POR QUE ELES SÃO CONTRA LULA? A ENGENHARIA DO INTERESSE E O CENÁRIO DE BARBÁRIE
Por Professor[] Negreiros, Deuzimar Menezes – Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA – em
diálogo holístico e transdisciplinar...
1. A PERGUNTA CENTRAL
Por que os proprietários do agro, os empresários, os comerciantes são
contra Lula?
A resposta não está na ideologia. Está no interesse material [motivações
materiais, não ideológicas]. E o interesse material tem nome, sobrenome, CPF e
conta bancária.
2. AS MOTIVAÇÕES DO AGRO E DO EMPRESARIADO
2.1. O que eles querem
a.
Não pagar impostos – O que Lula faz: Fiscalização ambiental e trabalhista – O que Flavio
Bolsonaro faria se fossa eleito: Desmonte total dos órgãos de fiscalização [IBAMA,
Incra, MTE]
b.
Não pagar impostos – O que Lula faz: Tributação progressiva – O que Flavio Bolsonaro
faria se fossa eleito: Isenções e perdões fiscais
c.
Não pagar empréstimos públicos – O que Lula faz: Cobrança de dívidas
dos bancos públicos [BNDES, Banco do Brasil] – O que Flavio Bolsonaro faria
se fossa eleito: Perdão de dívidas e refinanciamento sem juros
d.
Viver à margem do Estado – O que Lula faz: Estado presente,
regulador, protetor– O que Flavio Bolsonaro faria se fossa eleito: Estado
mínimo, ausente, cúmplice
e.
Expandir sobre terras públicas e florestas– O que Lula faz: Combate ao
desmatamento ilegal– O que Flavio Bolsonaro faria se fossa eleito: Liberação
de garimpo, grilagem e desmatamento
2.2. A lógica do "custo Brasil" como
chantagem
O agro e o empresariado repetem o discurso do "custo Brasil" —
impostos altos, burocracia, leis trabalhistas. Mas o que eles chamam de
"custo" é, na verdade, o preço da civilização:
- Impostos = saúde,
educação, segurança, infraestrutura;
- Leis
trabalhistas = dignidade do trabalhador;
- Leis
ambientais = sobrevivência do planeta.
Eles não querem reduzir o "custo Brasil". Querem reduzir o
Brasil a um território sem leis, onde o lucro não tenha limite e a vida não
tenha valor.
2.3. O caso específico do agro
O agronegócio brasileiro é o maior beneficiário da máquina
pública:
- Crédito
subsidiado — bilhões do BNDES e do Banco do Brasil a
juros abaixo do mercado;
- Perdão de
dívidas — sucessivos refinanciamentos que transferem
o prejuízo para o contribuinte/consumidor;
- Isenções
fiscais — exportações desoneradas, impostos
reduzidos;
- Flexibilização
ambiental — licenciamento facilitado, anistia para
desmatadores.
E, no entanto, o agro é o setor que mais reclama do Estado. Quer tudo —
e não quer pagar nada.
3. O QUE É UM MILICIANO E QUAIS SÃO SEUS
NEGÓCIOS NO RIO
3.1. Definição
Miliciano é o agente de segurança pública — ou ex-agente — que,
em vez de combater o crime, organiza o crime. Ele usa a farda, a arma e
o conhecimento policial para controlar territórios, cobrar taxas
e explorar atividades econômicas.
Diferente do traficante [que vende drogas], o miliciano vende
"proteção", monopoliza serviços e se infiltra no Estado.
3.2. Os negócios da milícia no Rio
a.
"Gás, luz e água" —Como funciona: Cobrança de taxas paralelas para fornecimento de
serviços básicos [gás ilegal, "gatonet", água de poços]
b.
Transporte alternativo—Como funciona: Controle de vans e mototáxis — cobrança de taxas
e eliminação da concorrência
c.
Cobrança de "pedágio"—Como funciona: Taxas para circulação de pessoas e mercadorias em
áreas controladas
d.
Exploração imobiliária—Como funciona: Loteamentos clandestinos, grilagem de terras,
construção irregular
e.
Segurança privada—Como funciona: "Proteção" para comerciantes — quem não
paga, é punido
f.
Empréstimos a juros—Como funciona: Agiotagem — financiamento de negócios e dívidas
com juros extorsivos
g.
Controle de internet e TV—Como funciona: Monopólio de "gatonet" e internet
clandestina
h.
Tráfico de armas e drogas—Como funciona: Em aliança com traficantes, ou em conflito com
eles
A milícia é uma empresa criminosa que movimenta bilhões de reais por ano
— e que se infiltra no Estado para se proteger e expandir.
4. O CENÁRIO COM FLÁVIO BOLSONARO PRESIDENTE
4.1. A blindagem política
Flávio Bolsonaro é filho de um político que construiu sua carreira
com apoio de milicianos. Seu ex-assessor Fabrício Queiroz está
foragido. Seu ex-funcionário Adriano da Nóbrega [chefe do Escritório do
Crime, acusado de matar Marielle Franco] foi morto em operação policial. A
"rachadinha" de seu gabinete envolvia pessoas ligadas à milícia.
Com Flávio no poder:
- A PF e as
polícias estaduais seriam comandadas por aliados — e a milícia
deixaria de ser investigada;
- O Ministério
Público seria pressionado a não denunciar milicianos;
- O Congresso aprovaria
leis que anistiariam crimes ou dificultariam a investigação;
- O STF seria
reformado para blindar os aliados.
A milícia deixaria de ser crime para se tornar política de Estado.
4.2. A expansão dos negócios
Com a blindagem, a milícia expandiria seus negócios:
- Controle de
mais territórios — em todo o estado do Rio e além;
- Monopólio de
serviços — internet, TV, gás, água, transporte;
- Infiltração no
Estado — mais vereadores, prefeitos, deputados e governadores,
senadores, secretários, ministros;
- Legalização de
negócios — lavagem de dinheiro em empresas
"legais".
O Rio de Janeiro se tornaria uma "miliciocracia" — um estado
controlado por organizações criminosas.
4.3. A aliança com o agro e o empresariado
A milícia não está sozinha. Ela se alia ao agronegócio [grilagem
de terras], ao empresariado [lavagem de dinheiro], aos comerciantes
[cobrança de taxas]. E todos juntos sustentam o projeto de poder de Flávio
Bolsonaro.
É uma aliança de criminosos: milicianos, grileiros, corruptos,
fascistas.
5. O ELEITOR DOS FILHOS É ELEITOR DO PAI
5.1. A lógica da continuidade
O eleitor que vota em Flávio Bolsonaro não está votando em Flávio.
Está votando em Jair Bolsonaro. Está votando na continuidade do
projeto do pai — na sua herança política, na sua vingança, no seu
retorno.
Flávio é o herdeiro. Ele carrega o nome, a marca, o ódio. E o
eleitor bolsonarista, que não pode votar no pai [preso, inelegível], vota no
filho como se estivesse votando no pai.
5.2. O culto à personalidade
O bolsonarismo é um culto à personalidade. O líder não é um
político — é um mito, um salvador, um enviado de Deus. E o
mito não morre. Ele se encarna nos filhos.
- Flávio é o herdeiro
político;
- Eduardo é o herdeiro
internacional;
- Carlos é o herdeiro
digital;
- Michelle é a herdeira
moral.
O eleitor não vota em pessoas. Vota em símbolos. E o símbolo é o pai.
5.3. A armadilha da fidelidade
O eleitor bolsonarista está preso em uma armadilha de fidelidade.
Ele investiu fé, identidade, esperança e reputação no projeto. Admitir o
erro seria humilhante demais. Então ele reinterpreta a realidade
para confirmar sua crença.
Votar no filho é, para ele, uma forma de dizer: "Eu não errei. O
pai era bom. O filho será bom. Eu continuo certo."
6. PERCEPÇÕES FINAIS: O UMBRAL DO INFERNO
Minha análise está correta.
O agro, o empresariado e os comerciantes são contra Lula porque não
querem ser fiscalizados, não querem pagar impostos, não querem pagar
empréstimos, querem viver à margem do Estado. Eles acreditam que o clã
Bolsonaro lhes permitirá isso.
Os milicianos são empresários do crime — e Flávio Bolsonaro é seu
candidato. Com ele no poder, a milícia deixaria de ser crime para se
tornar política de Estado.
E o eleitor dos filhos é eleitor do pai — preso em uma armadilha
de fidelidade que o impede de ver a realidade.
O Brasil está no umbral do inferno. E a eleição de 25 de outubro de 2026
é a última chance de evitar a queda.
— Porque quem vota no crime, vota na morte. E quem vota na morte, não
pode reclamar das consequências.
Professor[*] Negreiros, Deuzimar Menezes
Rádiojornalista, DRT nº 0772/91-MA
Em diálogo holístico e transdisciplinar
Imperatriz [MA], 24 de outubro de 2026
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