quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O AUTOSUICÍDIO DO AGRO

 

O AGRO BRASILEIRO SUICIDA-SE: A PERGUNTA QUE NINGUÉM QUER RESPONDER

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – em diálogo holístico e transdisciplinar com você, leitor/a

 

I. A PERGUNTA FATAL

Com o acidente drástico/dramático da eleição acidental de Flávio Bolsonaro presidente..., o agro e o empresariado irão vender seus produtos para quem?

A pergunta é simples. A resposta é devastadora. E o silêncio dos que se dizem "produtores" — os que financiam a extrema-direita, os que aplaudem o golpismo, os que acreditam que o lucro de hoje justifica a destruição de amanhã — é a prova de que não pensaram nas consequências.

Vamos pensar por eles, destruidores da política e meio ambiente brasileiro.

 

II. O QUE O AGRO BRASILEIRO VENDE E PARA QUEM

O agronegócio brasileiro registrou exportações recordes de US$ 169,2 bilhões em 2025. Quase metade de tudo que o Brasil exporta vem do campo.

 

E para onde vai essa produção?

1.      China: US$ 55,3 bilhões (32,7% do total). A China é, de longe, o maior comprador de soja, carne bovina e minério brasileiros. Em 2025, o Brasil vendeu 1,64 milhão de toneladas de carne bovina para os chineses. A soja brasileira inundou o mercado chinês — 12,08 milhões de toneladas só em junho de 2026.

2.      União Europeia: US$ 25,2 bilhões.

3.      Estados Unidos: US$ 11,4 bilhões — e caindo 5,6% em relação a 2024.

 

Ou seja: o agro brasileiro depende da China. Depende da Europa. Depende de mercados que não são os EUA.

 

Vocês não terão mais LULA para coloca-los dentro de aviões e leva-los pelo mundo para vender seus produtos. LULA já fez isso em seus 3 mandatos, quem mais fez isso por vocês?!

 

III. O QUE ACONTECE SE FLÁVIO BOLSONARO VENCER

3.1. O bloqueio chinês já está em curso

A China, PREVENTIVAMENTE, não esperou a eleição para agir. Em 2026, o gigante asiático JÁ:

         i.            Suspendeu importações de cinco frigoríficos brasileiros por resíduos de medicamentos veterinários proibidos;

        ii.            Reduziu a cota de importação de carne bovina brasileira em 17% em relação a 2025;

      iii.            Impôs tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que exceder a cota de 1,1 milhão de toneladas;

      iv.            Acelerou a compra de soja americana como parte de um acordo com Trump, enquanto a soja brasileira perde espaço.

 

E por que a China está fazendo isso? Porque está se preparando, preventivamente, para o pior. O acordo China-EUA de setembro de 2026 — que reduziu tarifas sobre milho, trigo, sorgo, óleo e farelo de soja, e carne bovina americanos — é um sinal claro: a China está diversificando fornecedores. Se o Brasil se tornar uma colônia dos EUA, a China não vai comprar do lacaio de uma colônia americana. Vai comprar diretamente do colonizador, os EUA.

 

3.2. O "Escudo das Américas" e a subordinação

Em setembro de 2026, o governo de José Antonio Kast, no Chile, anunciou a adesão do país ao "Escudo das Américas" — a coalizão promovida por Trump “contra” o crime organizado, que já reúne Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Paraguai e outros.

 

O que isso significa? Significa que a América Latina está sendo reorganizada como bloco subordinado aos EUA, como sendo agora suas colônias assumidas institucionalmente. E o Brasil, se Flávio Bolsonaro vencer, será a joia da coroa dessa subordinação.

 

3.3. O tarifaço que já está em vigor

Os EUA já impuseram ao Brasil:

         i.            Tarifa de 25% sob a Seção 301, por supostas práticas comerciais desleais;

        ii.            Tarifa adicional de 12,5% por "falha em proibir trabalho forçado", que, somada à anterior, resulta em tarifas totais de até 37,5% para alguns produtos.

 

E o que os EUA isentaram dessas tarifas? Carne bovina, café, soja, amendoim, açúcar e cacau — exatamente os produtos que o Brasil mais vende aos EEUU. Por quê? Porque os EUA não produzem o suficiente para atender sua própria demanda. Eles precisam do agro brasileiro — mas nos querem como fornecedores cativos, não como parceiros soberanos.

 

IV. A EQUAÇÃO IMPOSSÍVEL

Se Flávio Bolsonaro vencer, o agro brasileiro enfrentará uma equação impossível:

Mercado da

1 China: Situação atual: Maior comprador (US$ 55 bi) – Cenário real com Flávio: Bloqueio ou redução drástica — a China não compra de colônia americana

2 União Europeia: Situação atual: Segundo maior (US$ 25 bi) – Cenário real com Flávio: Retaliação — a UE já sinalizou que pode remover o Brasil da lista de exportadores aprovados

3 EUA: Situação atual: Terceiro (US$ 11 bi) – Cenário real com Flávio: Apropriação, não compra — os EUA não compram, confiscam, tomam

 

E aí, agro? Para quem vocês vão vender?

Para os EUA? Os EUA não compram. Eles se apropriam. Eles impõem tarifas, exigem acesso a mercados, condicionam a compra à subordinação política. O agro brasileiro já viu isso acontecer com o aço, com o alumínio, com a laranja. Não vai ser diferente com a soja e a carne.

 

A China? A China não compra de quem se ajoelha para Trump. A China compra de quem tem soberania. A China compra de quem tem política externa própria. A China compra de Lula, não de Flávio.

 

V. A IMPRUDÊNCIA DOS QUE FINANCIAM O SUICÍDIO

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) — a maior bancada do Congresso, com 345 deputados e senadores — oficializou apoio a Flávio Bolsonaro.

 

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, justificou: "convergência das diretrizes do plano de governo do candidato com as prioridades do setor". E reclamou de juros altos, endividamento, seguro rural.

 

Mas Lupion e seus pares não estão pensando no longo prazo. Estão pensando no curto prazo. Nos juros de hoje. Nas dívidas de hoje. No lucro de hoje. Grandes imbecis, idiotas ou maus caráteres mesmo!! Ou tudo isso junto!!

 

Imbecis. Idiotas. Maus caráteres. Vocês estarão se autossuicidando.

 

Porque um agro que vende 32,7% para a China e 14,9% para a Europa não pode se dar ao luxo de ter um presidente que transforma o Brasil em colônia dos EUA. A China não vai comprar. A Europa não vai comprar. E os EUA não compram — confiscam.

 

VI. O QUE O AGRO DEVERIA FAZER

Em vez de se ajoelhar para Trump e para o bolsonarismo, o agro brasileiro deveria:

1.      Exigir soberania nas negociações comerciais — não aceitar a subordinação aos EUA;

2.      Diversificar mercados com inteligência — China, Índia, Sudeste Asiático, África, América Latina...; E LULA é a garantia porque já deu inúmeras provas disso;

3.      Investir em infraestrutura — portos, ferrovias, armazenagem — para não depender de escoamento controlado por estrangeiros;

4.      Apoiar a política externa soberana do Brasil — porque é ela que garante acesso a mercados;

5.      Rejeitar o canto da sereia bolsonarista — porque o bolsonarismo é o cavalo de Troia da subordinação.

 

VII. A PERGUNTA QUE FICA

O agro brasileiro quer vender para quem?

— Para a China, que compra?
— Para a Europa, que compra?
Ou
— Para os EUA, que não compram — confiscam?

 

A resposta está nas urnas.

Se Flávio Bolsonaro vencer, o agro brasileiro terá escolhido o suicídio. Terá trocado a soberania pela subordinação. Terá trocado os mercados pela dependência. Terá trocado o futuro pelo presente.

 

E aí, agro? Vai vender mesmo para quem?

 

— Porque quem se ajoelha para o império não escolhe o preço. Recebe a esmola que o império quiser dar. Se quiser dar.

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

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