sábado, 17 de outubro de 2026

A entrevista de flavio bolsonaro...

 

A ENTREVISTA DE FLÁVIO BOLSONARO À TV GLOBO [16/10/2026]

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes, rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA], em diálogo holístico e transdisciplinar... Imperatriz [MA], 16-17 de outubro de 2026

 

 

1. À GUISA DE ANTELÓQUIO: A FACHADA E A METAFÍSICA DA FALA

A entrevista de Flávio Bolsonaro a Renato Lopresti, na TV Globo, em 16 de outubro de 2026, não foi um debate. Foi um monólogo disfarçado de diálogo, uma operação de marketing travestida de jornalismo. E a análise de suas falas exige o que chamo de metafísica da fala: a capacidade de ouvir não apenas o que é dito, mas o que é subliminarmente insinuado, o que é deliberadamente omitido, o que é transferido ao adversário como espelho invertido da própria condição do entrevistado.

 

Flávio Bolsonaro é um mestre da inversão. Ele acusa o outro daquilo que ele próprio é. Ele denuncia no adversário os crimes que ele próprio pratica. Ele projeta no governo democrático as mazelas que ele e seu clã criaram quando passaram pela presidência do Brasil. Esta análise disseca cada uma dessas inversões.

 

2. A ANÁLISE DAS FALAS: O QUE FLÁVIO DIZ E O QUE ELE ESCONDE

2.1. “O Brasil está sem presidente”

O que ele diz: O Brasil está sem presidente, sem governo, sem rumo.

O que ele quer dizer subliminarmente: O governo Lula não é legítimo. Não reconheço a democracia. O único governo válido é o meu — ou o do meu pai.

 

A realidade: O Brasil tem presidente — eleito democraticamente, com mais de 60 milhões de votos. Tem governo — que reconstruiu políticas públicas destruídas pelo bolsonarismo. Tem rumo — que é o da soberania, da justiça social e da democracia. Flávio Bolsonaro não reconhece o governo porque não aceita a derrota. Porque não aceita a democracia. Porque não aceita que o povo escolheu outro caminho, oposto ao do necropai.

 

A inversão: Flávio diz que o Brasil está sem presidente. Mas quem tentou dar um golpe para não deixar o presidente eleito governar foi seu pai. Quem atacou as instituições foi seu clã. Quem criou o caos em que se encontra o Brasil foi a família Bolsonaro.

 

2.2. “Não tem governo”

O que ele diz: Não tem governo, não tem gestão, não tem nada.

O que ele quer dizer subliminarmente: O governo Lula é inexistente. Ignorem as políticas públicas. Ignorem a reconstrução. Ignorem os resultados. Ignorem um governo democrático. Ignorem a democracia!!

 

A realidade: O governo Lula existe — e trabalha. Reconstruiu o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, a Farmácia Popular. Retomou as obras paradas. Recuperou a credibilidade internacional. Reduziu o desemprego. Aumentou o salário mínimo. Investiu em educação e saúde.

 

A inversão: Flávio diz que não tem governo. Mas o governo que não existiu foi o do pai dele — que passou quatro anos negando a pandemia, destruindo o meio ambiente, atacando a ciência, quebrando a economia. O governo que não existiu foi o do bolsonarismo — que abandonou os pobres, perseguiu os vulneráveis, entregou o país a um congresso de ladrões e ao capital internacional.

 

2.3. “Vou combater o crime organizado”

O que ele diz: Vou combater o CV, o PCC, as milícias, as facções, o crime organizado.

O que ele quer dizer subliminarmente: Vou combater apenas os que não são meus. A milícia, que é minha, será protegida, assim como parte do CV, do PCC, das facções, do orcrim que estiverem conosco e forem confiáveis por nós.

 

A realidade: A família Bolsonaro é o crime organizado. O pai, Jair, construiu sua carreira política com apoio de milicianos. O irmão, Eduardo, é investigado por ligações com milícias. O próprio Flávio teve Adriano da Nóbrega — chefe do Escritório do Crime, acusado de matar Marielle Franco — como funcionário de seu gabinete. Seu ex-assessor Fabrício Queiroz está foragido e tem ligações com milicianos. Orcrim. A “rachadinha” de seu gabinete envolvia pessoas ligadas à milícia.

 

A inversão: Flávio diz que vai combater o crime organizado. Mas ele é o crime organizado. A milícia não é combatida por ele — é protegida. As facções que ele diz combater não são as dele.

 

2.4. “Vou defender a família”

O que ele diz: Vou defender a família brasileira, os valores cristãos, a moral.

O que ele quer dizer subliminarmente: Vou impor uma única visão de família — a minha. Vou perseguir todas as outras.

 

A realidade: A família Bolsonaro não defende a família. O pai negou a pandemia e deixou mais de 700 mil famílias enlutadas. O clã enriqueceu com esquemas de corrupção enquanto milhões empobreciam. A “defesa da família” é apenas retórica para atacar LGBTQIA+, feministas, indígenas, quilombolas — e proteger os privilégios dos ricos.

 

A inversão: Flávio diz que defende a família. Mas quem destrói famílias são as políticas de austeridade que ele defende — cortes em saúde, educação, assistência social. Quem destrói famílias é a violência de responsabilidade de cada estado brasileiro combater, e que ele, Flávio e o clã do qual faz parte não combate — porque é cúmplice dela, por dela ser parte.

 

2.5. “A esquerda quer destruir o Brasil”

O que ele diz: A esquerda quer destruir o Brasil, a economia, a família, a moral.

 

O que ele quer dizer subliminarmente: Eu quero destruir o Brasil — mas vou culpar a esquerda.

 

A realidade: Quem destruiu o Brasil foi o bolsonarismo: destruiu a economia [com o desemprego em massa], destruiu a saúde [com o negacionismo], destruiu a educação [com cortes e censura], destruiu o meio ambiente [com o desmatamento recorde], destruiu a imagem do país [com o isolamento internacional].

 

A inversão: Flávio diz que a esquerda quer destruir o Brasil. Mas ele é o destruidor. Ele e seu clã. Ele e seu projeto de poder ressentido. A rejeição causa raiva, a raiva o ódio. E com a raiva odiosa vem a necessidade de vingança. A vingança do clã bolsonaro.

 

3. A POSTURA DA ENTREVISTADORA E DA IMPRENSA HEGEMÔNICA

3.1. A cumplicidade cordial

Renato Lopresti adotou a postura da neutralidade falsa:

         i.            Não confrontou Flávio com os fatos de seu histórico familiar;

        ii.            Não questionou a origem miliciana do clã;

      iii.            Não mencionou os projetos de lei do PL que estão prontos para votação a partir de 2027;

      iv.            Não cobrou coerência entre o discurso e a prática;

        v.            Permitiu que Flávio construísse sua narrativa sem contraditório.

 

A entrevista foi um monólogo disfarçado de diálogo. A entrevistadora foi cordial — e a cordialidade, diante de um candidato que representa o autoritarismo, é cumplicidade.

 

3.2. A Globo e a blindagem do clã

A TV Globo, como sempre, atuou como escudo do bolsonarismo. Não por acaso:

         i.            Não exibiu as evidências das ligações de Flávio com a milícia;

        ii.            Não questionou o currículo fabricado/falso de Flávio;

      iii.            Não cobrou explicações sobre a rachadinha;

      iv.            Não mencionou os R$ 8,5 milhões recebidos de Daniel Vorcaro;

        v.            Não confrontou Flávio com os projetos de lei do PL que desmontam o Estado a partir de 2027.

 

A Globo protege Flávio porque precisa dele. Precisa de um candidato que não a confronte, que não a regule, que não a ameace porque é chantageado em decorrência dos crimes praticados. Precisa de um candidato que sirva subservientemente aos interesses do capital estadunidense. De Trump.

 

4. A METAFÍSICA DA INVERSÃO: O ESPELHO INVERTIDO

4.1. Flávio Bolsonaro é um espelho invertido. Ele projeta no adversário tudo o que ele é:

O que Flávio diz do adversário

O que Flávio é

“É corrupto”

É réu por rachadinha, recebeu R$ 8,5 milhões de Vorcaro

“É mentiroso”

Fabricou currículo, mentiu sobre monografia, mente sobre o pai, mente sobre si.

“É criminoso”

Tem origem miliciana, teve miliciano no gabinete

“É ditador”

Quer mudar a Constituição, impor teocracia, censurar

“É inimigo da família”

Destrói famílias com políticas de austeridade

“É inimigo do Brasil”

Entrega o Brasil aos EUA, destrói a economia, a saúde, a educação

 

4.2. As mentiras e os fatos que as desmentem

O que Flávio disse

A verdade factual

"Vou combater o crime organizado"

Sua família tem origem miliciana; seu ex-assessor Fabrício Queiroz e o miliciano Adriano da Nóbrega estavam ligados ao seu gabinete. Ele é o crime organizado. Vai combater ele próprio?!

"Não vou cortar direitos"

Os projetos de leis do PL para 2027 extinguem órgãos que garantem direitos [INCRA, CONAB, FUNASA, DNOCS, CODEVASF].

"Vou modernizar o Estado"

"Modernizar" é o eufemismo para desmontar o Estado social e transferir suas funções ao mercado. Ao setor privado.

"A esquerda quer destruir a família"

Quem destrói famílias são as políticas de austeridade que ele defende: cortes em saúde, educação, assistência social.

"Vou governar para todos"

Seus projetos beneficiam apenas o agronegócio, o capital financeiro e as elites. Esses são os todos.

"Não sou como meu pai"

Ele é pior: herdou o método, aprimorou a retórica e tem o plano de governo pronto.

 

A inversão é a arma mais poderosa da extrema-direita. Ela confunde, desorienta, paralisa. Quem ouve Flávio sem análise crítica acredita que o inimigo é o outro — quando o inimigo é ele próprio.

 

5. À GUISA DE LAIA: A URGÊNCIA DA DESCONSTRUÇÃO

A entrevista de Flávio Bolsonaro foi uma operação de guerra psicológica. Cada fala foi calculada para:

         i.            Confundir o eleitor;

        ii.            Deslegitimar o governo Lula;

      iii.            Vitimizar o clã Bolsonaro;

      iv.            Projetar no adversário as próprias mazelas de provoca;

        v.            Preparar o terreno para o golpe. Isso ficou claro nas inferência!!

 

A esquerda precisa desconstruir essa narrativa com fatos, evidências, análise crítica. Não basta dizer que Flávio mente. É preciso provar que ele mente, mostrar as contradições, expor as inversões.

 

A tarefa é urgente. O tempo é curto. A democracia está em jogo.

 

— Porque o espelho invertido só engana quem não sabe olhar. E a verdade, quando exposta, desmonta a farsa.

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA

Em diálogo holístico e transdisciplinar...

Imperatriz [MA], 17 de outubro de 2026

 

Contatos:
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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

QUANDO O CRIMINOSO SE APRESENTA COMO JUIZ

 A INVERSÃO FASCISTA — QUANDO O CRIMINOSO SE APRESENTA COMO JUIZ

Sobre o espetáculo eleitoral de 2026 e a projeção sistemática do próprio crime sobre o adversário

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes

∞ Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA] Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

 

 

1. O RISO E O NOJO

Há algo de grotesco — e ao mesmo tempo de profundamente revelador — no espetáculo que a "república federativa" oferece nestes dias de setembro de 2026.

 

Candidatos cujas mãos carregam processos, inquéritos, delações e condenações sobem ao palanque para ensinar ética. Homens cujos nomes aparecem em relatórios policiais sobre milícia, rachadinha, narcotráfico e tentativa de golpe pedem “liberdade”, “democracia”, "ordem" e "moralidade". Filhos de famílias que construíram carreira política sobre a violência prometem "acabar com a violência". E o público — mais da metade do eleitorado — aplaude. E deve em eles votar!!

 

O riso seria a resposta mais imediata, se não houvesse o nojo. Porque não estamos diante de uma comédia. Estamos diante de uma operação psicológica de massa volúvel e levável, historicamente testada, teoricamente explicada, e hoje perfeitamente instrumentalizada: o agressor acusa a vítima daquilo que ele mesmo pratica: agressão!!

 

A pergunta que formulo é devastadora em sua simplicidade: "Essas pessoas vão combater a si mesmas?"

 

A resposta, infelizmente, é conhecida. Não, não vão. Porque não se trata de combater crime algum. Trata-se de ocupar o lugar do juiz — para que o crime continue sendo praticado sob a autoridade de quem é o denunciado.

 

2. A DIMENSÃO HISTÓRICA — O FASCISMO COMO INVERSÃO SISTEMÁTICA

2.1. A lição de Adorno

Em 1951, Theodor Adorno publicou um pequeno ensaio que se tornaria clássico: "A Teoria Freudiana e o Padrão da Propaganda Fascista". Ali, ele demonstrava que o discurso fascista opera por projeção paranoica: o agressor atribui ao inimigo seus próprios impulsos destrutivos, e assim legitima sua própria violência como "defesa" e "purificação".

 

Não é coincidência retórica. É estrutura psíquica de massa. Massa volúvel e levável. O fascismo não nega que haja violência no mundo — ele apenas a desloca. A violência está sempre "no outro": no comunista, no negro, no indígena, no nordestino, no "bandido", na "esquerda", no "STF". O fascista é sempre o salvador, nunca o algoz. Mas é o algoz!!

 

2.2. A fórmula de Goebbels e a sua ressurreição tropical

A frase atribuída a Goebbels — "acuse-os do que você faz" — não é uma anedota. É um manual de operações. Hitler, em Minha Luta, já dizia que "na grande mentira há sempre uma certa força de credibilidade" e que "a mentira deve ser grande, pois as massas acreditarão mais facilmente numa grande mentira do que numa pequena".

 

O bolsonarismo não inventou esse manual. Ele apenas o tropicalizou. A diferença é que, no século XXI, o método tem algoritmos, redes sociais e uma indústria midiática que o amplificam exponencialmente.

 

3. A DIMENSÃO BRASILEIRA — A FAMÍLIA COMO EMPRESA CRIMINOSA DE PODER

3.1. O caso arquetípico

É impossível analisar o fenômeno sem mencionar o arquétipo que o inaugurou no Brasil contemporâneo: o clã político que fez da violência, da mentira, da morte e da projeção uma estratégia de acumulação de poder.

 

A trajetória é pública, documentada, processada:

  1. A origem miliciana da família no Rio de Janeiro, com raízes nos esquadrões da morte da ditadura e na estruturação das milícias da Zona Oeste;
  2. O esquema de rachadinha nos gabinetes familiares, investigado desde os anos 1990 e reaberto em 2018;
  3. A tentativa de golpe de Estado de 2022-2023, com invasão de prédios públicos e articulação de militares para subverter o resultado eleitoral;
  4. O caso Dark Horse e as transferências bancárias do banqueiro investigado;
  5. As denúncias de violência política contra adversários, jornalistas e servidores públicos;
  6. O enriquecimento patrimonial desproporcional ao longo de décadas de vida pública.

 

Cada um desses pontos está sob investigação, processo ou condenação. Nada disso é invenção. É o conteúdo real daquilo que a família acusa os outros de ser/fazer.

 

E, no entanto, o discurso proferido em palanque é sempre o mesmo: "vamos acabar com a corrupção, com o crime, com a violência, com o PCC, com o CV".

 

A pergunta impõe-se: o candidato vai combater a si mesmo?! Vai combater o clã no qual nasceu?!

 

3.2. O fenômeno se generalizou

O problema, porém, não é uma família. É um modelo que se proliferou por todo o Brasil. Candidatos em todos os estados, em todos os municípios, replicam a fórmula:

  1. Onde há milícia, o candidato acusa o adversário de miliciano;
  2. Onde há tráfico, o candidato acusa a esquerda de proteger traficante;
  3. Onde há corrupção, o candidato acusa o outro de corrupto;
  4. Onde há golpismo, o candidato acusa o STF de golpista.

 

Quem observa de perto reconhece o mesmo roteiro, adaptado a cada território. É um gênero discursivo — e, como todo gênero, produz-se industrialmente.

 

4. A DIMENSÃO PSICOLÓGICA — POR QUE O ELEITORADO ADERE

4.1. O eleitor não é tolo. Está capturado.

A leitura fácil é que o eleitor é "burro" ou "enganado". Essa leitura é elitista e falsa. O que ocorre é mais complexo e mais grave:

  1. Captura de informação — o eleitor consome notícias em bolhas algorítmicas, onde a mentira circula mais rápido que a verdade;
  2. Captura emocional — o medo, o ódio e o ressentimento são emoções mais potentes do que a razão, e são cultivados deliberadamente;
  3. Captura material — uma parcela do eleitorado se beneficia direta ou indiretamente do sistema, seja por empregos ligados ao setor, seja por programas clientelistas, seja por identificação com o "nós contra eles";
  4. Captura simbólica — há um gozo profundo em ver o "outro" [o professor, o intelectual, o jornalista, o ministro do STF] sendo atacado. É o prazer da vingança de classe contra quem "se acha superior".

 

4.2. A ignorância não é vazio — é preenchimento

Em meu texto sobre a inteligência cultural, já alertava: a ignorância não é ausência de informação. É excesso de informação falsa. O eleitor bolsonarista não é alguém sem informações — é alguém saturado de narrativas que organizam o mundo em "nós" e "eles", e que oferecem uma explicação simples [e falsa] para problemas complexos.

 

Essa saturação é produzida por um ecossistema midiático que inclui canais de YouTube, grupos de WhatsApp, rádios/TVs evangélicas, portais de desinformação e a própria grande mídia quando lhe convém.

 

5. A DIMENSÃO MIDIÁTICA — O PAPEL DA INDÚSTRIA DA NARRATIVA

5.1. Não é só o bolsonarismo — é o ecossistema

Não se pode analisar o fenômeno sem examinar o papel do ecossistema midiático que o sustenta. Esse ecossistema inclui:

  1. Canais digitais de extrema-direita — que transformam criminosos em "heróis perseguidos", “vitimados”;
  2. Portais de desinformação — que disseminam mentiras estruturadas;
  3. Emissoras de televisão — que amplificam o discurso de "combate ao crime" sem investigar quem o profere;
  4. Plataformas algorítmicas — que premiam engajamento, não veracidade.

 

Historicamente, esse ecossistema tem sido complacente com projetos de poder autoritário quando eles servem a interesses econômicos e ideológicos. Há uma cumplicidade estrutural entre certos veículos de comunicação e certos projetos políticos — e o resultado é uma população permanentemente exposta a uma narrativa invertida.

 

5.2. A corrosão da linguagem

A linguagem política no Brasil foi capturada. Palavras como "liberdade", "democracia", "ética", "família", "Deus", "pátria" — que pertencem a todos — foram sequestradas por um discurso do bolsonaro, fascista, da direita e extrema-direita que as esvazia de sentido e as instrumentaliza para garantir a dominação do bolsonaro, fascista, da direita e extrema-direita.

 

Esse sequestro é uma operação de necrofagia linguística: as palavras são mortas e depois devoradas, para que só reste a carcaça útil ao poder do bolsonaro, fascista, da direita e extrema-direita.

 

6. A DIMENSÃO MORAL — A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Voltemos à pergunta que faço:

"Essas pessoas vão combater a si mesmas?"

 

A resposta é dupla:

6.1. Não, não vão — porque não querem

Quando o candidato promete "acabar com o PCC", "destruir o CV", "combater a milícia", "eliminar a corrupção", ele não está falando de si mesmo. Ele está falando do inimigo construído por ele — a esquerda, o PT, o "sistema", o STF, o "comunismo". O seu próprio crime é transferido simbolicamente para o outro, e o outro passa a ser o alvo da violência que ele mesmo pratica.

 

6.2. Não, não vão — porque o sistema os protege

Mas há uma segunda razão: mesmo que quisessem, não poderiam. Porque o sistema que os elege é o mesmo que os blinda. As instituições que deveriam puni-los são sistematicamente enfraquecidas. Os processos são anulados. As investigações são obstruídas. Os relatores são alvejados.

 

O golpe por dentro do STF que assistimos nos últimos dias é a face mais visível dessa blindagem institucional. Quando um ministro da Suprema Corte afasta o diretor da Polícia Federal para proteger investigados, e o faz sem ouvir a Procuradoria-Geral da República, o que está em curso não é um "erro processual" — é a captura do aparelho de Estado por um projeto criminoso golpista.

 

7. O QUE FAZER — PROPOSIÇÕES EXECUTÁVEIS

7.1. Nível individual

  1. Não normalizar — chamar o crime de crime, sempre, mesmo quando o criminoso está no poder;
  2. Não esquecer — manter viva a memória dos fatos, dos processos, das condenações;
  3. Não se calar — falar em família, no trabalho, na escola, na igreja;
  4. Votar com consciência — conhecer os candidatos, exigir transparência, não se deixar levar pela narrativa fácil.

 

7.2. Nível coletivo

  1. Fortalecer a imprensa independente — apoiar veículos que investigam o poder, não que o servem;
  2. Ocupar os conselhos e espaços de participação — controle social é arma;
  3. Construir redes de resistência — movimentos sociais, sindicatos, universidades, comunidades de base;
  4. Denunciar a projeção — quando alguém acusa outro daquilo que ele mesmo faz, expor a inversão.

 

7.3. Nível institucional

  1. Defender a independência do STF — mas cobrar de seus ministros a imparcialidade que deles se espera;
  2. Exigir a aplicação efetiva da lei — Ficha Limpa, inelegibilidade por vínculo com organizações criminosas, punição da violência política;
  3. Reformar o sistema político — financiamento público exclusivo, fim do financiamento empresarial, transparência total;
  4. Fortalecer a educação pública — porque a única forma de romper o ciclo da desinformação é formar cidadãos capazes de pensar criticamente.

 

8. CONSIDERANDOS FINAIS — O QUE ESTÁ EM JOGO

Não estamos diante de uma disputa eleitoral comum. Estamos diante de uma guerra de narrativas — e, por trás dela, de uma guerra pelo próprio significado do Estado de Direito no Brasil.

 

De um lado, um projeto que quer transformar a democracia em fachada, o crime em método de governo, e o povo em massa de manobra. Do outro, a resistência — fragmentada, cansada, mas ainda viva — de quem acredita que a lei existe para todos, que a verdade importa, e que a história não está escrita.

 

A pergunta que faço não é retórica. É convocação:

"Essas pessoas vão combater a si mesmas?"

 

Não. Elas jamais vão combater a si mesmas. Cabe a nós — cidadãos, professores, intelectuais, trabalhadores — combatê-las. E combatê-las significa:

  1. Dizer a verdade quando a mentira é mais confortável;
  2. Nomear o crime quando o criminoso se apresenta como juiz;
  3. Ocupar as ruas, as redes, as urnas, as escolas, os conselhos — porque o poder não se entrega, se conquista;
  4. Resistir — mesmo quando a maioria parece ter escolhido o lado errado da história.

 

Porque a história, ao contrário do que dizem, não termina no dia da eleição. Ela continua, todos os dias, na luta de quem não se conforma.

 

— Porque a minha pátria é o Brasil, e a minha pátria será livre ou será escrava. Mas eu escolho livre.

 

Pesquisas, leituras, análises, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos parágrafos/textos:

 

∞ Por Professor[*] Negreiros Deuzimar Menezes

∞ Pesquisador Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

 

Contatos:

prof.negreiros@gmail.com
fundacaobrasileducacional@gmail.com
institutouniversidadepanameria@gmail.com
http://professornegreiros.blogspot.com.br/

 

Imperatriz/MA, São Miguel/TO, 11 de setembro 2026

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

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