UM CHAMADO À REFLEXÃO: A SOCIEDADE DA DESCONFIANÇA E A EDUCAÇÃO QUE NÃO EDUCA/OU
Por Professor[] Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – Pesquisador
Empírico Racional. Consultor-Analista e Ministrante de Aulas-Palestras Holísticas
e Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente e Política, em diálogo
holístico e transdisciplinar com você...
I. O QUE O GUIA REVELA (E O QUE ELE ESCONDE)
Antecipo que não se trata de uma acusação, mas de uma certa defesa
à instituição a ser citada... devido a necessidade que a obriga a fazer uso do seu
documento – GUIA ESSENCIAL PARA EQUIPE DE APLICAÇÃO” que,
aparentemente, é um manual técnico. Mas, lido com atenção, ele é um tratado
sobre a desconfiança generalizada que tomou conta da sociedade
brasileira.
O guia instrui os aplicadores a:
- Verificar
documentos com desconfiança — e não aceitar o
e-Título, que pode ser falsificado;
- Submeter
todos os candidatos ao detector de metais —
na entrada, na saída, e a cada ida ao banheiro;
- Exigir
embalagens transparentes para
lanches, bebidas e remédios — porque qualquer invólucro opaco pode
esconder cola;
- Recolher
tudo dos bolsos — inclusive comprovante de inscrição, que
pode conter anotações;
- Monitorar
candidatos durante toda a prova — “principalmente
nos casos de suspeita de cola”;
- Acionar
o coordenador se o candidato se recusar a passar pelo
detector;
- Lacrar
envelopes de objetos proibidos e mantê-los na sala
de coordenação até o fim;
- Numerar
carteiras e organizar etiquetas em ordem
sequencial, para evitar trocas;
- Ficar
atento a qualquer sinal/ruído ou conversa que
possa atrapalhar a concentração.
O guia é minucioso. Cada detalhe foi pensado para prevenir a fraude.
Mas o que ele revela é mais profundo: revela que não se confia
em ninguém. Nem no candidato que vai fazer a prova. Nem no aplicador que
vai fiscalizar. Nem no sistema que deveria garantir a idoneidade.
A pergunta que formulo é a chave de tudo:
Se não se pode confiar em quem vai fazer uma prova, como confiar em quem
se propõe a representar o povo no parlamento, no executivo?
II. A LEMBRANÇA DOS ANOS 70, 80 E 90: QUANDO HAVIA CONFIANÇA
Tempos quando havia confiança..., não havia suspeição... evoca
uma memória que hoje soa quase ingênua:
Ontem, 11/10/2026, quando da minha participação como um dos aplicadores
de provas para candidatos a ingressarem na PM/MA, a mim veio a lembrança de
quando nos findos anos 70, no decorrer dos anos 80 e 90 do século passado, se
fazia provas de concursos, de vestibulares, de comprovação de níveis de
aprendizagens escolares na confiança de que não teria gente entre os candidatos
com a intenção de fraudar provas.
Essa lembrança não é saudosismo. É diagnóstico.
Naquela época, a fraude existia — mas era exceção. Hoje, a
fraude é regra presumida. O guia do Cebraspe não trata o candidato
como presumidamente honesto; trata como suspeito até que se prove o
contrário. O detector de metais, o envelope lacrado, a vigilância no
banheiro — tudo isso é a institucionalização da desconfiança. E não
é uma posição única do Cebraspe. Todos os órgãos aplicadores de provas têm suas
regras que justificam a desconfiança, por necessidades preventivas,
infelizmente!!
O que mudou?
Não foi a natureza humana. Foi a sociedade. Uma sociedade
que:
- Naturalizou
a corrupção como prática política;
- Celebrou
o “jeitinho” como virtude nacional;
- Transformou
a mentira em estratégia de marketing;
- Fez
do “empreendedorismo” um sinônimo de “levar vantagem”;
- Elegeu
um presidente que disse, em rede nacional, que não roubava, mas deixou
roubarem pelas emendas pix; roubarem aposentados; roubarem fundos...
roubarem... roubarem... e ele próprio roubar o estado junto com os filhos,
e não serem até agora criminalizados punido pelos roubos praticados.
A desconfiança nos concursos é reflexo da desconfiança
na sociedade. E a desconfiança na sociedade é produto de uma
educação que não educa/ou para a ética.
III. A EDUCAÇÃO QUE NÃO EDUCA/OU
Faço a pergunta que deveria doer em cada educador brasileiro:
“O que ensina a educação escolar ser-se confiável? Honesto? Ético? Se
quem faz uma prova de concurso não se confia nele para fazê-la sem lhe vigiar?!
Ele não passou por uma escola?! Por salas de aulas?! Por professores-educadores?!”
A resposta é dolorosa: passou, mas não aprendeu.
A escola brasileira ensina matemática, português, ciências — mas não
ensina ética. Não ensina honestidade. Não ensina integridade.
Não ensina que fraudar uma prova é fraudar a si mesmo.
Pior: a escola brasileira, em muitos casos, ensina o contrário.
Ensina que o importante é passar, não aprender. Ensina que colar é
aceitável, desde que não se seja pego. Ensina que levar vantagem é
inteligência, não desonestidade.
O guia do Cebraspe, e de demais instituições responsáveis por aplicação
de provas, é a prova material desse fracasso educacional. Se a
escola tivesse cumprido seu papel disciplinar, não seriam necessários
detectores de metais, envelopes lacrados, vigilância no banheiro. Seria
suficiente confiar.
IV. O CUSTO DA DESCONFIANÇA
Alerta:
“Devido ao grau e aos instrumentos de vigilância empregados em quem faz
uma prova de concurso, se tem um custo material, humano e financeiro que não se
tinha antes... Além do constrangimento, se é que há...”
O custo é tríplice:
1.
Custo material: Detectores de
metais, câmeras, envelopes lacrados, etiquetas numeradas, salas de coordenação,
pessoal treinado — tudo isso custa milhões de reais que
poderiam ser investidos em educação de qualidade.
2.
Custo humano: Aplicadores
treinados para desconfiar de cada candidato. Candidatos tratados
como suspeitos desde o momento em que entram no local de
prova. Um ambiente de hostilidade onde deveria haver confiança.
3.
Custo moral: O constrangimento de
passar por um detector de metais. De ser revistado. De ter seus pertences
lacrados. De ser vigiado no banheiro. Isso desumaniza. Trata o
cidadão como desonesto, criminoso em potencial.
V. A DESCONFIANÇA COMO SINTOMA DE UMA SOCIEDADE DOENTE
O guia do Cebraspe, e não só o do Cebraspe, é um sintoma. A
doença é mais profunda.
Vivemos em uma sociedade onde:
- Políticos
mentem e são reeleitos;
- Empresários
fraudam e são premiados;
- Igrejas
exploram a fé e são veneradas;
- Milícias
matam e são protegidas por políticos e
servidores judiciários;
- Fake
news circulam e são acreditadas como verdades.
Nessa sociedade, a desconfiança é racional. Não se confia no
candidato porque não se pode confiar em ninguém. Não se confia no
político porque os políticos não são confiáveis. São todos medidos pela
mesma régua. Não se confia no próximo porque o próximo aprendeu a não
ser confiável.
A pergunta que faço é, portanto, central da crise brasileira:
“Se não se pode confiar em quem vai fazer uma prova, como confiar em quem
se propõe a representar o povo?”
A resposta é: não se pode. E é por isso que a democracia
brasileira está em crise. Não é apenas uma crise de instituições. É uma crise
de confiança. E a confiança não se recupera com detectores de metais.
Recupera-se com educação. E não é com qualquer educação.
VI. O CHAMADO À REFLEXÃO
Não faço uma denúncia. Faço um chamado.
Um chamado para que educadores reflitam sobre seu papel. Um
chamado para que políticos entendam que a desconfiança que semeiam
retorna como descrença na própria democracia. Um chamado para
que a sociedade perceba que a vigilância generalizada praticada
desde o estado ao ente priva não é segurança — é sintoma de colapso
moral.
O guia do Cebraspe é necessário? Sim, infelizmente, nas condições
atuais. Mas ele não deveria ser necessário. Ele é a prova de
que a educação falhou. De que a ética falhou. De que a sociedade falhou.
Que este chamado à reflexão ecoe nos corredores das escolas, nos
plenários das câmaras, nos púlpitos das igrejas, nas mesas das famílias.
Porque enquanto não pudermos confiar em quem faz uma prova, não
poderemos confiar em quem governa. E enquanto não pudermos confiar em quem
governa, a democracia será apenas uma farsa.
— Porque a confiança não se compra. Não se impõe. Não se vigia. A
confiança se constrói — com educação, com ética, com exemplo. E enquanto não a
construirmos efetiva e exemplarmente, continuaremos a viver na sociedade do
medo, da suspeita, do detector de metais e, do de mentiras.
Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes
Em diálogo holístico e transdisciplinar
∞
Pesquisador Consultor-Analista
e Ministrante de Aulas-Palestras Transdisciplinares em Educação, Meio Ambiente
e Política
∞ Pedagogo, Filósofo e
Rádiojornalista [DRT nº 0772/91-MA]
∞ Pós-Graduado em Docência da
Educação Superior, Gestão e Educação Ambiental, Gestão em Auditoria e Perícia
Ambiental
∞ Especialista em Direito e
Legislação Educacional
∞ Imperatriz/MA, São
Miguel/TO – Reserva EcoFloresta Lagoa da Onça – 12 de outubro de 2026
Contatos:
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[*] “Professor não “dá aula/s”. Portanto, Professor
não é quem “dá aula/s”, quem ministra aulas. Morfológica e Etimologicamente,
Professor [de Professo.... Professar...] é quem Professa; Profetiza; Profere...,
e Proclama Conhecimento, Saber/dor/ia!! Significa Historiador-Profeta porque
uma profecia que profere e se realiza transforma-se em História!!” – Prof.
Negreiros/Deuzimar Menezes Negreiros – Consultor
Transdisciplinar em Educação, Meio Ambiente e Política...