quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

 LEITURA DE CENÁRIO E ANÁLISE DE CONJUNTURA: A REDUÇÃO DA JORNADA, A AUTOMAÇÃO E O FIM DO EMPREGO HUMANO

Por Professor Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – em diálogo holístico e transdisciplinar com o/a leitor/a

 

 

1. O QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO NO CONGRESSO

A PEC 6/2025 — também chamada de PEC da Escala 5x2 — está em votação na Câmara dos Deputados. Ela propõe:

  1. Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais;
  2. Fim da escala 6x1 — o trabalhador passaria a ter dois dias de descanso semanal;
  3. Aumento do adicional para trabalho em finais de semana de 50% para 100%;
  4. Redução da jornada noturna de 52min30s para 45min por hora trabalhada.

 

A votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi de 6 votos a 2 — mas a PEC ainda precisa passar por comissão especial e pelo plenário.

 

2. A ALEGAÇÃO DOS EMPREGADORES: "PREJUÍZO"

Os empresários e seus representantes no Congresso alegam que a redução da jornada prejudicará a economia, aumentará o desemprego e quebrará empresas.

 

Essa alegação é falsa. E há décadas de evidências que a desmentem:

País

Jornada

Economia

Desemprego

França

35h

7ª maior economia do mundo

Estável

Alemanha

35-40h

4ª maior economia do mundo

Baixo

Dinamarca

37h

Alta produtividade

Baixo

Holanda

36h

Alta produtividade

Baixo

 

A redução da jornada não quebrou essas economias. Não aumentou o desemprego. Não destruiu empresas.

 

O que a redução da jornada fez foi:

  1. Aumentar a produtividade — trabalhadores descansados produzem mais;
  2. Melhorar a saúde — menos acidentes, menos doenças ocupacionais;
  3. Aumentar o consumo — mais tempo livre, mais consumo;
  4. Fortalecer a democracia — mais tempo para a cidadania.

 

A alegação de prejuízo é uma mentira. Uma mentira que serve para manter os lucros do empregador.

 

3. A TENDÊNCIA REAL: A AUTOMAÇÃO E O FIM DO EMPREGO HUMANO

A PEC 6/2025 é importante. Mas ela é insuficiente para resolver o problema real que está em curso: a substituição dos trabalhadores por robôs, automação e IA.

 

3.1. O que está acontecendo

A Quarta Revolução Industrial está em curso. Ela se caracteriza por:

  1. Robótica avançada — robôs que substituem operários em linhas de montagem;
  2. Automação de processos — sistemas que substituem trabalhadores administrativos;
  3. Inteligência Artificial — algoritmos que substituem analistas, atendentes, motoristas, até médicos e advogados;
  4. Internet das Coisas — dispositivos conectados que substituem supervisores e controladores.

 

3.2. O que isso significa

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), até 2030:

  1. 800 milhões de empregos serão automatizados em todo o mundo;
  2. 375 milhões de trabalhadores precisarão mudar de ocupação;
  3. Setores inteiros desaparecerão — caixas de supermercado, motoristas, atendentes, operários de linha de montagem.

 

No Brasil, estimativas apontam que até 50% dos empregos podem ser automatizados nas próximas décadas.

 

3.3. A lógica capitalista

A lógica capitalista é implacável:

  1. O capitalista não contrata trabalhadores porque gosta deles — contrata porque precisa deles para produzir;
  2. Se a máquina substitui o trabalhador com custo menor, o trabalhador é descartado;
  3. A tendência é a substituição total — até que o trabalho humano seja desnecessário para a produção.

 

O objetivo do capitalista não é o pleno emprego. É o pleno lucro.

 

3.4. As consequências

As consequências dessa lógica são aterradoras:

  1. Desemprego em massa — milhões de trabalhadores sem ocupação;
  2. Precarização — os que permanecem trabalhando o fazem em condições piores;
  3. Concentração de renda — os donos das máquinas ficam com tudo;
  4. Crise social — sem renda, sem consumo, sem dignidade;
  5. Colapso da democracia — uma massa de desempregados e precarizados é presa fácil para o autoritarismo.

 

4. A PEC 6/2025 NO CONTEXTO DA AUTOMAÇÃO

A PEC 6/2025 é, ao mesmo tempo, necessária e insuficiente:

Necessária porque:

  1. Reduzir a jornada distribui o trabalho existente;
  2. Melhora as condições de vida dos trabalhadores;
  3. Aumenta o tempo livre para formação, lazer, cidadania.

 

Insuficiente porque:

  1. Não impede a automação — que continua avançando;
  2. Não garante renda para os que forem substituídos;
  3. Não redistribui os ganhos de produtividade da automação;
  4. Não resolve o desemprego estrutural.

 

A PEC é um paliativo — não uma solução. Ela melhora a vida de quem ainda tem emprego. Mas não responde à pergunta: e quem não tem?

 

5. A ALTERNATIVA: RENDA BÁSICA UNIVERSAL E SOCIALIZAÇÃO DA TECNOLOGIA

A tendência à automação é inevitável. A pergunta não é se ela vai acontecer — é como ela será gerida.

 

Cenário 1: A automação gerida pelo capital

  1. Robôs substituem trabalhadores;
  2. Lucros se concentram nas mãos dos donos das máquinas;
  3. Desemprego em massa;
  4. Miséria, violência, autoritarismo.

 

Nada disso é alertado pelos políticos, o que fazem é prometer falsamente mais empregos... combater a miséria, a violência...

 

Cenário 2: A automação gerida pelo povo

  1. Robôs substituem trabalhadores;
  2. Renda Básica Universal garante a sobrevivência de todos;
  3. Redução da jornada distribui o trabalho restante;
  4. Socialização da tecnologia garante que os ganhos sejam compartilhados;
  5. Democracia econômica — os trabalhadores participam das decisões sobre a produção.

 

Nada disso também é conversado pelos políticos com as populações como a realidade que se apresenta e se deve estar prepara para novo MODO de vida...

 

O Cenário 2 exige:

1.      Renda Básica Universal — para que ninguém morra de fome enquanto as máquinas produzem;

2.      Redução da jornada — para que o trabalho seja distribuído;

3.      Taxação da automação — para que os donos das máquinas paguem pelos trabalhadores que substituem;

4.      Socialização da tecnologia — para que a IA e a robótica sirvam ao bem comum, não ao lucro;

5.      Democracia econômica — para que os trabalhadores decidam sobre seu próprio futuro.

 

Isso já deveria estar sendo conversado pelos políticos do campo da esquerda com as populações, como que a realidade já se apresenta e que elas devem estar preparadas para o novo MODO de vida...

 

6. CONSIDERANDOS FINAIS: A LUTA PELA JORNADA E A LUTA PELO FUTURO-PRESENTE

A PEC 6/2025 é uma batalha importante. Ela deve ser aprovada. Ela deve ser defendida.

 

Mas é preciso ir além:

  1. A luta pela redução da jornada é a luta de hoje;
  2. A luta pela renda básica universal é a luta de amanhã agora;
  3. A luta pela socialização da tecnologia é a luta do futuro imediato.

 

O capitalismo não vai resolver o problema da automação. Ele vai agravar — porque o seu objetivo não é o bem comum, é o lucro d’eles.

 

A solução exige superar o capitalismo. Exige uma sociedade onde:

  1. A tecnologia sirva à vida, não ao lucro;
  2. O trabalho seja distribuído, não concentrado por poucos;
  3. A renda seja compartilhada, não concentrada em uma elite;
  4. A dignidade seja de todos, não de uns poucos.

 

A PEC 6/2025 é um passo. Mas a caminhada é longa. E o destino é o Bem Viver.

 

— Porque a jornada de trabalho não é apenas uma questão de horas. É uma questão de quem controla o tempo. E quem controla o tempo, controla a vida.

 

Pesquisas, leituras em profundidades, análises, seleção, elaboração, adaptação, produção e organização dos parágrafos/textos:

 

Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes

∞ Pesquisador Empírico Racional. Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Holísticas e Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política – Aqui em diálogo holístico e transdisciplinar consigo e com o/a leitor/a...

∞ Pedagogo, Filósofo e Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]

∞ Pós-Graduado em Docência da Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia Ambiental

∞ Especialista em Direito e Legislação Educacional

∞ Diretor-Presidente e Fundador da Fundação Brasil de Fomento à Educação Ambiental e Humanística

 

∞ Imperatriz/MA, São Miguel/TO – Reserva EcoFloresta Lagoa da Onça – 5 a 10 de outubro de 2026

 

Contatos:
prof.negreiros@gmail.com

fundacaobrasileducacional@gmail.com

[99] 98154-0899 – WhatsApp

http://professornegreiros.blogspot.com.br/

 

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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente, Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere..., e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof. Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...

∞ Muy Gracias por leernos

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