O AGRO
BRASILEIRO SUICIDA-SE: A PERGUNTA QUE NINGUÉM QUER RESPONDER
Por Professor
Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – em diálogo
holístico e transdisciplinar com você, leitor/a
I.
A PERGUNTA FATAL
Com o
acidente drástico/dramático da eleição acidental de Flávio Bolsonaro
presidente...,
o agro e o empresariado irão vender seus produtos para quem?
A pergunta é
simples. A resposta é devastadora. E o silêncio dos que se dizem
"produtores" — os que financiam a extrema-direita, os que aplaudem o
golpismo, os que acreditam que o lucro de hoje justifica a destruição de amanhã
— é a prova de que não pensaram nas consequências.
Vamos pensar
por eles, destruidores da política e meio ambiente brasileiro.
II.
O QUE O AGRO BRASILEIRO VENDE E PARA QUEM
O agronegócio
brasileiro registrou exportações recordes de US$ 169,2
bilhões em 2025. Quase metade de tudo que o
Brasil exporta vem do campo.
E para onde
vai essa produção?
1.
China: US$
55,3 bilhões (32,7% do total). A China é,
de longe, o maior comprador de soja, carne bovina e minério brasileiros. Em 2025,
o Brasil vendeu 1,64 milhão de toneladas de carne bovina para
os chineses. A soja brasileira inundou o mercado chinês — 12,08 milhões
de toneladas só em junho de 2026.
2.
União
Europeia: US$ 25,2 bilhões.
3.
Estados
Unidos: US$ 11,4 bilhões — e caindo 5,6% em relação a 2024.
Ou
seja: o agro brasileiro depende da China. Depende da Europa. Depende de
mercados que não são os EUA.
Vocês
não terão mais LULA para coloca-los dentro de aviões e leva-los pelo mundo para
vender seus produtos. LULA já fez isso em seus 3 mandatos, quem mais fez isso
por vocês?!
III.
O QUE ACONTECE SE FLÁVIO BOLSONARO VENCER
3.1.
O bloqueio chinês já está em curso
A China,
PREVENTIVAMENTE, não esperou a eleição para agir. Em 2026, o gigante asiático
JÁ:
i.
Suspendeu
importações de cinco frigoríficos brasileiros por
resíduos de medicamentos veterinários proibidos;
ii.
Reduziu a
cota de importação de carne bovina brasileira em 17% em
relação a 2025;
iii.
Impôs tarifa
adicional de 55% sobre a
carne bovina brasileira que exceder a cota de 1,1 milhão de toneladas;
iv.
Acelerou a
compra de soja americana como
parte de um acordo com Trump, enquanto a soja brasileira perde espaço.
E
por que a China está fazendo isso? Porque está se preparando,
preventivamente, para o pior. O
acordo China-EUA de setembro de 2026 — que reduziu tarifas sobre milho, trigo,
sorgo, óleo e farelo de soja, e carne bovina americanos — é um sinal claro: a China está
diversificando fornecedores. Se o Brasil se tornar
uma colônia dos EUA, a China não vai comprar do
lacaio de uma colônia americana.
Vai comprar diretamente do colonizador, os EUA.
3.2.
O "Escudo das Américas" e a subordinação
Em setembro
de 2026, o governo de José Antonio Kast, no Chile, anunciou a adesão do país ao "Escudo
das Américas" — a coalizão promovida por
Trump “contra” o crime organizado, que já reúne Argentina, Bolívia, Chile,
Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá,
Paraguai e outros.
O que isso
significa? Significa que a América Latina está sendo reorganizada como bloco
subordinado aos EUA, como
sendo agora suas colônias assumidas institucionalmente. E
o Brasil, se Flávio Bolsonaro vencer, será a joia da coroa dessa
subordinação.
3.3.
O tarifaço que já está em vigor
Os EUA já
impuseram ao Brasil:
i.
Tarifa de 25% sob
a Seção 301, por supostas práticas comerciais desleais;
ii.
Tarifa
adicional de 12,5% por
"falha em proibir trabalho forçado", que, somada à anterior, resulta
em tarifas totais de até 37,5% para
alguns produtos.
E
o que os EUA isentaram dessas tarifas? Carne bovina,
café, soja, amendoim, açúcar e cacau —
exatamente os produtos que o Brasil mais vende aos EEUU. Por quê? Porque os EUA não produzem
o suficiente para atender sua própria
demanda. Eles precisam do agro brasileiro — mas nos querem
como fornecedores cativos, não como parceiros soberanos.
IV.
A EQUAÇÃO IMPOSSÍVEL
Se Flávio
Bolsonaro vencer, o agro brasileiro enfrentará uma equação impossível:
Mercado
da
1
China: Situação
atual: Maior
comprador (US$ 55 bi) – Cenário real com Flávio:
Bloqueio ou redução drástica —
a China não compra de colônia americana
2
União Europeia:
Situação atual:
Segundo maior (US$ 25 bi) – Cenário real
com Flávio: Retaliação —
a UE já sinalizou que pode remover o Brasil da lista de exportadores aprovados
3
EUA: Situação
atual: Terceiro
(US$ 11 bi) – Cenário real com Flávio:
Apropriação, não compra —
os EUA não compram, confiscam, tomam
E
aí, agro? Para quem vocês vão vender?
Para os EUA?
Os EUA não compram. Eles se apropriam.
Eles impõem tarifas, exigem acesso a mercados, condicionam a compra à
subordinação política. O agro brasileiro já viu isso acontecer com o aço, com o
alumínio, com a laranja. Não vai ser diferente com a soja e
a carne.
A China? A
China não compra de quem se ajoelha para Trump.
A China compra de quem tem soberania. A China compra de quem tem política
externa própria. A China compra de Lula,
não de Flávio.
V.
A IMPRUDÊNCIA DOS QUE FINANCIAM O SUICÍDIO
A Frente
Parlamentar da Agropecuária (FPA) — a maior bancada
do Congresso, com 345 deputados e senadores — oficializou
apoio a Flávio Bolsonaro.
O presidente
da FPA, deputado Pedro Lupion, justificou: "convergência
das diretrizes do plano de governo do candidato com as prioridades do setor".
E reclamou de juros altos, endividamento, seguro rural.
Mas Lupion e
seus pares não estão pensando no longo prazo.
Estão pensando no curto prazo.
Nos juros de hoje. Nas dívidas de hoje. No lucro de hoje. Grandes
imbecis, idiotas ou maus caráteres mesmo!! Ou tudo isso junto!!
Imbecis.
Idiotas. Maus caráteres. Vocês
estarão se autossuicidando.
Porque um
agro que vende 32,7% para a China e 14,9% para a Europa não pode se
dar ao luxo de ter um presidente que transforma o Brasil em colônia dos EUA.
A China não vai comprar. A Europa não vai
comprar. E os EUA não compram —
confiscam.
VI.
O QUE O AGRO DEVERIA FAZER
Em vez de se
ajoelhar para Trump e para o bolsonarismo, o agro brasileiro deveria:
1.
Exigir
soberania nas negociações comerciais —
não aceitar a subordinação aos EUA;
2.
Diversificar
mercados com inteligência —
China, Índia, Sudeste Asiático, África, América Latina...; E LULA é a
garantia porque já deu inúmeras provas disso;
3.
Investir em
infraestrutura —
portos, ferrovias, armazenagem — para não depender de escoamento controlado por
estrangeiros;
4.
Apoiar a política
externa soberana do Brasil —
porque é ela que garante acesso a mercados;
5.
Rejeitar o
canto da sereia bolsonarista —
porque o bolsonarismo é o cavalo de Troia da
subordinação.
VII.
A PERGUNTA QUE FICA
O agro
brasileiro quer vender para quem?
—
Para a China, que compra?
—
Para a Europa, que compra? Ou
—
Para os EUA, que não compram — confiscam?
A resposta
está nas urnas.
Se Flávio
Bolsonaro vencer, o agro brasileiro terá escolhido o suicídio. Terá trocado a
soberania pela subordinação. Terá trocado os mercados pela dependência. Terá
trocado o futuro pelo presente.
E aí, agro?
Vai vender mesmo para
quem?
— Porque quem
se ajoelha para o império não escolhe o preço. Recebe a esmola que o império
quiser dar. Se quiser dar.
Professor[*]
Negreiros, Deuzimar Menezes
∞
Pesquisador Consultor-Analista
e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente
e Política
∞ Pedagogo, Filósofo e
Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]
∞ Pós-Graduado em Docência da
Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia
Ambiental