser unicidade, só a d’eles;
v.
Controlam a mídia — silenciam
vozes dissidentes, criminalizam jornalistas. Tem que ser só eles;
vi.
Desinformam — fake news,
deepfakes, manipulação das redes sociais. É a práxis d’eles diuturnamente.
O objetivo é claro: manter o povo na
ignorância. No obscurantismo/escuro mental. Porque o povo ignorante é o povo
escravo. Por isso não constroem escolas. Destrói escolas. Não constroem locais
de saberes. Destroem saberes.
5. A LINGUAGEM SUBLIMINAR DA FRAUDE
5.1.
A metafísica da fala
Os candidatos bolsonaro/istas, da extrema-direita, fascistas
dominam a metafísica da fala — a arte de
dizer sem dizer, de insinuar sem afirmar, de prometer o que não pretendem
cumprir. Nunca!!
Eles usam:
i.
Palavras de efeito —
"liberdade", "família", "Deus",
"pátria" [d’eles próprios];
ii.
Inimigos imaginários —
"comunismo", "ideologia de gênero", "globalismo";
iii.
Promessas vagas — "vou
mudar tudo", "vou acabar com a corrupção", “vou combater com o
CV, o PCC, a milícia, as facções...” [não vai mudar, acabar, combater ele próprio
sendo ele o que diz que vai mudar, acabar, combater];
iv.
Silêncios estratégicos — não dizem
o que farão de verdade.
A linguagem subliminar é a arma dos bolsonaros/istas,
da extrema-direita, do fascismo. Ela não convence pela razão —
convence pela emoção. Não esclarece — confunde. Não liberta — escraviza.
5.2.
O crime da fala
Quem diz que vai libertar e não liberta comete um
crime. Não um crime jurídico — um crime moral,
político, histórico. Um crime contra o povo. Um crime contra a verdade. Um crime
contra a própria possibilidade de libertação como processo evolutivo de
liberdade.
A fala que promete liberdade e entrega
escravidão é a fala do traidor. E o traidor da pátria é aquele que entrega o
povo à ignorância para facilmente lhe entregar como mercadoria colonizada/escrava
de um império colonizador extrativista, no caso: os EEUU que se impõem como “EUA”.
6. O CASO BRASILEIRO: O BOLSONARISMO COMO PROJETO DE ESCRAVIDÃO
MENTAL
6.1.
O projeto de obscurantismo
O bolsonarismo não é apenas um projeto político. É um projeto de
obscurantismo. Ele visa, se o brasileiro permitir pela democracia eleitoral/do
voto:
i.
Destruir a educação pública — cortes,
censura, perseguição a professores e alunos que não sejam como eles...;
ii.
Destruir a ciência —
negacionismo, ataque a universidades, desfinanciamento de pesquisas,
fechamentos dos campos/centros de ciências;
iii.
Destruir a cultura — censura a
artistas, corte de verbas, ataque a museus;
iv.
Destruir a informação — fake news,
ataque à imprensa, controle das redes.
O objetivo é criar um povo ignorante,
obediente, manipulável – volúvel e levável. Um povo que não pensa — que apenas
segue o boiadeiro.
6.2.
A teologia da prosperidade e dominação
A Teologia da Dominação — que há décadas
venho observando, chamado a atenção e denunciando — fornece a justificativa
religiosa para esse projeto:
i.
O povo não precisa de conhecimento — precisa de fé “no Deus
de Israel”;
ii.
O povo não precisa de ciência — precisa de Deus do
antigo/velho testamento – escatológico;
iii.
O povo não precisa de educação — precisa de doutrina “evangélica-cristã
dominionista”;
iv.
O povo não precisa de liberdade — precisa de salvação “pelo
Deus de Israel”.
A Teologia da prosperidade e dominação
transforma a ignorância em virtude. E a escravidão mental em salvação eterna.
6.3.
O candidato Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, herdeiro do pai bolsonaro/ismo, representa a
continuidade desse projeto. Ele não quer libertar o povo — quer escravizá-lo:
i.
Escravizá-lo pela ignorância — destruindo
a educação;
ii.
Escravizá-lo pelo medo — explorando
a violência;
iii.
Escravizá-lo pela fé — usando a
religião como instrumento de poder;
iv.
Escravizá-lo pela mentira — mantendo e
ampliando a construção vigente de uma realidade paralela.
Ele promete liberdade. Mas entrega a
escravidão mais profunda: a escravidão da mente. Estou certo de estar certo,
infelizmente!!
7. A RESISTÊNCIA PELO CONHECIMENTO
7.1.
A educação como trincheira
A única forma de resistir ao projeto de obscurantismo é ocupar a
trincheira da educação:
i.
Defender a escola pública — gratuita,
laica, critica, dialética, fraterna, libertadora, de qualidade em humanidade;
ii.
Defender a universidade pública — ciência, pesquisa,
ensino, extensão;
iii.
Defender os professores —
valorização, formação, autonomia;
iv.
Defender a ciência —
investimento, liberdade de pesquisa, de ensino, extensão...;
v.
Defender a cultura —
financiamento, liberdade de criação e expressão...
A educação é a única vacina contra o fascismo.
E o fascismo sabe disso — por isso a ataca.
7.2.
A comunicação popular
É preciso disputar diuturna e permanentemente a
narrativa nas redes sociais, nas rádios comunitárias, nos podcasts progressistas,
nos espaços de convivência:
i.
Desmascarar as fake news — com fatos,
evidências, checagem, desconstruindo-os pedagógica, didática e dialeticamente;
ii.
Expor as contradições — pedagógica,
didática e dialeticamente mostrar o que dizem e o que fazem;
iii.
Construir contra-narrativas — que
disputem o imaginário popular;
iv.
Formar multiplicadores — que
repliquem o conhecimento em suas dimensões... pedagógica, didática e dialeticamente.
7.3.
A organização popular
O conhecimento não liberta sozinho. Ele liberta quando organizado
coletivamente:
i.
Sindicatos — que
defendem os direitos dos trabalhadores;
ii.
Movimentos sociais — que lutam
por terra, moradia, saúde, educação;
iii.
Associações de bairro — que lutam
por melhorias locais;
iv.
Coletivos culturais — que
produzem arte e pensamento crítico;
v.
Partidos políticos — que
disputam o poder do Estado.
A libertação não é individual. É coletiva. E a
organização é o caminho.
8. OBSERVAÇÕES FINAIS: A EQUAÇÃO QUE NÃO PODE SER ESQUECIDA
Conhecimento = Liberdade.
Ignorância = Escravidão.
Essa equação é a chave de tudo. Ela explica por que os poderosos
temem tanto a educação. Por que investem na desinformação. Por que desconstroem
o saber real. Por que atacam professores, alunos, cientistas, artistas,
jornalistas. Por que prometem liberdade enquanto entregam escravidão. Prometem
democracia enquanto entregam autoritarismo/ditadura. Prometem vida e entregam
MORTES!!
Quem diz que vai libertar e não liberta é
mentiroso.
Quem diz que vai libertar e retira o
conhecimento é criminoso.
Quem diz que vai libertar e reforça a
ignorância é escravizador.
A verdadeira libertação é o conhecimento. E o
conhecimento é a única arma que o povo tem contra seus algozes.
Que o povo brasileiro não se deixe enganar.
Que não troque a liberdade pela promessa vazia de liberdade. Que não aceite a
escravidão disfarçada de salvação.
Porque a liberdade não se compra. Não se ganha
de presente. Conquista-se — com conhecimento, com organização, com luta. Com
vidas em risco!!
— Porque a ignorância é a noite da alma. E o conhecimento é a
aurora. E quem teme a aurora, teme a liberdade.
A história
julga os que escolhem a ignorância para ocupar o
lugar do conhecimento.
Temos até domingo, 25/10/2026. Depois, pode ser tarde demais.
Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes
Em diálogo holístico e transdisciplinar
Imperatriz [MA], 22 de outubro de 2026
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